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Crime
RN acorda com ataques do “novo cangaço”
Grupo criminoso invade a cidade de São Paulo do Potengi e explode agências bancárias. No mesmo dia, Polícia Federal prende integrantes de facção que tem como alvo carros-fortes
Anderson Barbosa
15/10/2020 | 08:00

A quarta-feira 14 começou como há muito não se via no Rio Grande do Norte. De um lado, a volta do novo cangaço, com a ação de bandidos especializados em arrombamento de bancos. Uma cidade foi invadida, agências atacadas, delegacia e base da PM metralhadas. Do outro, operações policiais de combate ao crime organizado, em especial a uma célula do PCC que atua no estado e que tinha como alvo carros-fortes. Doze suspeitos foram presos, entre eles um candidato a vereador.

Ainda era madrugada quando população de São Paulo do Potengi foi despertada. Tiros de fuzis disparados pelas ruas da cidade e nas paredes do prédio onde funcionam a Delegacia da Polícia Civil e a base da Polícia Militar não deixaram mais ninguém dormir. Enquanto parte do bando distribuía balas, outra parte da quadrilha atacava o Banco do Brasil e o Bradesco. Vidraças foram estilhaçadas e caixas eletrônicos arrombados.

Segundo a Delegacia Especializada de Investigação e Combate ao Crime Organizado (DEICOR), ainda não se sabe se o bando conseguiu levar dinheiro dos dois bancos atacados.

A última ação do chamado novo cangaço no interior do RN havia acontecido em fevereiro, quando uma quadrilha atacou a agência de Campo Grande, na região Oeste do estado.

Cangaceiros na mira da polícia

Na semana passada, uma quadrilha com 9 pessoas foi presa. Dentre os detidos, Erasmo Carlos da Silva Fernandes, de 38 anos, mais conhecido como “Palmeirense”. Segundo o delegado Erick Gome, titular da DEICOR, ele é um dos chefes da facção criminosa Sindicato do RN e membro no novo cangaço, tendo participado dos ataques aos bancos de Umarizal (31 de janeiro) e Campo Grande (28 de fevereiro), ambos no Oeste do estado, e em Coremas, na Paraíba, em 16 de setembro.

No Rio Grande do Norte, três criminosos considerados de alta periculosidade estão na mira da Deicor, que não descarta a participação deles nos ataques ocorridos em São Paulo do Potengi. Os nomes dos suspeitos são mantidos em sigilo.

Operação Sombra prende candidato a vereador suspeito de atacar carros-fortes

Enquanto a bandidagem fazia a festa em São Paulo do Potengi, a Polícia Federal agia na região Seridó. A missão foi cumprir mandados de prisão e de busca e apreensão contra um grupo suspeito de atacar carros-fortes. Cinco pessoas foram presas, entre elas o candidato Jovani Medeiros de Araújo, de 35 anos, que disputa a eleição deste ano para o cargo de vereador pelo PL na cidade de Ipueira. Com ele, foram apreendidas duas armas de fogo.

Ao Agora RN, o Partido Liberal disse que não irá se manifestar sobre o ocorrido. Mandados também foram cumpridos na cidade de Caicó. Cerca de 30 policiais federais participaram da ação, denominada 2ª fase da Operação Sombra.

Segundo a Polícia Federal, as investigações vem sendo desenvolvidas ao longo dos últimos 12 meses e apuram um total de seis ocorrências de ataques a carros-fortes ocorridos entre junho de 2018 e julho de 2019.

Os suspeitos presos serão indiciados pelos delitos de organização criminosa, roubo qualificado e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. O nome da operação Sombra remete a uma propriedade rural encravada no município de Jardim do Seridó, em local bem próximo de onde ocorreu um dos ataques.

Célula do PCC é desbaratada no Alto Oeste potiguar

A Polícia Federal também atuou em conjunto com o Ministério Público Estadual e a Polícia Militar em duas operações deflagradas nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira 14. As ações, simultâneas, aconteceram nas cidades de Pau dos Ferros e São Francisco do Oeste, no Alto Oeste potiguar. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão, além de outros nove de busca e apreensão. O objetivo foi desarticular uma célula de liderança de uma facção criminosa paulista no estado, o Primeiro Comando da Capital (PCC).

As operações foram batizadas de Barrito e Argos. Barrito é o som emitido pelos elefantes, em uma referência à região onde ficam as cidades-alvo da ação, conhecida como “Tromba do Elefante”. Argos, na mitologia grega, era um gigante que tinha 100 olhos. As investigações do MPRN e da Força-Tarefa de Combate ao Crime Organizado (FT-NUDEM), coordenada pela Polícia Federal e composta por policiais federais, policiais civis, policiais militares e policiais penais federais, foram iniciadas em 2019.

O objetivo era para apurar os possíveis cometimentos dos crimes de organização criminosa, porte e posse ilegal de armamentos, tráfico de drogas, associação para o tráfico e pistolagem.

Os mandados de prisão e de busca e apreensão foram expedidos em desfavor de pessoas envolvidas diretamente nas atividades da organização e chefias da facção. Entre os investigados há lideranças estaduais do Primeiro Comando da Capital.

Comunicação ativa, novos cadastros e pagamento de mensalidade

Ainda segundo as investigações, integrantes do PCC no Rio Grande do Norte mantinham intensa comunicação (em conversas via conferência) com lideranças de outros estados, nas quais realizavam cadastros de novos membros e cobravam pagamento de valores em benefício da organização criminosa, que a facção chama de “rifa”.

Os chefes da organização, que se encontram presos, determinavam ordens que deveriam ser cumpridas por membros da facção que estão fora das cadeias, como roubos, homicídios e tráfico de drogas. As ordens eram executadas por membros da denominada “linha de frente” da facção.

Os presos possuem antecedentes criminais. Alguns deles, inclusive, se encontravam foragidos da Justiça. Durante o cumprimento dos mandados, foram apreendidos armas, drogas, munições, dinheiro fracionado e um caderno com anotações referentes à facção.

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