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Mundo

Reino Unido proíbe cigarro a jovens

Projeto aprovado no Parlamento do Reino Unido cria restrição gradual à venda de tabaco para pessoas nascidas a partir de 2009, mirando uma geração livre do fumo
Por O Correio de Hoje
23/04/2026 | 13:18

O Parlamento do Reino Unido aprovou um projeto de lei que estabelece uma restrição progressiva à venda de produtos relacionados ao tabaco, incluindo cigarros tradicionais e dispositivos eletrônicos, para pessoas nascidas a partir de 2009. A proposta, considerada uma das mais rigorosas já adotadas no país, tem como objetivo impedir que essa parcela da população tenha acesso legal a esses produtos ao longo da vida. O texto ainda depende de sanção para entrar em vigor.


A medida foi descrita como um marco na política de saúde pública britânica. O ministro da Saúde, Wes Streeting, classificou a iniciativa como um avanço significativo ao afirmar que se trata de um “momento histórico” capaz de levar à formação da “primeira geração livre de fumaça, protegida por toda a vida do vício e dos danos”. A proposta segue uma estratégia de longo prazo, que busca reduzir de forma contínua o número de fumantes no país.

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Projeto aprovado no Reino Unido proíbe venda de cigarros para nascidos a partir de 2009 Foto: José Aldenir / O Correio de Hoje


Pelas regras aprovadas, a idade mínima para compra de produtos derivados do tabaco será elevada gradualmente, ano após ano. Na prática, isso significa que indivíduos que atualmente têm menos de 17 anos nunca poderão adquirir legalmente esses itens. A legislação também prevê o endurecimento de normas sobre sabores, embalagens e publicidade, com foco na redução do apelo entre jovens.


Além da proibição, o projeto integra um conjunto mais amplo de medidas voltadas ao combate ao tabagismo. Entre elas, está a ampliação das restrições ao uso de cigarros eletrônicos, especialmente em ambientes frequentados por menores. Espaços internos como escolas, hospitais e outros locais públicos poderão ter regras mais rígidas, com o objetivo de limitar a exposição ao consumo.


O impacto do tabagismo no sistema de saúde britânico é um dos principais argumentos que sustentam a proposta. De acordo com dados do NHS, o sistema público de saúde do Reino Unido, o fumo está associado a cerca de 75 mil mortes por ano no país e representa aproximadamente um quarto de todos os óbitos por câncer. Os custos relacionados ao tratamento de doenças ligadas ao tabaco também pressionam os cofres públicos.


A legislação também dialoga com a crescente popularização dos cigarros eletrônicos. Embora inicialmente vistos como alternativa menos nociva, esses dispositivos vêm ganhando espaço entre jovens. Relatórios recentes apontam que cerca de 10% dos adultos utilizam vape, o equivalente a aproximadamente 5,4 milhões de pessoas. O aumento no consumo diário e a adesão entre adolescentes têm gerado preocupação entre autoridades de saúde.


Estudos indicam ainda que muitos usuários de cigarros eletrônicos acabam mantendo o uso concomitante com o cigarro tradicional, em vez de substituí-lo completamente. Esse comportamento reforça o alerta de especialistas de que o vape não necessariamente reduz os danos associados ao tabagismo. Há também indícios de que uma parcela significativa dos usuários nunca havia fumado antes de iniciar o consumo de dispositivos eletrônicos.


Entre adultos, a tendência geral aponta para uma redução gradual no número de fumantes tradicionais. Segundo levantamento do Instituto Nacional de Estatísticas britânico, a proporção de adultos fumantes caiu para cerca de 12%, mantendo uma trajetória de queda observada desde a década passada. Ainda assim, o ritmo dessa redução desacelerou nos últimos anos, o que reforça a necessidade de novas políticas públicas.


O projeto aprovado no Parlamento busca justamente acelerar esse processo, combinando restrições legais com ações de prevenção. A expectativa do governo é que, ao impedir o acesso das novas gerações, o tabagismo deixe de ser um hábito socialmente difundido no futuro. A proposta também segue tendências internacionais: países como Nova Zelândia já adotaram iniciativas semelhantes, embora com ajustes recentes em suas políticas.


Se sancionada, a nova legislação colocará o Reino Unido entre os países com as regras mais duras do mundo no controle do tabaco. A iniciativa representa uma mudança estrutural na forma de lidar com o consumo, priorizando a prevenção desde a base etária e apostando em efeitos de longo prazo para a saúde pública.