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Economia

Inflação desacelera, mas segue pressionada por alimentos

Inflação desacelera em abril, mas alimentos e combustíveis seguem pressionando preços
Por O Correio de Hoje
12/05/2026 | 13:07

A inflação oficial do Brasil perdeu força em abril, mas seguiu pressionada pelos preços de alimentos e combustíveis em meio aos efeitos da guerra no Irã sobre os custos internacionais de energia. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,67% no mês, após alta de 0,88% em março, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

O resultado veio em linha com a mediana das projeções do mercado financeiro e representou a maior taxa para meses de abril desde 2022, quando o índice havia alcançado 1,06%. No acumulado de 12 meses, a inflação acelerou para 4,39%, acima dos 4,14% registrados anteriormente e mais próxima do teto de 4,5% da meta perseguida continuamente pelo Banco Central do Brasil.

Preços Cesta Básica (100)
IPCA sobe 0,67% em abril, mantém alimentos e combustíveis no centro das pressões Foto: José Aldenir

O grupo alimentação e bebidas voltou a liderar as pressões inflacionárias, com alta de 1,34% no mês e impacto de 0,29 ponto percentual no IPCA. Embora o avanço tenha sido menor do que o observado em março, quando o segmento subiu 1,56%, o grupo permaneceu como principal vetor de pressão sobre o índice.

Na sequência apareceu o segmento de saúde e cuidados pessoais, que registrou alta de 1,16% e respondeu por 0,16 ponto percentual do IPCA. Juntos, os dois grupos concentraram cerca de 67% da inflação de abril.

Dentro da alimentação no domicílio, o destaque ficou para a alta de produtos básicos. A cenoura avançou 26,63%, enquanto o leite longa vida subiu 13,66%. Também registraram aumentos relevantes a cebola (11,76%), o tomate (6,13%) e as carnes (1,59%). Entre os recuos, o IBGE apontou queda no café moído (-2,3%) e no frango em pedaços (-2,14%).

A alimentação fora do domicílio também permaneceu em alta, com avanço de 0,59% em bares e restaurantes. Segundo o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, a redução da oferta de alguns alimentos neste período do ano e o aumento dos custos logísticos após a disparada do óleo diesel ajudaram a manter os preços pressionados.

O diesel subiu 4,46% em abril, após ter avançado 13,9% em março, em meio aos reflexos da guerra no Irã sobre o mercado internacional de petróleo. Entre os itens individuais, a maior pressão sobre o índice veio da gasolina, que teve impacto de 0,10 ponto percentual após alta de 1,86% no mês.

O comportamento da inflação ocorre em um momento delicado para a política monetária. Antes da escalada das tensões no Oriente Médio, o Banco Central havia iniciado um ciclo de cortes da taxa Selic, reduzida para 14,5% ao ano em abril. O conflito, porém, elevou as incertezas sobre a duração e a intensidade do afrouxamento monetário.

O cenário também ampliou as preocupações do mercado com as expectativas inflacionárias para 2026. Segundo o boletim Focus divulgado pelo Banco Central, a mediana das projeções para o IPCA do próximo ano subiu pela nona semana consecutiva, alcançando 4,91%, acima do teto da meta oficial.

A persistência da inflação em níveis elevados aumenta a pressão sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um período de preparação para o calendário eleitoral. Após o início da guerra no Irã, o Executivo lançou medidas para tentar conter parte da alta dos combustíveis e reduzir impactos sobre o consumo das famílias.