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Gregório Duvivier

Gregório Duvivier traz a Natal espetáculo premiado sobre a língua portuguesa

Após reunir 300 mil espectadores e passar por dez países, “O Céu da Língua” será apresentado no Teatro Riachuelo nos dias 25 e 26 de julho
Por O Correio de Hoje
11/06/2026 | 13:31

Há algo de improvável no sucesso de O Céu da Língua. Em um momento em que a atenção parece cada vez mais disputada por telas, vídeos curtos e algoritmos, um espetáculo centrado em palavras, poesia, gramática, sonoridades e ambiguidades da língua portuguesa tornou-se um dos maiores sucessos recentes do teatro brasileiro.

Agora, após percorrer 50 cidades em dez países e alcançar a marca de 300 mil espectadores, o monólogo estrelado por Gregório Duvivier inicia uma aguardada turnê pelo Nordeste. Entre julho e agosto, a montagem passará por dez cidades da região. Em Natal, as apresentações acontecem nos dias 25 e 26 de julho, no Teatro Riachuelo Natal.

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“O Céu da Língua” transforma poesia, gramática, humor e cotidiano em espetáculo - Foto: Divulgação

O sucesso de público veio acompanhado do reconhecimento da crítica. Pela interpretação em “O Céu da Língua”, Gregório Duvivier recebeu o Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Ator em 2025. Já a montagem foi a principal vencedora do Prêmio do Humor RJ de 2026, conquistando os troféus de Melhor Texto e Melhor Espetáculo. A produção também acumula indicações a importantes premiações do teatro nacional, entre elas o Prêmio Shell e a APTR.

O êxito da peça talvez esteja justamente em seu ponto de partida, aparentemente simples: a relação cotidiana que todos mantêm com a linguagem. Em cena, Duvivier transforma palavras, expressões populares, erros, regras gramaticais, memórias afetivas e sons da língua portuguesa em matéria-prima para uma experiência que oscila entre a conferência, o recital poético e o espetáculo de humor.

Escrito por Gregório Duvivier em parceria com Luciana Paes, que também assina a direção, “O Céu da Língua” parte de uma provocação central: a poesia não está restrita aos livros nem pertence apenas aos especialistas. Ela surge nas conversas de família, nos trocadilhos, nos deslizes da fala, nas canções, nas gírias e até nas discussões sobre ortografia.

Ao longo dos 85 minutos de apresentação, o artista percorre suas próprias obsessões com a linguagem. O texto brinca com reformas ortográficas, investiga a sobrevivência e o desaparecimento de expressões populares, revisita sons e significados das palavras e explora as peculiaridades de um idioma falado por mais de 260 milhões de pessoas ao redor do mundo.

Conhecido nacionalmente por seu trabalho como escritor, ator, roteirista e integrante do grupo Porta dos Fundos, Duvivier leva para o palco uma característica que se tornou uma de suas marcas: a combinação entre elaboração literária e espontaneidade. O espetáculo abre espaço para o improviso e para o diálogo constante com a plateia, tornando cada sessão uma experiência ligeiramente diferente da anterior.

A encenação aposta na simplicidade para destacar o texto e a performance. A cenografia criada por Dina Salem Levy constrói um ambiente que privilegia a palavra como protagonista. A trilha sonora executada ao vivo pelo instrumentista Pedro Aune, ao contrabaixo, acompanha a narrativa e ajuda a criar atmosferas que transitam entre a reflexão e o humor.

Outro elemento importante da montagem são as projeções manipuladas em cena por Theodora Duvivier, irmã de Gregório, que acrescentam camadas visuais ao espetáculo sem retirar o foco de seu principal elemento: a força da linguagem.

Ao longo da trajetória de “O Céu da Língua”, o público tem demonstrado que a combinação entre humor inteligente, observação do cotidiano e reflexão sobre a língua portuguesa encontrou ressonância para além dos círculos tradicionais do teatro. O espetáculo atrai espectadores de diferentes idades e perfis, muitos deles motivados não apenas pela popularidade de Duvivier, mas pela curiosidade despertada por uma peça que transforma palavras em entretenimento.

A passagem pelo Nordeste marca mais um capítulo dessa trajetória. Depois de circular por dezenas de cidades brasileiras e internacionais, a montagem chega à região carregando uma marca rara para o teatro contemporâneo: a capacidade de reunir grandes plateias em torno de um tema que, à primeira vista, poderia parecer pouco espetacular. “O Céu da Língua” demonstra justamente o contrário. Que as palavras, quando colocadas no centro do palco, ainda são capazes de mobilizar multidões.

O Céu da Língua

  • Interpretação: Gregório Duvivier
  • Direção: Luciana Paes
  • Texto: Gregório Duvivier e Luciana Paes
  • Datas em Natal: 25 e 26 de julho
  • Horários: sábado, às 18h30; domingo, às 16h
  • Local: Teatro Riachuelo Natal
  • Classificação indicativa: 12 anos
  • Duração: 85 minutos
  • Ingressos: vendas exclusivas pela plataforma Sympla. Não haverá venda na bilheteria do teatro.