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Economia

Alta de 56% no transporte por aplicativo reacende debate sobre “gastos invisíveis”

Fica claro que despesas digitais recorrentes, muitas vezes de baixo valor individual, podem ganhar peso significativo quando somadas ao longo do mês
Elias Luz
06/03/2026 | 07:15

O transporte por aplicativo acumulou alta de 56% em 12 meses no País, segundo dados de dezembro de 2025 do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo IBGE. O item registrou uma das maiores variações no período e voltou a chamar atenção para o impacto de despesas recorrentes no orçamento doméstico.

A elevação também reforçou o debate sobre os chamados “gastos invisíveis”, categoria que reúne despesas de pequeno valor individual que se repetem ao longo da rotina e muitas vezes passam despercebidas pelo consumidor.

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Consumidores devem revisar periodicamente suas despesas recorrentes para identificar os “gastos invisíveis” - Foto: José Aldenir / Agora RN

Nesse grupo estão, por exemplo, taxas de conveniência em aplicativos, assinaturas digitais pouco utilizadas, compras frequentes por delivery e outros pagamentos recorrentes realizados de forma automatizada. Embora pareçam administráveis isoladamente, esses gastos podem representar parcela relevante da renda quando somados ao longo do mês.

No campo das finanças comportamentais, o conceito de “gastos invisíveis” está associado ao chamado consumo em “piloto automático”. Por isso, o risco não está no valor individual da compra, mas na repetição frequente sem reflexão.

A digitalização das finanças reduziu o chamado custo cognitivo do consumo. Pagamentos por biometria, cartões previamente cadastrados e confirmações em poucos cliques tornaram o processo mais rápido e menos perceptível para o usuário.

Nesse ambiente, a compra tende a ocorrer com menor carga emocional ou reflexão, o que pode aumentar a frequência de uso de determinados serviços. Um gasto diário de R$ 8 pode representar cerca de R$ 240 ao mês ou R$ 2.880 ao longo de um ano.

A recomendação é que consumidores revisem periodicamente suas despesas recorrentes para identificar padrões de consumo e avaliar se determinados serviços continuam sendo necessários. A organização dessas informações em um único controle financeiro permite maior clareza sobre o peso real dessas despesas no orçamento.

A chamada “faxina financeira”, segundo especialistas, consiste justamente em revisar assinaturas, cancelar serviços não utilizados e identificar tarifas recorrentes pouco percebidas no dia a dia. O objetivo é recuperar visibilidade sobre o fluxo de gastos e alinhar o uso do dinheiro às prioridades individuais.