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Infância

Especialistas defendem limites firmes para uso de telas na infância

Especialistas alertam para impactos do uso excessivo de telas na infância e defendem limites claros no ambiente familiar
Por O Correio de Hoje
23/04/2026 | 13:34

O avanço do uso de dispositivos digitais entre crianças e adolescentes tem gerado preocupação crescente entre especialistas em saúde e educação. Em meio a esse cenário, o pediatra Daniel Becker e o educador Ian Brennan discutem os impactos da exposição excessiva às telas e orientam famílias sobre como estabelecer limites mais saudáveis. Os dois são autores do livro A infância sequestrada pelas telas, que aborda o tema sob a perspectiva do desenvolvimento infantil.


Segundo os especialistas, o uso intensivo de celulares, tablets e computadores está diretamente relacionado a alterações no comportamento, no sono e na capacidade de concentração. Eles defendem que a mediação dos pais é fundamental para evitar prejuízos a longo prazo, especialmente durante a infância, período considerado decisivo para o desenvolvimento cognitivo e emocional.

daniel becker
Pediatra Daniel Becker debate uso de telas Foto: Reprodução


Um dos principais pontos levantados é a dificuldade enfrentada por muitos responsáveis ao impor regras. Para Becker e Brennan, a insegurança diante da possível reação dos filhos não deve impedir a adoção de limites claros. “É importante que pais sustentem o limite sem medo da reação do filho”, afirmam. A orientação é que as regras sejam consistentes e mantidas ao longo do tempo, evitando concessões frequentes que possam enfraquecer a autoridade dos responsáveis.


Os autores destacam que o problema não está apenas na quantidade de tempo de exposição, mas também no tipo de conteúdo consumido. Plataformas digitais são projetadas para prender a atenção, o que pode levar a um uso compulsivo. Além disso, o acesso precoce e sem supervisão pode expor crianças a conteúdos inadequados para a faixa etária.


A rotina familiar também é impactada pelo uso excessivo de telas. Atividades como leitura, brincadeiras ao ar livre e interação social tendem a ser substituídas pelo tempo diante de dispositivos eletrônicos. Esse deslocamento pode comprometer o desenvolvimento de habilidades importantes, como linguagem, criatividade e capacidade de lidar com frustrações.


Outro aspecto abordado pelos especialistas é a influência do comportamento dos próprios adultos. Crianças tendem a reproduzir hábitos observados dentro de casa, o que inclui o uso frequente de celulares. Por isso, os autores defendem que os pais também revisem sua relação com a tecnologia, adotando práticas mais equilibradas no dia a dia.


O livro também propõe estratégias práticas para reduzir o tempo de tela. Entre elas, a criação de rotinas bem definidas, o estabelecimento de horários sem uso de dispositivos e a oferta de alternativas de lazer fora do ambiente digital. A participação ativa dos pais nesse processo é apontada como essencial para o sucesso das mudanças.


Além disso, os especialistas ressaltam a importância de diálogo constante com crianças e adolescentes. Explicar os motivos das restrições e envolver os filhos na construção de regras pode facilitar a aceitação e reduzir conflitos dentro de casa.
O debate sobre o uso de telas na infância ganha relevância em um contexto em que a tecnologia está cada vez mais presente no cotidiano. Para Becker e Brennan, o desafio não é eliminar o uso de dispositivos, mas encontrar um equilíbrio que permita aproveitar seus benefícios sem comprometer o desenvolvimento saudável.


A discussão proposta pelos autores reforça a necessidade de um olhar mais atento para os hábitos digitais das novas gerações. Em um ambiente onde o acesso à tecnologia é praticamente inevitável, o papel da família se torna central na construção de limites e na promoção de uma relação mais consciente com o mundo digital.