BUSCAR
BUSCAR
Saúde

Quais as razões para o aumento recente de casos de Covid-19 no estado? Pesquisador explica

O período de sazonalidade da doença e o descuido da população podem ser a resposta
Flávio Monteiro
14/06/2022 | 11:22

O mês de maio presenciou um aumento súbito de casos de Covid-19 em todo o estado do Rio Grande do Norte. Em um cenário que parecia controlado, o número de casos confirmados saltou de 617 em abril, para 2.098 casos em maio, um aumento superior a 200%. A escala de casos continua no mês de junho, que já soma 1.369 novos casos (até o dia 13/06) de acordo com dados da SESAP – Secretaria de Estado da Saúde Pública. Mas qual a razão desse aumento súbito?

Para Rodrigo Silva, pesquisador do LAIS – Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde da UFRN, a curva ascendente de casos era esperada, pois nos meses de inverno se tem um aumento natural das síndromes gripais, já que esse é o período de sazonalidade das doenças.

covid
Vacinação é importante para o combate ao vírus (Foto: Ney Douglas)

Além disso, o relaxamento da população perante a pandemia é um agravante, já que as pessoas parecem não se importar mais com a Covid-19. Ainda que o momento mais critico da pandemia tenha passado, e a imunização pela vacina esteja em um grau relativamente avançado, o pesquisador aponta que o relaxamento agudo das pessoas faz com que o vírus continue circulando. Rodrigo também chama a atenção para indivíduos que manifestam sintomas do vírus e não se dispõem a fazer testes de Covid-19 ou se colocar em quarentena, apontando que “esses são alguns dos motivos que levam a gente a ter esses aumentos que estamos vendo”.

A liberação do uso de máscaras é um agravante para a alta no número de casos?

De acordo com Rodrigo Silva, não necessariamente. No momento em que houve a flexibilização do uso de máscaras, o momento em que a pandemia se encontrava no estado era bastante confortável: 90% da população estava vacinada com a segunda dose, o número de novos casos diários era pequeno e a variante predominante no estado era, apesar de contagiosa, bastante leve.

Nesse cenário, a liberação era esperada, ainda que com algumas ressalvas. Por exemplo, é imprescindível que os mecanismos de proteção continuassem sendo utilizados em ambientes não seguros, como ônibus ou trens. Nessas situações, o uso de máscaras e álcool em gel deve ser feito, para estabelecer uma barreira física contra o vírus e evitar a contaminação.

O pesquisador explica que essa recomendação, infelizmente, foi ignorada pela população, que adotou a percepção errônea de que a pandemia havia acabado. Houve um crescimento das atividades sociais em um geral, com a chegada de mais turistas na cidade, um aumento no número de festas, entre outros, que somados ao período de sazonalidade das síndromes gripais, nos trouxe até a situação atual.

Por isso, fica a recomendação: “Se você faz uso de um espaço não seguro, continue fazendo uso da máscara, do álcool em gel e do distanciamento físico, porque isso aí são barreiras mecânicas que vão te fazer dar um upgrade, digamos assim, na sua imunização, somada com a sua vacina”.

E daqui pra frente, qual a previsão para o número de casos de Covid-19?

É previsto que a alta no número de casos permaneça por um tempo, tendo em vista que ainda estamos chegando no auge do inverno no estado. Além disso, o período junino faz com que aglomerações sejam comuns, o que deve contribuir para o aumento da curva da Covid-19. Entretanto, Rodrigo Silva diz que “a subida vai ser uma subida muito menos grave, e voltaremos a normalidade logo na sequencia”, e que é importante a busca pela vacina, mais ainda do que a utilização das máscaras.

Pouco mais de metade da população tomou a terceira dose da vacina, e a quarta dose, que está liberada pelos idosos desde fevereiro, ainda não alcançou 50% do público alvo. Os dados a respeito da atual situação da pandemia da Covid-19 no estado do Rio Grande do Norte pode ser acessado em https://covid.lais.ufrn.br/.

NOTÍCIAS RELACIONADAS