A Polícia Federal planeja solicitar a inclusão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, na lista de difusão prateada da Interpol com o objetivo de rastrear e bloquear movimentações financeiras no exterior. A medida, caso formalizada, depende de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) e da cooperação de autoridades estrangeiras.
A difusão prateada é um mecanismo de cooperação internacional voltado à identificação e retenção de bens de investigados. Diferente da difusão vermelha, que tem como foco a captura de fugitivos, o dispositivo atua sobre o patrimônio. A ferramenta foi utilizada pela primeira vez no início de 2025 contra um mafioso italiano.

Segundo a apuração, a medida pode alcançar valores enviados por Vorcaro ao exterior, incluindo R$ 61 milhões repassados a um fundo nos Estados Unidos sob o pretexto de financiar o filme “Dark Horse”, que retrata a campanha de Jair Bolsonaro em 2018.
Brasil e Estados Unidos participam do programa piloto da Interpol que testa o alerta. Até o momento, a liquidante do Banco Master tenta bloquear bens ligados a Vorcaro nos Estados Unidos por meio de ações diretas na Justiça americana.
O mapeamento de contas, fundos e outros ativos no exterior é um dos pontos que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) esperam que Vorcaro apresente no acordo de delação premiada em negociação desde março. Investigadores apontam a possibilidade de existência de recursos fora do país ainda não identificados e consideram que esses valores podem ser utilizados para cobrir prejuízos relacionados a fraudes atribuídas ao banco.
Em outra frente de investigação, a Polícia Federal indicou que Vorcaro contava com um operador que utilizava uma empresa nas Ilhas Virgens para custear despesas de viagens do senador Ciro Nogueira (PP-PI) pela Europa, Estados Unidos e Caribe.
Nesta semana, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, defendeu a abertura de um novo inquérito para apurar os repasses relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”. O dinheiro foi enviado a um fundo nos Estados Unidos vinculado a um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Uma das hipóteses analisadas é o uso dos recursos para custear a permanência de Eduardo no país, o que ele nega.
Como parte dessa apuração, a Polícia Federal também avalia solicitar a quebra de sigilo bancário do fundo. O andamento do caso depende de manifestação da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal para definição do processo em que a investigação será conduzida, podendo tramitar no inquérito sobre fraudes no Banco Master, sob relatoria do ministro André Mendonça, ou no processo sobre a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro, sob responsabilidade de Alexandre de Moraes.
“Agora precisamos aguardar a decisão jurídica e dar os passos seguintes”, afirmou Andrei, em entrevista à GloboNews, na última terça-feira.
No fim de maio, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitou providências à Interpol e à direção da Polícia Federal para cooperação internacional no caso. No pedido, o parlamentar menciona a “Possibilidade de emissão de Silver Notice, Silver Difusion, alerta, difusão ou instrumento equivalente da INTERPOL para preservação, localização e identificação de ativos, documentos e informações financeiras associados às pessoas físicas e jurídicas envolvidas, caso preenchidos os requisitos jurídicos e operacionais aplicáveis”.
A difusão prateada permite a troca de informações entre países participantes para rastreamento de bens. Caso movimentações financeiras sejam identificadas em outros territórios, as autoridades locais podem comunicar o Brasil e colaborar para eventual bloqueio ou confisco dos recursos.