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Crime
Saiba como se proteger dos golpes aplicados na internet
Delegado da Polícia Civil Marcuse Cabral da conta que além de fraudes em plataformas de anúncio, há diversos outros tipos de golpes de estelionato que acontecem frequentemente
Dandarah Filgueira
18/01/2021 | 09:42

Com a pandemia do coronavírus e a necessidade de isolamento social, o hábito de fazer compras online cresceu em 2020. No Nordeste, o Índice de Vendas Online teve um aumento de 81,89% em novembro de 2020, em relação ao mesmo mês do ano anterior, de acordo com o Comitê de Métricas da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico.

Nesse cenário, tornou-se mais fácil ser vítima de um golpe ao tentar fazer uma compra pela internet, e a situação pode ser ainda mais perigosa quando se trata de bens de valores altos, como veículos e imóveis.

O delegado da Polícia Civil Marcuse Cabral relata que o chamado “Golpe das Plataformas de Anúncio” é um tipo de trapaça que já se tornou rotineira, e é um crime muito complexo e difícil de investigar. Nesse golpe, o estelionatário engana um vendedor e um comprador da seguinte forma:

O vendedor faz o anúncio online de um bem que está tentando vender. Vamos imaginar que seja um veículo; O estelionatário, de forma bastante gentil e solícita, entra em contato com o vendedor, diz estar interessado em comprar aquele carro, não tenta barganhar o preço e pede mais fotos e informações sobre o produto. Ele também diz que, na verdade, não quer o carro para si, mas para outra finalidade, que pode ser negociar uma dívida com outra pessoa ou então fazer um negócio na aquisição de outro bem, como um imóvel, etc.

O vendedor envia fotos e informações, acreditando que o estelionatário está mesmo interessado;

O estelionatário cria um novo anúncio falso utilizando o material enviado pelo vendedor, mas coloca um preço muito abaixo do mercado para chamar a atenção de possíveis compradores;

Um comprador entra em contato com o estelionatário e demonstra interesse em comprar o veículo, acreditando que está fazendo um bom negócio por causa do preço baixo;

O estelionatário passa todas as informações que recebeu do vendedor como se realmente fosse o proprietário. Então ele diz que está fora da cidade, mas que vai solicitar para um parente mostrar o veículo para o comprador.

A esta altura, o estelionatário convenceu o vendedor a mostrar o carro para o comprador, alegando que o comprador é a pessoa com quem ele vai fazer o negócio do veículo, e convenceu o comprador a dar uma olhada no carro com o vendedor, alegando que o vendedor é um parente. Tanto vendedor e comprador são convencidos a não discutir sobre o preço, pois para ambos essa questão já foi acertada com o estelionatário.

O estelionatário mente para o vendedor que realizou o pagamento, falsificando um comprovante de transferência TED. Para o comprador, ele envia os dados de uma conta de banco que pode ser fantasma, de um laranja ou de fora do estado.

Pode acontecer de o vendedor entregar o veículo para o comprador, e o comprador faz o pagamento para a conta do estelionatário.

Quando o dinheiro não chega na conta do vendedor e tanto ele quanto o comprador descobrem que foram vítimas de um golpe, já é tarde.

A investigação se torna complicada porque se a conta do banco do golpista for de outro estado, a competência para a investigação do crime fica a cargo da Polícia Civil daquele estado, então é necessário que haja um trabalho conjunto de vários estados. Além disso, o estelionatário se torna difícil de rastrear, pois utiliza uma conta em aplicativos de mensagem com nome falso, etc.

O delegado Marcuse Cabral faz um alerta para todos que desejam fazer um negócio por meio de plataformas online. “Negocie apenas com o proprietário do bem. No caso de um veículo, o nome do proprietário consta no Documento Único de Transferência (DUT). No caso de um imóvel, é necessário verificar o número da matrícula do imóvel, identificar o cartório e solicitar a Certidão de Inteiro Teor, esse documento vai dizer toda a situação do imóvel: a quem ele pertenceu, se ele tem algum ônus perante a Fazenda Pública, se ele tem algum débito, e vai indicar quem é, de fato, o proprietário daquele imóvel. Se você fizer o pagamento para a conta do proprietário do bem, é impossível cair nesse tipo de golpe”, alerta o delegado.

“Outra indicação é não fazer nenhum tipo de transação, de comércio ou de cadastramento em sites que não tenha o final ponto br (.br). Porque o ponto br quer dizer que aquele site é hospedado em páginas brasileiras, quando não tem é porque o site é hospedado fora do país. Isso dificulta a investigação, como é que a gente vai fazer intercâmbio com outro país pra poder investigar? Fica praticamente impossível”, relata Marcuse.

OUTROS GOLPES

De acordo com dados da Coordenadoria de Informações Estatísticas e Análise Criminal (Coine), da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed), em 2020 foram investigados mais de 5 mil casos de crime de estelionato no Rio Grande do Norte. A recepcionista Vitória* (nome fictício) foi vítima de um golpe do tipo e teve sua conta utilizada como laranja sem seu conhecimento.

“Um familiar meu pediu minha conta do banco emprestada alegando que era para receber a pensão de seu filho, e eu emprestei, com a intenção de fazer uma boa ação. Depois de uns dias minha conta ficou bloqueada e fui ao banco para saber o que estava acontecendo e descobri que tinha caído em um golpe. A outra vítima, que teve seu dinheiro roubado provavelmente por roubo de senha da sua conta no banco pelo aplicativo, reportou ao banco que tinha havido uma transferência que não era de seu conhecimento. Assim, o banco bloqueou minha conta bancária até que eu fizesse a devolução do dinheiro que tinha entrado na minha conta”, relata a vítima.

Vitória precisou fazer a devolução do dinheiro para ter a conta do banco desbloqueada, mesmo não tendo sido responsável pelo crime, e agora está lutando na justiça para ser indenizada pelos prejuízos que teve. “Isso me afetou de diversas formas. Financeiramente, pois tive meu dinheiro bloqueado, não podia fazer saque, transferência, compras em débito, e principalmente psicologicamente. Ah, e também teve a questão da perda de tempo, já que gastei muito tempo indo a vários lugares para tentar resolver a situação” conta.

O delegado Marcuse Cabral cita ainda outros tipos de fraudes que, segundo ele, são muito comuns. “Tem também o golpe dos Leilões Virtuais, que são anunciados em páginas fraudulentas. São muito parecidos com leilões verídicos, mas vendem bens e não entregam. É o mesmo modus operandi: a conta em que é depositado o dinheiro é de fora do estado, e nenhum leiloeiro oficial participa desses leilões” explica.

Ele também cita o golpe do Bilhete Premiado, em que os estelionatários, que agem em grupo de 3 ou 4 pessoas, geralmente escolhem vítimas idosas, que demonstram uma certa fragilidade. Cada um tem um papel nesse golpe: um simula ser uma pessoa humilde, que veio do interior, sem muita instrução, e mostra um bilhete de loteria que supostamente foi premiado, ele aborda a vítima em uma via pública e alega que não sabe andar na cidade e precisa de ajuda para encontrar uma lotérica e sacar o prêmio. Nesse momento, chega outra pessoa que também é um golpista e se dispõe a ajudar o suposto ganhador, que oferece uma doação em troca da ajuda para chegar até a lotérica, mas em troca pede uma garantia em dinheiro.

“O falsário então entrega uma quantia em dinheiro para o outro, como garantia. A vítima então vai ao banco, faz o saque de um valor considerável e entrega aos golpistas, na promessa de sacar o prêmio da loteria e devolver um valor muito maior para a vítima. Obviamente isso não acontece”, explica Marcuse.

Um terceiro tipo de fraude que acontece é o chamado golpe do Falso Motoboy. O falsário descobre em que banco a vítima tem conta e liga para a pessoa se passando por um funcionário do banco. Ele diz que verificou movimentações suspeitas no cartão de crédito da vítima e que será necessário cancelar o cartão da pessoa, e para isso pede a senha da vítima. O suposto funcionário do banco fala que está com um serviço novo em que um motoboy vai buscar o cartão da pessoa para que não haja nenhum tipo de fraude quando a pessoa o descartar.

“A pessoa que sofreu algum tipo de golpe precisa ir imediatamente à delegacia para fazer o Boletim de Ocorrência. Se o prejuízo for acima de 30 salários mínimos a atribuição é da Delegacia de Defraudações. Se for abaixo desse valor, é das delegacias distritais, que vai fazer a investigação”, encerrou o delegado.

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