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Pix

Pix ganha proteção diante de disputa com EUA

INPI reconhece sistema de pagamentos do Banco Central como marca de alto renome em meio a disputa comercial e críticas dos Estados Unidos
Por O Correio de Hoje
12/06/2026 | 12:44

O governo federal anunciou o reconhecimento do Pix como marca de alto renome pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), ampliando a proteção jurídica do nome e do símbolo do sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central. A decisão ocorre em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos e ao questionamento do modelo brasileiro por parte da administração do presidente Donald Trump.

O anúncio foi feito pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão, em Brasília. Segundo o ministro, o reconhecimento garante ao Pix o mais elevado nível de proteção previsto pela legislação brasileira de propriedade intelectual.

Pix Brasil
Governo obtém reconhecimento de alto renome para a marca do PIX - Foto: Ricardo Stuckert / PR

“O INPI registra como marca de grande renome o Pix do Brasil, associado ao Banco Central. É, na forma da lei de propriedade intelectual, a maior proteção que se pode dar à marca e para o símbolo”, afirmou.

A classificação de alto renome é reservada a marcas amplamente conhecidas pela população e assegura proteção especial em diferentes segmentos econômicos, independentemente da área de atuação originalmente vinculada ao registro. Na prática, a medida fortalece os instrumentos legais contra o uso indevido da marca e de sua identidade visual dentro do território nacional.

Embora tenha efeitos jurídicos concretos, a decisão também carrega forte componente político. O anúncio ocorre dias após a divulgação de relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que incluiu o Pix em uma investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana. O documento questiona o modelo de funcionamento do sistema brasileiro e argumenta que o Banco Central acumula simultaneamente as funções de regulador e operador da plataforma.

Na avaliação do governo americano, essa estrutura poderia criar obstáculos à atuação de empresas privadas do setor de pagamentos. Integrantes da equipe econômica brasileira, por outro lado, enxergam o Pix como uma das principais inovações financeiras desenvolvidas no país e avaliam que o sistema passou a representar um concorrente relevante para empresas estrangeiras que atuam no mercado global de meios de pagamento.

Criado pelo Banco Central do Brasil em 2020, o Pix se consolidou em poucos anos como o principal instrumento de transferência financeira do País, sendo utilizado diariamente por milhões de brasileiros para pagamentos, compras e movimentações bancárias. O sucesso da plataforma transformou o sistema em um dos símbolos mais visíveis da modernização financeira brasileira.

A defesa do Pix ganhou protagonismo dentro da estratégia política do Palácio do Planalto após a escalada das medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. Além da investigação envolvendo o sistema de pagamentos, o governo brasileiro também enfrenta uma nova tarifa de 25% aplicada no contexto da apuração comercial conduzida por Washington e outra sobretaxa de 12,5% relacionada a alegações de falhas no combate ao trabalho forçado.

Nos últimos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a utilizar o Pix como um dos principais elementos de sua reação pública às medidas americanas. Na semana passada, apareceu em um evento segurando um cartaz com a frase “O Pix é do Brasil” e classificou como injustificadas as críticas feitas pelos Estados Unidos.

A estratégia foi repetida nesta quinta-feira (11), durante a reunião do Conselhão. Antes de iniciar seu discurso, Lula voltou a exibir uma placa em defesa do sistema de pagamentos e endureceu o tom contra as novas barreiras comerciais impostas pelos americanos.

“Essa última imputação de taxa que eles colocaram para nós, nós não temos o direito de aceitar, por dignidade e respeito ao que nós fazemos aqui com os trabalhadores brasileiros”, afirmou o presidente.

Ao comentar um dos argumentos utilizados pelos Estados Unidos na investigação, relacionado a questões ambientais e desmatamento, Lula ironizou as críticas.

“Quero saber quais são os direitos que os trabalhadores deles têm para vir um tal de diretor financeiro impor multa por conta do desmatamento. Será que eles não percebem que eles já estão carecas?”, declarou.

O presidente também aproveitou a reunião para defender a ampliação dos investimentos públicos e contestar críticas relacionadas ao aumento dos gastos governamentais.

“As pessoas nunca pararam para discutir e fazer a grande pergunta: quanto custou não fazer as coisas certas?”, afirmou.

Paralelamente à reação do Executivo, o Congresso Nacional também avançou na discussão sobre o fortalecimento institucional do sistema. Uma comissão parlamentar aprovou proposta para incluir o Pix na Constituição Federal, iniciativa que amplia o simbolismo político em torno da plataforma criada pelo Banco Central.