O custo da construção civil voltou a acelerar no Rio Grande do Norte em abril e registrou uma das maiores altas do País no período, segundo dados do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), divulgados nesta terça-feira 12, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O preço médio do metro quadrado no estado subiu 1,22% no mês, alcançando R$ 1.808,67.
O avanço ficou 0,86 ponto percentual acima da taxa registrada em março, quando o indicador havia avançado 0,36%. O desempenho colocou o Rio Grande do Norte com a segunda maior alta da Região Nordeste e a quarta maior do Brasil em abril. No mesmo mês do ano passado, a variação havia sido de apenas 0,08%.

Com o novo resultado, o custo da construção no estado acumula alta de 3,38% nos quatro primeiros meses de 2026. Em 12 meses, o avanço chegou a 5,50%, refletindo tanto o encarecimento de materiais quanto a pressão gradual sobre a mão de obra do setor.
Segundo o levantamento, a parcela referente aos materiais de construção atingiu R$ 1.079,51 por metro quadrado no estado. Já os custos com mão de obra chegaram a R$ 729,16, valor que mantém o Rio Grande do Norte entre os menores custos trabalhistas do país no segmento, ocupando a quinta posição nacional entre os mais baixos.
O Sinapi é utilizado como referência para elaboração de orçamentos e atualização de contratos de obras públicas e privadas, além de servir como parâmetro para planejamento de investimentos em habitação, infraestrutura e saneamento. O sistema é produzido em parceria entre o IBGE e a Caixa Econômica Federal.
No cenário nacional, o Índice Nacional da Construção Civil avançou 0,72% em abril, acima dos 0,37% registrados em março. O custo médio nacional do metro quadrado passou de R$ 1.932,27 para R$ 1.946,09 no período.
Do total nacional, R$ 1.098,80 correspondem aos materiais de construção e R$ 847,29 à mão de obra. O componente de materiais apresentou alta de 0,83% no mês, enquanto os custos trabalhistas subiram 0,57%, influenciados por reajustes salariais observados em diferentes regiões do país.
Segundo o gerente da pesquisa, Augusto Oliveira, a taxa registrada em abril foi uma das mais elevadas para o período nos últimos anos. “A taxa registrada em abril de 2026 é a terceira maior desde 2005 para o mês, considerando que nos anos de 2021 e 2022 as variações captadas estavam sob influência da Covid-19”, afirmou.
O comportamento do setor reflete um ambiente de custos ainda pressionados, mesmo após a desaceleração da inflação em alguns segmentos da economia. O aumento acumulado em 12 meses da mão de obra nacional chegou a 9,77%, acima da alta de 4,99% registrada pelos materiais de construção.
O avanço dos custos ocorre em um momento de retomada gradual de obras públicas e privadas, impulsionadas por investimentos habitacionais e projetos de infraestrutura. No Rio Grande do Norte, a aceleração do indicador tende a impactar tanto novos empreendimentos imobiliários quanto contratos já em andamento, especialmente em obras financiadas pelo setor público.