BUSCAR
BUSCAR
Artes marciais
RN continua sendo uma fábrica de campeões de MMA
O caminho até chegar ao êxito não é fácil, os atletas enfrentam uma rotina de treino puxada, muitas vezes precisam de mais de um emprego para se manter e convivem com a falta de apoio
Helliny França
15/12/2020 | 08:00

O MMA do Rio Grande do Norte ganhou destaque em eventos internacionais graças a nomes como Renan Barão, Gleison Tibau, Cláudia Gadelha, Jussier Formiga e os irmãos Patricio e Patricky Pitbull. Tibau ficou no UFC de 2006 a 2018, sendo um dos recordistas no número de lutas na organização, foram 28 subidas ao octógono do Ultimate.

Já Gadelha disputou o cinturão da categoria peso palha do UFC em 2016, enquanto Formiga se manteve por anos no topo do peso mosca do mesmo evento. Barão foi campeão da categoria galo do UFC em 2014, vencendo nomes de peso, como o americano Urijah Faber.

O mossoroense Patricio é campeão simultaneamente de duas divisões no Bellator, o peso pena e o leve, o evento é o principal concorrente do Ultimate, e Patricky segue sendo um dos principais nomes da categoria de até 71 quilos da organização.

Histórias de sucesso de potiguares em grandes eventos abrem caminho para que atletas do estado se inspirem a alcançar o mesmo. O caminho até chegar ao êxito não é fácil, os atletas enfrentam uma rotina de treino puxada, muitas vezes precisam de mais de um emprego para se manter e convivem com a falta de apoio. Lutadores em ascensão da equipe Pitbull Brothers falaram ao Agora RN sobre os desafios do cenário do MMA no estado.

Daniel Rodrigues o ‘Santa Cruz’, como é conhecido, está no MMA desde os 17 anos, oriundo do município potiguar que lhe rendeu o apelido, ele ajudava o avô em um sítio e chegou a correr em vaquejadas, até conhecer as artes marciais mistas e vir para capital do estado em 2012 para seguir o sonho de ser lutador. Sem local para ficar, ele passou os primeiros 15 dias em Natal dormindo em uma academia até ser acolhido na casa do campeão do Bellator, Patricio Pitbull.

Rn continua sendo uma fábrica de campeões de mma
Daniel Rodrigues o ‘Santa Cruz’. Foto: Ricky Damasceno/ MMA RN

O atleta da Pitbull Brothers venceu suas primeiras lutas na modalidade, chegou a lutar em um dos maiores eventos nacionais de MMA, o Shooto Brasil, e hoje tem um cartel com 8 vitórias e 1 derrota. Há 11 anos no esporte e com o sonho de ser campeão em uma organização da modalidade, ‘Santa Cruz’ esbarra com a dificuldade que a maioria dos atletas de MMA enfrentam: a falta de apoio.

“A maioria dos lutadores tem que ter um outro trabalho por fora ou ter uma renda fixa, porque só da luta não dá para sobreviver. Não existe bolsa-atleta, ajuda financeira dos governos, não tem ajuda de patrocínio, é muito triste isso”, relatou o atleta.

Daniel lutou pela última vez em novembro de 2019 no Natal Fight Championship 17, e agora quer alcançar voos mais altos e aguarda por uma chance no Bellator.

Augusto Abdias começou a se dedicar mais as artes marciais aos 18 anos quando foi morar no município de Macaíba, no início começou por causa da sua saúde, ele era obeso, chegou a pesar 140 quilos, e sofria de pressão alta, gordura no fígado e era pré-diabético.

“Entrei no Muay thai nessa intenção, de mudar de vida e ter um estilo mais saudável, com isso mudei minha alimentação e fui me dedicando ao esporte. Comecei a fazer lutas amadoras e daí não parei mais. Logo já estava estreando no MMA. Sempre tive esse sonho e vontade e estamos até hoje”, disse o atleta.

Hoje com 27 anos ele tem um cartel profissional com 7 vitórias e 1 derrota, no ano passado o potiguar lutou duas vezes no Future FC, organização que venceu o “Oscar do MMA nacional”, o Prêmio Osvaldo Paquetá em 2019. Confiante no futuro, Abdias diz que está tentando ingressar em um evento maior e que algo bom está por vir. O lutador compartilha da realidade do seu colega de equipe e não consegue se manter apenas com o trabalho de atleta.

“Impossível viver do esporte, no momento, infelizmente. Faço minhas virações, mas na maior parte me viro dando aulas. Mas já fiz um pouco de tudo que aparece”, disse Abdias.

Natural do município potiguar de Itajá, Reinaldo Ekson começou na capoeira aos 9 anos de idade, seu pai era jogador de futebol e sonhava que os filhos seguissem no esporte, Ekson então deu uma pausa nas artes marciais para jogar bola. Mais tarde através de um amigo ele voltou a lutar, dessa vez a modalidade foi o Thai boxe, com 20 dias de treino participou da primeira competição amadora. Em 2012, Ekson fez sua primeira luta profissional no MMA.

Rn continua sendo uma fábrica de campeões de mma
Ekson já competiu em vários estados do país. Foto: Esron Fotografia

“Graças a Deus eu finalizei a luta no primeiro round, mas para mim foi muito emocionante aquela vitória, já comecei com o pé direito, cada dia estou mais motivado a continuar, apesar das dificuldades. Para mim foi o primeiro passo dado com sucesso, sempre fui focado, e sempre soube o que queria no mundo da luta”, disse Ekson.

A dificuldade para viver das artes marciais mistas é o denominador comum entre a maioria dos atletas, a história se repete, Ekson dá aulas de boxe e Muay Thai e a noite trabalha como motorista de aplicativos.

“Tenho uma rotina muito corrida. Mas é assim que consigo pagar as contas e manter a vida de atleta”, relata o atleta da Pitbull Brothers.

Oito anos depois da primeira luta, o lutador de 31 anos tem 15 vitórias e 5 derrotas na carreira profissional, Ekson já competiu em vários estados do país. Aos poucos ele vai realizando seu sonho, o lutador já competiu em eventos em Portugal e na África do Sul, neste último país o potiguar tem contrato fechado com uma organização, a EFC Worldwide.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - [email protected]
Comercial: (84) 98117-1718 - [email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.