Alta média dos contratos coletivos ficou em 9,9% no início de 2026, menor índice em cinco anos; setor registrou lucro recorde em 2025.
Os planos de saúde coletivos registraram reajuste anual médio de 9,9% nos dois primeiros meses de 2026, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Embora represente a menor variação para o período em cinco anos, o percentual permanece acima do dobro da inflação oficial acumulada no período.

A última vez em que os contratos coletivos tiveram reajuste inferior ao observado neste início de ano foi em 2021, quando a alta média ficou em 6,43%. Naquele período, marcado pela pandemia de covid-19, o isolamento social reduziu a realização de consultas, exames e cirurgias eletivas, diminuindo os custos das operadoras.
Para efeito de comparação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, acumulava alta de 3,81% em fevereiro de 2026.
Os reajustes divulgados pela ANS referem-se aos planos coletivos empresariais e por adesão, contratados por empresas, empresários individuais e associações de classe. Diferentemente dos planos individuais e familiares, nesses contratos os percentuais são definidos por livre negociação entre a pessoa jurídica contratante e a operadora.
O Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) costuma questionar reajustes acima da inflação oficial. A ANS, por sua vez, argumenta que a comparação direta entre IPCA e mensalidades de planos de saúde não reflete a dinâmica do setor.
“O percentual calculado pela ANS considera aspectos como as mudanças nos preços dos produtos e serviços em saúde, bem como as mudanças na frequência de utilização dos serviços de saúde”, informou a agência reguladora.
Os dados mostram diferenças elevantes conforme o porte dos contratos. Nos planos com 30 ou mais beneficiários, classificados pelo setor como contratos com “30 vidas ou mais”, o reajuste médio foi de 8,71%. Já os contratos menores, com até 29 beneficiários, tiveram aumento médio de 13,48%.
Segundo a ANS, cerca de 77% dos usuários de planos coletivos estão concentrados nos contratos de maior porte. Nos planos com até 29 beneficiários, a agência acompanha os reajustes porque as operadoras aplicam o mesmo percentual para todos os contratos semelhantes dentro da mesma carteira.
Os números mais recentes da ANS apontam crescimento contínuo do mercado de saúde suplementar no país. Em março de 2026, o Brasil contabilizava 53 milhões de vínculos em planos de saúde, aumento de 906 mil contratos em relação ao mesmo período do ano anterior. Do total, 84% pertenciam a planos coletivos.
O desempenho financeiro do setor também avançou. Em 2025, as operadoras registraram receita total de R$ 391,6 bilhões e lucro líquido acumulado de R$ 24,4 bilhões, o maior já apurado pela saúde suplementar no país. Na prática, isso representa lucro de aproximadamente R$ 6,20 para cada R$ 100 faturados pelas empresas do setor.