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Sismologia
Rio Grande do Norte tem média de um terremoto a cada 2 dias em 2020
De 1º de janeiro ao dia 13 deste mês foram sentidos 147 terremotos no estado. O número é mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2019
Anderson Barbosa
16/10/2020 | 07:35

A terra anda agitada no Rio Grande do Norte. Este ano, a média é de um terremoto a cada dois dias, segundo dados do Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis/UFRN). De 1º de janeiro ao dia 13 deste mês – data em que ocorreu o último abalo sísmico em território potiguar – já foram sentidos 147 terremotos no estado. O número é mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2019, quando foram contabilizados 66 abalos.

O aumento dos fenômenos, no entanto, não significa que há motivos para preocupação. “Não há motivo para pânico. Estamos registrando mais abalos sísmicos porque estamos monitorando mais e melhor a terra”, disse ao Agora RN o professor Aderson Farias Nascimento, titular do Departamento de Geofísica e coordenador do Laboratório Sismológico da UFRN.

Ainda de acordo com o professor, com o monitoramento sistemático do solo e das atividades das placas tectônicas, é natural que ocorra o crescimento dos registros de tremores”, acrescentou.

Um terremoto, ou simplesmente um sismo, é o resultado de uma súbita liberação de energia na crosta do planeta, geralmente por conta do choque entre placas tectônicas, o que cria ondas sísmicas. E essa é uma atividade bastante comum não apenas no Rio Grande do Norte, mas em praticamente em todo o Nordeste brasileiro.

Pedra Preta, João Câmara e Caraúbas são as regiões que mais tremem

A região do entorno de Pedra Preta, distante pouco mais de 120 quilômetros da capital potiguar, é a que mais treme. Pelo menos vem sendo assim este ano. Ainda de acordo com o LabSis/UFRN, um único abalo foi registrado no município em 2019. Agora em 2020, porém, já foram contabilizados 30 terremotos na região. O último aconteceu na madrugada da terça-feira 13, por volta 4h, e teve magnitude de 1.8 na Escala Richter.

Em Caraúbas, no Oeste potiguar, o solo também anda inquieto. Em 2019 foram 5 tremores registrados. Este ano, a região já acumula 26 abalos.

Já em João Câmara, município que ficou famoso em 1986 por causa de grandes terremotos, foram registrados 17 abalos no ano passado. Este ano, já foram 25 ocorrências catalogadas, totalizando mais de 40 tremores de terra.

Terremoto de 1986 ainda é o mais forte já registrado no estado

Os terremotos que abalaram o município de João Câmara em 1986 continuam sendo os eventos mais fortes já sentidos no estado. O primeiro abalo aconteceu no dia 21 de agosto daquele ano, e alcançou 4.3 na Escala Richter. No mês seguinte, foram dois eventos sísmicos: 4.3 e 4.4, respectivamente. O terremoto principal aconteceu no dia 30 de novembro, com magnitude de 5.1. Ele foi seguido por centenas de réplicas, quatro delas com magnitude maior ou igual a 4.0.

Danos significativos ocorreram tanto na área urbana como na rural, fazendo com que grande parte da população abandonasse a cidade. Os tremores destruíram ou danificaram cerca de 4.000 casas. Pelo menos 500 delas precisaram ser reconstruídas. Os tremores foram sentidos em Natal, a mais de 80 quilômetros de distância.

Presidente da república na época, José Sarney e vários ministros visitaram a área atingida. A imprensa nacional também acompanhou os fatos, inclusive montando acampamentos na cidade.

A atividade sísmica em João Câmara é ocasionada devido a movimentos de placas tectônicas, pois o município está localizado em cima da falha geológica denominada de “Samambaia”. A falha também corta os municípios de Pureza, Poço Branco, Taipu e Parazinho.

Segundo o LabSis, a falha geológica mede 38 km de extensão, fica entre os estados do Rio Grande do Norte e Ceará e é a maior do país.

Laboratório de Sismologia da UFRN analisa riscos de abalos e auxilia engenharia de grandes construções

“Como laboratório, operamos há pelo menos 45 anos, principalmente no apoio à Defesa Civil no intuito de subsidiar, com informações técnicas, a sismicidade em várias regiões do Nordeste do Brasil, com destaque para o Recôncavo Baiano, o Agreste Pernambucano, a borda da Bacia Potiguar – que é a região de Assu, João Câmara, Taipu, Dr. Severiano – e também o Norte e Noroeste do Ceará, assim como também o Maranhão”, destacou o professor Aderson Farias Nascimento.

“Também prestamos esclarecimentos à população sobre os fenômenos sismológicos. Além disso, usamos a sismologia como uma ferramenta para investigar o interior da terra, e também possuímos vários projetos que auxiliam empresas de exploração de petróleo, parques eólicos, termelétricas, por exemplo, com informações sobre riscos e perigos sísmicos, o que é muito importante para a engenharia”, acrescentou o coordenador do LabSis/UFRN.

O LabSis/UFRN possui estações permanentes de monitoramento em Riachuelo, Paraú, Pau dos Ferros, João Câmara e Pedro Velho.

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