A União Europeia aprovou nesta segunda-feira 11, um novo pacote de sanções contra colonos israelenses acusados de envolvimento em atos de violência contra civis palestinos na Cisjordânia, em uma decisão vista como marco na deterioração das relações entre o bloco e o governo de Benjamin Netanyahu.
A medida foi aprovada por unanimidade pelos ministros das Relações Exteriores da UE e ganhou força após a saída do ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, um dos principais aliados de Israel na Europa e responsável, nos últimos anos, por bloquear iniciativas semelhantes por meio do poder de veto exercido pela Hungria dentro do bloco.

Segundo o jornal israelense Haaretz, a lista de sancionados inclui organizações ultranacionalistas como a Regavim, ligada politicamente ao ministro israelense Bezalel Smotrich, defensor da expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia. Além de entidades israelenses, o pacote também inclui lideranças do Hamas, exigência feita por alguns governos europeus para apoiar a medida.
“Já era hora de sairmos do impasse e partirmos para a ação. Extremismos e violência têm consequências”, escreveu a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, em publicação na rede X.
A reação do governo israelense foi imediata. O chanceler Gideon Sa’ar acusou a UE de agir contra cidadãos israelenses “devido às suas opiniões políticas e sem qualquer fundamento”. Já Smotrich pediu que Netanyahu acelere planos de anexação de territórios palestinos como resposta à decisão europeia. O ministro Itamar Ben-Gvir classificou o bloco como “antissemita”.
Embora parte dos críticos considere as medidas insuficientes, o movimento simboliza uma mudança gradual no posicionamento europeu diante da guerra em Gaza e da expansão dos assentamentos israelenses. “Agora a discussão sobre influência e pressão voltou à mesa”, afirmou Martin Konený, diretor do Projeto Europeu para o Oriente Médio, em Bruxelas, ao jornal britânico Guardian.
A pressão política sobre Israel aumentou significativamente desde o início da guerra desencadeada após os ataques do Hamas em outubro de 2023. As imagens da destruição na Faixa de Gaza e o número crescente de vítimas civis ampliaram o desgaste da imagem israelense na Europa. Segundo dados citados no texto, mais de 70 mil pessoas morreram no conflito, enquanto ao menos quatro países europeus aderiram à ação movida pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça.
Pesquisas recentes apontam deterioração inédita da percepção pública sobre Israel no continente. Levantamento do Pew Research Center mostrou que mais de 60% dos entrevistados em oito países europeus têm opinião desfavorável sobre Israel. Outra pesquisa, realizada pela YouGov, indicou níveis recordes de desaprovação ao país.
A violência na Cisjordânia também contribuiu para o endurecimento europeu. Segundo o Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários, 1.091 palestinos morreram na região entre outubro de 2023 e maio deste ano. Dados da organização Acled registraram aumento dos ataques em 29 áreas da Cisjordânia após o início da ofensiva israelense contra o Irã.
A pressão sobre Israel passou a se refletir também em áreas culturais e esportivas. Países como Islândia, Irlanda, Holanda, Eslovênia e Espanha anunciaram boicote ao Festival Eurovisão da Canção em protesto contra a participação israelense. Na Bienal de Veneza, artistas e delegações realizaram manifestações pró-Palestina e pediram a exclusão de Israel do evento.
No esporte, cresce a pressão sobre a Uefa e a Fifa para suspender clubes e seleções israelenses de competições internacionais. Em março, a Fifa rejeitou pedido da Federação Palestina de Futebol para excluir equipes ligadas a assentamentos na Cisjordânia, mas aplicou multa à federação israelense por violações relacionadas à discriminação.