BUSCAR
BUSCAR
Energia

Conta de luz sobe e pressiona RN

Reajuste de 5,4% no Rio Grande do Norte integra alta nacional e reforça impacto da energia sobre inflação e orçamento das famílias
Por Elias Luz, O Correio de Hoje
23/04/2026 | 14:12

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou reajustes tarifários para distribuidoras que atendem nove Estados, com impactos diretos sobre quase 50 milhões de consumidores. No Rio Grande do Norte, o aumento médio será de 5,4% nas contas de energia, atingindo mais de 1,6 milhão de clientes da Neoenergia Cosern e reforçando a pressão sobre o custo de vida em 2026 .


O reajuste potiguar acompanha uma tendência nacional de elevação das tarifas, com alta média estimada em cerca de 8% neste ano, acima da inflação projetada de aproximadamente 4,8%, segundo o Boletim Focus do Banco Central. A energia elétrica segue como um dos principais vetores de pressão inflacionária, com impacto direto no orçamento das famílias e nos custos de produção das empresas .

subestação
Aumento das tarifas de energia, anunciado pela Aneel, atinge potiguares de todas as camadas sociais e empresas Foto: José Aldenir / O Correio de Hoje


No caso do Rio Grande do Norte, o efeito médio para consumidores de baixa tensão, que incluem residências, será de 3,74%, enquanto clientes de alta tensão, como indústrias e grandes comércios, terão aumento médio de 10,9%. Os novos valores passam a ser percebidos nas contas a partir de maio, após vigência das tarifas definidas pela agência reguladora .


A composição do reajuste reflete principalmente custos com geração e transmissão de energia, responsáveis por 2,56 pontos percentuais do índice, além de encargos setoriais, que contribuíram com 1,73 ponto. Componentes financeiros adicionaram 1,95 ponto percentual ao cálculo final. Ainda assim, a parcela destinada diretamente à distribuidora representa menos de um terço da tarifa total, ficando em 28,38% do valor pago pelos consumidores .


Para conter aumentos mais expressivos, a distribuidora utilizou o mecanismo de diferimento, que permite suavizar o reajuste atual ao transferir parte dos custos para ciclos tarifários futuros. A medida, no entanto, tende a postergar pressões adicionais sobre as contas de energia nos próximos anos .


O cenário de alta também está associado ao aumento de subsídios no setor elétrico, financiados pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que deve alcançar R$ 47,8 bilhões em 2026 — avanço de 17,7% em relação ao ano anterior. Esses custos são repassados aos consumidores por meio das tarifas, ampliando o peso estrutural da energia no orçamento nacional .


Em âmbito federal, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a avaliar alternativas, como a contratação de empréstimos para mitigar o impacto imediato dos reajustes, mas a proposta foi descartada. A equipe econômica agora busca medidas para reduzir os efeitos da alta, em um contexto de maior uso de usinas térmicas e encarecimento da geração de energia no País .


Com histórico recente de forte elevação — a energia residencial subiu 12,31% em 2025, segundo o IBGE —, o novo ciclo tarifário reforça o papel da conta de luz como um dos principais componentes de pressão inflacionária no Brasil e, especialmente, no Rio Grande do Norte.