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Eleições 2020
“Quando Natal souber quem é Álvaro, ele derrete nas pesquisas”, dispara Kelps
Candidato do Solidariedade à Prefeitura do Natal, deputado estadual Kelps Lima afirma que atual prefeito de Natal, Álvaro Dias, não vai resistir à campanha eleitoral e será derrotado em novembro
Redação
05/09/2020 | 10:19

O deputado estadual Kelps Lima agora é oficialmente candidato à Prefeitura do Natal nas eleições de 2020. Esta semana, o parlamentar teve a candidatura homologada na convenção do Solidariedade – que confirmou, ainda, 44 candidatos para vereador.

Exercendo o terceiro mandato como deputado na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Kelps será candidato a prefeito de Natal pela segunda vez consecutiva. Na primeira, em 2016, ele terminou a disputa em 2º lugar.

Nesta entrevista ao Agora RN, Kelps Lima fala sobre o projeto que pretende apresentar a Natal e faz duras críticas ao prefeito Álvaro Dias.

Segundo o candidato do Solidariedade, o atual prefeito – que será candidato à reeleição – pratica o que ele chama de “coronelismo” e foi “forjado na política antiga da troca de espaços na máquina pública por votos”.

Confira:

AGORA RN Na eleição passada, o senhor foi para a eleição “com o celular na mão” e uma ideia na cabeça. Vai repetir a fórmula em 2020?

KELPS LIMA – O celular na mão não nasceu de uma peça de marketing inventada. Nasceu como tudo na vida: da necessidade de sobrevivência. Quem tem menos estrutura precisa ser criativo, ou não escapa nesse mundo de dificuldades.

Uma campanha eleitoral é uma agenda de ações e de cumprimento de metas. Uma das metas era levar nossa mensagem a mais e mais pessoas. Não tínhamos, como não temos até hoje, dinheiro para gastos milionários com produtoras caríssimas, que estavam acostumadas a cuidar de campanhas pesadas das oligarquias.

Hoje em dia, os jornalistas da GloboNews fazem matérias usando o celular. Nós enxergamos isso há anos. Deu certo. Acabou, também, virando um pedaço importante da comunicação da nossa campanha: com um celular na mão e um desejo no coração.

AGORA RN – Por que disputar novamente a Prefeitura do Natal?

KL – Depois do fim da ditatura, Natal nunca teve um prefeito fora das oligarquias. Alguém que conheça a cidade por inteiro, que já tenha usado os serviços públicos municipais (ônibus, posto de saúde).

Um especialista em gestão pública. O resultado disso é que todos os prefeitos eleitos de 1985 para cá, após as eleições, colocaram parentes na política logo após tomarem posse. Desde Garibaldi Alves Filho, que colocou “Valtinho”; de Vilma, que colocou Márcia Maia; até o atual, Álvaro Dias, que colocou o filho, Adjuto Dias, para ser candidato em 2018.

A gente precisa de alguém com um olhar novo para a cidade. Que conheça sua alma, sua gente. Hoje a máquina pública virou orçamento de manutenção de um pequeno grupo que há décadas vive o melhor que há em Natal enquanto a maioria da população sofre nas ruas.

Nasci no Alecrim, me criei em Dix-Sept Rosado, circulando pela Cidade da Esperança, Nazaré. Alguém como eu pode mudar esse eixo da política de Natal ou a gente terá sempre uma Natal só para os ricos que tem relação próxima com o poder público enquanto nós, os filhos de pobres, ficamos só com o sobejo.

AGORA RN – O que mudou em Natal de 2016 para 2020?

KL – Natal ficou pior. Agora ela está uma cidade mais cara, com aumento de IPTU todos os anos, enquanto os serviços públicos diminuíram. As linhas de ônibus diminuíram, mas as passagens aumentaram. Os empregos foram embora, muitas lojas fecharam. Em alguns setores, se transformou quase numa cidade fantasma, onde a gente só vê placas de vende-se e aluga-se.

AGORA RN – O atual prefeito, Álvaro Dias, superou Carlos Eduardo Alves em algum sentido?

KL – Não troco um pelo outro. Não tenho nada de pessoal contra nenhum dos dois. Mas, politicamente, a visão deles é um obstáculo para Natal brilhar.

São homens forjados na política antiga da troca de espaços na máquina pública por votos, no coronelismo do século passado, na subserviência social da população ao grupo formado por algumas famílias políticas. Isso não faz mais sentido no mundo moderno de inclusão social que vivemos hoje.

Natal tem uma multidão de excluídos que precisa ser resgatada. Carlos Eduardo e Álvaro Dias são tijolos de um muro pesado de centralização de poder que atrapalha essa inclusão social em uma escala gigantesca. Eles precisam ser substituídos rapidamente. Eles e as mentalidades que os cercam.

AGORA RN – A quê o senhor atribui a posição atual de Álvaro Dias, de liderança, nas pesquisas? KL –

Álvaro é o único candidato a prefeito de Natal nos veículos de comunicação de massa desde o início de 2019. Só ele teve espaço de mídia. A partir de agora mudou. Os outros vão poder falar e revelar para a cidade quem é o verdadeiro Álvaro Dias. A partir de agora ele vai começar a derreter.

AGORA RN – Quais serão suas prioridades, caso seja eleito prefeito?

KL – Acabar com a politicagem na máquina pública e profissionalizar a gestão. Finalizar os vícios que tornaram a Prefeitura do Natal um organismo atrasado. Vamos começar a dar um banho de tecnologia nos serviços.

Hoje pode-se pagar imposto pela internet, mas não se pode marcar uma consulta no posto de saúde. Na cabeça dos políticos antigos, tradicionais, a máquina é uma forma de sugar da população tudo o que ela puder pagar, enquanto oferecer serviços públicos de qualidade está em segundo plano.

AGORA RN – O que faria de diferente dos últimos gestores da cidade?

KL – Tudo. Primeiro, não indicaria gente sem o mínimo de competência técnica para cargos importantes da máquina só porque é amigo político. Depois, não contrataria parentes, para dar o exemplo do processo de impessoalidade na máquina pública que a gestão precisa urgentemente.

E não pagaria R$ 350 mil a um artista de fora para tocar uma hora e meia de show enquanto o cachê dos músicos locais, os artistas da terra, fica atrasado por longos anos.

AGORA RN – Se fosse prefeito, o senhor enviaria o Plano Diretor para votação este ano? Qual a importância desse projeto?

KL – O Plano Diretor é como o manual de instruções de uma cidade. Quando você compra um eletrodoméstico, tudo o que você precisa saber para utilizar o equipamento com qualidade e segurança está no manual de instruções.

O Plano Diretor de Natal é mais ou menos isso e ele precisa ser atualizado continuamente, a partir das necessidades da cidade. Eu acho que Natal travou por causa de alguns radicais ambientais e a cidade precisa se livrar desse radicalismo para poder gerar empregos a partir de suas riquezas, pois tem muita gente precisando de emprego e renda na cidade.

AGORA RN – Como o senhor avalia a demora na realização da licitação do sistema de transportes?

KL – Carlos Eduardo e Álvaro Dias não sabem fazer a licitação. Eu sei fazer. Sou especialista nas duas pontas do processo. Tenho mestrado na UFRN na área de transporte e andei de ônibus muito nesta vida. Faço a licitação no primeiro ano de gestão.

AGORA RN – Como o senhor avalia a atual política na área do turismo?

KL – Deus deu a Natal uma natureza sensacional. Ar puro, praias com águas quentes, água doce, localização privilegiada e um nome único no mundo. A classe política antiga vai conseguir destruir isso se a gente não a substituirmos.

Não há uma ação pública de qualidade feita pela prefeitura para atrair turistas para Natal. Em Santa Cruz, a prefeitura fez a imagem de uma santa, Santa Rita, e isso transformou a vida da cidade, gerando emprego para muitas pessoas.

AGORA RN – Como gerar emprego na cidade?

KL – Precisamos convencer os empreendedores que vale a pena investir em Natal. Quer mais empresas e empregos no turismo? Limpe as praias, ilumine, coloque segurança. Quer mais empregos na construção civil? Altere o Plano Diretor sem preconceito com a iniciativa privada. Quer mais empregos no comércio? Melhore o trânsito, crie estacionamentos e dê a segurança que o estabelecimento não será assaltado.

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