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Economia

Puxada por venda de óleos, exportações crescem 23,3% e RN termina 1º bimestre em superávit

Saldo foi de R$ 54,9 milhões, menor do que os R$ 72,9 milhões dos primeiros dois meses do ano passado; desconsiderando óleos, exportações teriam queda de 0,6% segundo Fiern
Karen Sousa
26/03/2024 | 07:51

Com um aumento de 23,3% nas exportações do Rio Grande do Norte em janeiro e fevereiro em comparação ao mesmo período do ano anterior, o que impulsionou o crescimento do número foram as vendas de óleos combustíveis, segundo o responsável técnico do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), Luiz Henrique Guedes.

O bimestre ainda terminou com um superávit de US$ 54,9 milhões, valor que representa a diferença entre o valor de exportações, que foi US$ 137 milhões, e o de importações, que foi de US$ 82,1 milhões. No entanto, o número que representa os dois primeiros meses de 2024 foi ainda menor que o valor do mesmo período de 2023, um superávit de US$ 72,9 milhões, US$ 17,9 milhões maior que em 2024. Os dados são do Centro Internacional de Negócios (CIN), da Fiern.

Navio originado na Rússia ficou encalhado no canal de acesso ao Porto de Natal. Foto: Ilustrativa/José Aldenir/Agora RN.
Dados da Fiern apontam que Rio Grande do Norte teve balança comercial favorável no primeiro bimestre deste ano. Foto: José Aldenir / Agora RN

Óleos combustíveis, melões, melancias, açúcar e sal foram, respectivamente, os produtos com maiores valores exportados, de acordo com uma pesquisa feita pela Fiern. Porém, se desconsiderado o valor que os óleos combustíveis representam, houve uma queda de 0,6% na soma dos outros produtos exportados pelo estado. Somente os óleos combustíveis tiveram um aumento de 111,8% em comparação com os primeiros meses de 2023, além de representarem 36,5% do total exportado pelo RN, significando um valor total de US$ 50 milhões em vendas de óleos combustíveis.

Só em fevereiro de 2024, as exportações de melão cresceram 29,8% em relação ao segundo mês do ano passado. No entanto, para janeiro e fevereiro, em comparação com o mesmo período em 2023, houve uma retração de 2,4%, motivada pela intensidade de chuvas, de acordo com Guedes.

“Os meses de janeiro e fevereiro, nos quais as exportações de melões tiveram uma pequena queda, são a parte final da safra iniciada em agosto do ano passado, que apresenta crescimento de 11,8% até o presente. Essa redução no início do ano deve-se às fortes chuvas que afetaram a durabilidade das frutas e, portanto, as exportações diminuem. A safra se prolonga até o fim de março e início de abril”, relatou.

Para o economista Janduir Nóbrega, o estado já pode esperar uma evolução no crescimento, especialmente quando se fala sobre óleos combustíveis. “No cenário de petróleo e gás e lubrificantes, o mercado do RN tem apresentado uma evolução de crescimento, o que possivelmente deve acontecer por mais um tempo, à medida que as empresas produtoras do petróleo têm aumentado a sua produção. Então isso vai continuar, ou seja, uma faixa maior de participação na exportação do Rio Grande Norte para esses produtos”, disse.

Ele também cita que, com a expectativa de aumento de exportação, existe uma possibilidade de crescimento da produção e de geração de empregos. “Quanto mais vender para fora, mais benefício vai gerar aqui no estado, porque consequentemente, para aumentar a produção precisa aumentar a força de produção, que é a contratação, a geração de renda, gera novos empregos, então o aquecimento da balança comercial leva a isso”, relata.

O economista caracterizou, ainda, o Rio Grande do Norte como um estado “ligeiramente pobre”, isso porque, segundo ele, o RN tem um grande potencial de produção, mas não é o que reflete nos indicadores econômicos. “90% da produção de sal marinho do Brasil é no estado do Rio Grande do Norte, a fruticultura irrigada tem a terceira maior do Brasil, o RN é o maior exportador de carcinicultura do país. A gente tem toda essa riqueza sendo trabalhada, mas ainda não aparece no estado, nos indicadores econômicos, na geração do Produto Interno Bruto do RN. Nós temos o potencial de exportação, de produção de diversos segmentos. A gente tem problema portuário, tem problema aeroviário, tem problema rodoviário e todas essas dificuldades em infraestrutura faz com que um estado promissor em desenvolvimento tenha o seu processo [de crescimento] mais lento do que deveria ser, na ótica da economia”, concluiu.

No entanto, não são só as exportações que podem trazer um impacto para a economia potiguar. De acordo com o responsável técnico do (CIN/Fiern), as importações dos geradores de energia eólica também podem somar à expansão da atividade no estado. “Em 2023, predominaram as importações de painéis solares. Quanto às importações de gasolina e diesel, fazem parte de movimentos de mercado que atendem à necessidade de suprimento, uma vez que o Brasil importa cerca de 30% do que consome desses combustíveis. O trigo é um item tradicional da pauta de importação do RN e vem atender às indústrias processadoras, que abastecem o mercado de farinha de trigo utilizada em muitos produtos”, disse.

Mas quando se fala em expectativas de exportação, Guedes menciona que o RN pode esperar ainda mais impactos de vendas para fora de óleos combustíveis, porém, para a safra de melões e melancias, o retorno deve se dar somente em agosto. “Considerando a grande diversificação da pauta, é difícil fazer uma projeção geral, mas as exportações de óleos combustíveis devem continuar impactando a pauta em função dos altos valores envolvidos”, finalizou.

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