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Saúde

Reino Unido endurece combate ao cigarro

Reino Unido aprova lei histórica que restringe venda de cigarros para futuras gerações
Por O Correio de Hoje
12/05/2026 | 12:26

O Reino Unido voltou ao centro do debate internacional sobre controle do tabagismo após aprovar uma das legislações mais rígidas do mundo contra o consumo de cigarros. A nova lei estabelece uma proibição gradual da venda de produtos derivados do tabaco para futuras gerações, numa tentativa de reduzir mortes associadas ao fumo e diminuir os custos do sistema público de saúde.

A proposta prevê que pessoas nascidas a partir de determinada data nunca possam comprar legalmente cigarros no país. A cada ano, a idade mínima para aquisição de produtos de tabaco será elevada progressivamente, criando uma geração que ficará permanentemente impedida de adquirir cigarros de forma legal.

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OMS estima milhões de mortes anuais ligadas ao consumo de tabaco em todo o mundo Foto: FreePik

Além das restrições ao tabaco tradicional, a legislação também endurece regras sobre cigarros eletrônicos e produtos de vape, principalmente em relação ao acesso de crianças e adolescentes. O governo britânico prevê limites para sabores, embalagens e publicidade, numa tentativa de reduzir a atratividade desses produtos entre os mais jovens.

A discussão ocorre em meio à preocupação crescente de autoridades sanitárias com o aumento do uso de dispositivos eletrônicos de fumar. Dados recentes mostram expansão acelerada do consumo de vapes entre adolescentes em vários países, inclusive entre jovens que nunca haviam fumado cigarros convencionais.

Segundo especialistas, o tabagismo continua sendo uma das principais causas evitáveis de morte no mundo. O hábito está relacionado a doenças cardiovasculares, cânceres, problemas respiratórios crônicos e diversas outras complicações de saúde pública.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência do consumo de tabaco ou da exposição à fumaça. Mesmo com a queda gradual do número de fumantes em diversos países nas últimas décadas, autoridades sanitárias avaliam que o avanço dos cigarros eletrônicos criou um novo desafio regulatório.

Para defensores da nova lei britânica, a medida pode acelerar a redução do número de fumantes e impedir que novas gerações desenvolvam dependência da nicotina. “O espaço para debate existe, mas é muito distinto. É um desafio proibido algo”, afirmou Ann McKie, médica e vice-presidente da ACT Promoção da Saúde.

Ela argumenta que o tabaco continua sendo um produto altamente nocivo e que políticas públicas mais rígidas são necessárias para conter o avanço do consumo entre jovens. O Reino Unido já vinha adotando medidas restritivas ao tabagismo nas últimas décadas, incluindo aumento de impostos, limitação de propaganda, advertências sanitárias nas embalagens e proibição de fumar em ambientes fechados. As ações ajudaram a reduzir significativamente o percentual de fumantes no país ao longo dos últimos anos.

Mesmo assim, especialistas apontam que o debate sobre proibição total ou gradual do cigarro ainda divide opiniões. Parte da comunidade médica e pesquisadores defendem que políticas restritivas podem gerar efeitos colaterais, como fortalecimento do mercado ilegal de cigarros.

“Nosso contexto é muito diferente. O espaço para debate existe, mas é muito distinto. Em países onde o cigarro ilegal já é muito presente, o risco de fortalecimento do mercado clandestino precisa ser considerado”, alertou uma das especialistas ouvidas na reportagem. Outro ponto levantado por críticos da medida é a possibilidade de aumento do consumo de produtos não regulamentados, sem controle sanitário adequado. Segundo especialistas, isso pode dificultar ações de fiscalização e ampliar riscos à saúde.

Ainda assim, defensores da proposta argumentam que a experiência britânica poderá servir de referência para outros países interessados em endurecer regras contra o tabagismo.

Nos últimos anos, governos de diferentes regiões passaram a discutir restrições mais severas para cigarros eletrônicos, principalmente após estudos apontarem crescimento acelerado do consumo entre adolescentes.

Especialistas ressaltam que, embora muitos fabricantes apresentem os vapes como alternativa menos nociva ao cigarro convencional, ainda existem dúvidas sobre impactos de longo prazo desses dispositivos na saúde. O debate também envolve aspectos econômicos e sociais.