O Rio Grande do Norte deverá registrar crescimento econômico nos próximos dois anos, mas em ritmo inferior ao observado no Nordeste e no Brasil. Levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN (Fecomércio-RN), com base em projeções do Banco do Brasil, estima expansão de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual em 2025 e de 1,6% em 2026.
Os números colocam o Estado entre os desempenhos mais modestos do País. As estimativas apontam forte retração da indústria, cujo PIB deverá encolher 7,9% em 2025 e mais 1% em 2026. A agropecuária deve apresentar desempenho positivo neste ano, com crescimento de 5,4%, mas a previsão para 2026 é de queda de 9,7%.

Em contrapartida, comércio e serviços devem seguir como principal sustentação da atividade econômica, com expansão de 2,3% em 2025 e de 2,6% no ano seguinte. O peso dos serviços na economia potiguar amplia sua capacidade de compensar perdas em outros segmentos. Dados mais recentes do IBGE mostram que, em 2023, o setor representava 72,4% do PIB estadual, enquanto a indústria respondia por 23,4% e a agropecuária por apenas 4,2%.
Para o economista William Figueiredo, da Fecomércio-RN, o desempenho mais fraco do Estado em relação às médias regional e nacional está relacionado à menor capacidade de geração de empregos e ao enfraquecimento da atividade industrial.
“O Estado gerou menos emprego do que, por exemplo, Piauí, Paraíba e Maranhão. O reflexo disso está na projeção da estimativa do Banco do Brasil, de crescimento menor do que a média do Nordeste e a média brasileira do ano passado”, afirma.
Dados da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE mostram que a produção industrial potiguar acumulou retração de 12,1% em 2025, o segundo pior resultado do País. No mesmo período, a indústria nacional registrou crescimento de 0,6%.
Segundo William Figueiredo, a principal influência negativa vem do setor de refino de petróleo, cuja retração tem reduzido o desempenho da indústria estadual. Para 2026, a expectativa é que os biocombustíveis também contribuam para manter o segmento em terreno negativo.
Na avaliação do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), Roberto Serquiz, a leitura dos números exige cautela. Ele destaca que a retração está concentrada principalmente nas atividades ligadas ao petróleo e gás, que ainda possuem forte peso na estrutura produtiva local.
“A queda não é generalizada. Segmentos como alimentos, confecções e extrativa mineral apresentaram crescimento, evidenciando o avanço da diversificação da indústria potiguar”, afirma.
Para Serquiz, a indústria estadual passa por uma transformação gradual, reduzindo a dependência de um único segmento e ampliando a participação de atividades com maior potencial de geração de empregos e agregação de valor.
A agropecuária deve enfrentar um cenário mais desafiador em 2026. O levantamento aponta que culturas importantes para o Estado deverão apresentar queda após um ano de forte expansão. A mandioca, por exemplo, que teve crescimento estimado de 56,3% em 2025, poderá registrar retração de 48,3% no ano seguinte.
A Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern) avalia que a volatilidade faz parte da dinâmica histórica do setor. Em nota, a entidade destaca que anos de forte expansão costumam ser seguidos por períodos de acomodação, influenciados por fatores climáticos e produtivos.
Apesar dos desafios, o setor de comércio e serviços continua sendo a principal aposta para sustentar o crescimento econômico estadual. Parte desse otimismo está associada ao turismo, que vem apresentando indicadores positivos.
O Aeroporto Internacional de Natal registrou aumento de 14,1% na movimentação de passageiros no primeiro bimestre de 2026 em comparação com igual período do ano anterior. Os voos internacionais também alcançaram níveis recordes em 2025, com mais de 100 mil passageiros embarcando ou desembarcando em Natal.
O desempenho é atribuído à ampliação da malha aérea e às ações de promoção turística desenvolvidas pelo Estado.
O presidente da Fecomércio-RN, Marcelo Queiroz, mantém avaliação positiva para os próximos meses. Segundo ele, a continuidade da geração de emprego e renda, a redução da inflação, a expectativa de queda dos juros e o recuo da inadimplência tendem a favorecer o consumo das famílias e a atividade econômica.