Discussões entre a Prefeitura do Natal e o Governo do Rio Grande do Norte andam acaloradas nos últimos dias. Álvaro Dias, prefeito da capital potiguar, e Fátima Bezerra trocam declarações constantes sobre atuações nos Executivos Estadual e Municipal em relação às políticas contra o avanço da Covid- 19 no RN.
Recentemente, o prefeito lançou dúvidas sobre o suporte da gestão Fátima na estruturação, expansão e manutenção dos leitos Covid-19 na capital. O Executivo estadual respondeu, afirmando que “Álvaro Dias emitiu informações que não correspondem com a realidade”, uma vez que “o estado vem dando suporte (ao município) desde o início da pandemia.”

Em uma tréplica, a Secretaria Municipal de Saúde emitiu nota dizendo que com os equipamentos enviados pelo Governo do Estado, apenas 3 leitos de UTI foram montados. Segundo a nota da Secretaria Municipal, dos monitores citados pelo Governo do Estado, 10 foram enviados pelo Ministério da Saúde direcionados para a capital e dois deles não estão em uso porque faltam acessórios.
Rebatendo a nota do Governo, a Secretaria disse que dos 23 ventiladores citados, 14 são de transporte, que não são úteis para abrir UTIs; deles, 4 foram devolvidos por problemas técnicos, 2 não estão em uso por falta de acessórios e 3 são usados.
Em relação aos fluxômetros e às válvulas, ambos equipamentos não foram solicitados e não são usados em UTI segundo a nota. Ainda de acordo com o comunicado, cada leito precisa de 4 bombas de infusão por paciente, mas no caso de pacientes com Covid-19 chega a ser necessário ao menos 6 bombas de infusão por leito.
Em outro ponto do comunicado, a prefeitura diz que boa parte dos recursos repassados pelo Estado ao Município é financiada pelo Governo Federal, afirma que Natal fica no Estado do Rio Grande do Norte e que os moradores da cidade merecem o apoio e o respeito do Governo do Estado.
Conciliação
Em entrevista à Rádio 98 FM, no início da noite desta segunda-feira, 8, em Natal, Álvaro Dias, prefeito da capital potiguar, disse que irá a audiência de conciliação com a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, após convite do corregedor geral de Justiça, desembargador Dilermando Mota, que acontecerá nesta quarta-feira (10).
Mota propôs a audiência para que seja alcançado um denominador comum a respeito dos decretos estadual e municipal publicados, com medidas para deter o recrudescimento da pandemia causada pelo novo coronavírus, sobretudo no tocante à capital. A sessão pública será virtual e tem início previsto para às 14h30.
A audiência será transmitida pelo canal do TJRN no YouTube. Na entrevista, Álvaro Dias disse que está disposto a sentar frente a frente com a governadora do estado, Fátima Bezerra. Ainda na conversa, ele negou que as divergências com a chefe do Executivo do Estado tenham motivações eleitorais.
Veja a nota na íntegra
A Secretaria Municipal de Saúde esclarece diante da desinformação espalhada no dia de hoje que com os equipamentos enviados pelo Governo do Estado para o Hospital de Campanha de Natal foi possível montar apenas 3 leitos de UTI.
Dos 15 monitores citados, 10 foram enviados pelo Ministério da Saúde direcionados à Prefeitura do Natal, dois não estão em uso porque não vieram com os acessórios. Dos 23 ventiladores citados, 14 são ventiladores de transporte, não são úteis para abrir UTIs, 4 foram devolvidos por problemas técnicos, 2 não estão em uso por falta de acessórios e 3 estão efetivamente em uso.
Os fluxometros não foram solicitados, nem são usados em UTI, o mesmo com relação às válvulas. Cabe ainda destacar que cada leito de UTI necessita de 4 bombas de infusão por paciente, mas no caso da Covid chega a ser necessário no minimo 6 bombas de infusão por leito.
Com relação aos medicamentos e antibióticos, o que ocorre é permuta corriqueira e natural entre unidades hospitalares. No mais, não custa lembrar que boa parte dos recursos repassados pelo Estado ao Município é financiada pelo Governo Federal. E que Natal, afinal, fica no Estado do Rio Grande do Norte. Os natalenses merecem, portanto, o apoio e o respeito do Governo do Estado. Não é favor, é obrigação.






