A senadora paraguaia Celeste Amarilla elevou o tom do confronto público com Kylian Mbappé nesta terça-feira (7) e afirmou que o atacante francês não deve “se meter com os paraguaios”. A parlamentar citou a prisão de Ronaldinho Gaúcho no país, em 2020, como exemplo da atuação das autoridades paraguaias contra personalidades internacionais.
A declaração ocorreu após Mbappé classificar Amarilla como “indigna do cargo que ocupa” e “desprezível” em resposta a manifestações racistas feitas pela senadora após a partida entre França e Paraguai na Copa do Mundo.

“Leia minha carta. Se sabe ler, leia minha carta. Não se meta com os paraguaios. Aqui já prendemos Ronaldinho Gaúcho. Não me subestime”, afirmou a parlamentar em entrevista.
O conflito começou depois que Amarilla, integrante do Partido Liberal Radical Autêntico, publicou comentários contra Mbappé relacionados à aparência e à origem camaronesa do jogador. Em uma das manifestações, ela associou a formação do atacante francês a chimpanzés.
A senadora também criticou a postura do goleiro paraguaio Orlando Gill diante do atacante francês. Segundo ela, o jogador deveria ter feito um gesto ofensivo em vez de cumprimentar Mbappé após a partida.
“Eu faço isso no Senado e nada acontece”, escreveu Amarilla em uma das publicações.
O atacante francês respondeu às declarações por meio da rede social X. Mbappé afirmou que a senadora não estaria à altura do cargo público que ocupa e disse que não aceitaria manifestações racistas.
“Jamais permitirei que pessoas como ela tenham a liberdade de espalhar seu ódio e racismo pelo mundo”, declarou o jogador.
A repercussão chegou às autoridades francesas. A Federação Francesa de Futebol apresentou uma denúncia contra as declarações da parlamentar, que posteriormente foi acolhida pelo Ministério Público de Paris.
Em meio à reação internacional, Amarilla passou a afirmar que teria sido vítima de “violência de gênero” e “violência política contra a mulher” por parte do jogador francês.
A senadora também apresentou essa argumentação em uma carta aberta enviada a Mbappé e divulgada na segunda-feira (6).
“Violência de gênero. Violência política contra mulher. Isso é grave. Isso, sim, é grave. Que me peça desculpas”, afirmou Amarilla.
A referência feita pela senadora ao ex-jogador brasileiro Ronaldinho Gaúcho diz respeito ao episódio ocorrido em 2020, quando ele e o irmão, Roberto de Assis, foram presos no Paraguai após entrarem no país com documentos falsos.
Ronaldinho permaneceu inicialmente 32 dias em uma unidade prisional de Assunção. Depois, cumpriu o restante da medida em prisão domiciliar em um hotel da capital paraguaia.
Ao todo, o ex-jogador ficou cerca de seis meses no Paraguai durante o processo.