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Política

[VÍDEO] “Se depender do Trump e de mim, vai ter acordo”, afirma Lula após reunião

Presidentes discutiram tarifas sobre produtos brasileiros, julgamento de Bolsonaro e tensões com a Venezuela durante encontro na Malásia
Redação
27/10/2025 | 10:47

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na noite deste domingo 26 — já manhã de segunda-feira 27 na Malásia — que a reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi “surpreendentemente boa”. Segundo Lula, o diálogo deu a impressão de que as diferenças entre os dois países podem ser resolvidas em breve.

“Se depender do Trump e de mim, vai ter acordo”, disse o presidente durante entrevista.

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Lula afirmou que pretende manter contato direto com Trump para avançar nas negociações - Foto: reprodução G1

O encontro entre os líderes ocorreu em Kuala Lumpur e durou cerca de 50 minutos. Foi o primeiro diálogo formal entre os dois desde uma breve conversa na Assembleia Geral da ONU, em setembro. A reunião aconteceu após os Estados Unidos imporem tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e aplicarem sanções a autoridades do país em razão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Lula afirmou reconhecer que é direito de um presidente aplicar taxas para proteger a indústria nacional, mas avaliou que as medidas norte-americanas foram baseadas em informações incorretas.

“O que não pode é acontecer o que aconteceu com o Brasil, com base em informações equivocadas, tomar uma decisão de taxar o Brasil em 50%. Ele sabe disso porque eu tive a oportunidade de dizer, agora não tem mais intermediário. Agora é o presidente Lula com o presidente Trump.”

O presidente disse ter saído satisfeito da reunião e que pretende manter contato direto com Trump. “A depender do desenrolar da situação, já vou importunar [Trump] com um telefonema direto na próxima semana.”

Confira o vídeo:

Conversa sobre Bolsonaro

Lula informou que, além da questão comercial, os dois discutiram o julgamento de Jair Bolsonaro. “Eu disse para ele que o julgamento [de Bolsonaro] foi muito sério, com provas muito contundentes”, afirmou.

De acordo com o presidente brasileiro, Trump reconheceu que Bolsonaro faz parte do passado da política do país. “Em três reuniões que você fizer comigo, você vai perceber que Bolsonaro não era nada, praticamente.”

Discussão sobre a Venezuela

Durante a conversa, Lula também abordou a tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela. Ele afirmou que manifestou preocupação com o agravamento da situação e se colocou à disposição para contribuir com futuras negociações.

“Nós queremos manter a América do Sul como zona de paz. Nós não queremos trazer os conflitos de outras regiões para o nosso continente”, declarou.

Relações comerciais e nova ordem mundial

Questionado sobre a política tarifária dos EUA e o impacto global das disputas comerciais, Lula afirmou que o Brasil não tem preferência entre países e busca manter boas relações com todas as nações.

“Nós não aceitamos uma nova Guerra Fria que durante 50 anos permeou a vida da humanidade entre Estados Unidos e Rússia”, disse.

Ele também mencionou a importância da parceria com a China e ressaltou que o país deve evitar depender exclusivamente de um único parceiro comercial.

Inclusão da Malásia nos Brics

Lula expressou apoio à inclusão da Malásia no grupo Brics, que reúne países emergentes como Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã.

Durante a visita à Malásia, o presidente e o primeiro-ministro Anwar Ibrahim assinaram atos de cooperação para ampliar o comércio e os investimentos entre os países. Os acordos envolvem áreas como energia, ciência, tecnologia e inovação.

A viagem marca a primeira visita de um presidente brasileiro à Malásia em 30 anos. Segundo Lula, ele deixa o país com “a impressão mais positiva possível”, pela receptividade do povo e pelas conversas com as autoridades locais.

Encontro diplomático

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou o encontro entre Lula e Trump como positivo. Segundo ele, o presidente brasileiro reiterou o pedido de suspensão das tarifas durante o período de negociação.

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