A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo reuniu cerca de 36,8 mil pessoas neste domingo na Avenida Paulista, segundo estimativa do Monitor do Debate Político. O evento foi marcado por discursos em defesa dos direitos da comunidade, pela valorização do voto como instrumento de participação política e pela presença das cores verde e amarela entre os participantes. A edição também ocorreu em um cenário de redução significativa de patrocínios, o que impactou diretamente a estrutura da celebração.
Com o tema “A rua convoca, a urna confirma”, a organização colocou a participação política e a defesa dos direitos da população LGBT+ no centro da programação. A escolha do mote ocorreu em um contexto de debates sobre propostas legislativas relacionadas à comunidade e de preparação para o próximo ciclo eleitoral.

Entre as atrações estiveram artistas como Pabllo Vittar, Gloria Groove e Melody, além de parlamentares e lideranças ligadas à pauta dos direitos civis. Ao longo do dia, discursos políticos dividiram espaço com apresentações musicais, transformando a avenida em um palco de celebração e mobilização social.
Um dos aspectos mais comentados da edição foi a presença das cores da bandeira brasileira. Camisas da seleção e bandeiras verde-amarelas apareceram em diferentes pontos do evento, não por causa da proximidade da Copa do Mundo, mas como um gesto político e simbólico.
“Hoje podemos colocar a bandeira do Brasil na nossa causa, símbolo que por muito tempo foi apropriado pela extrema direita”, afirmou a assistente social Silvia Maria de Lima, que atua em uma organização voltada ao atendimento de pessoas que vivem com HIV.
A edição deste ano também refletiu mudanças no cenário de financiamento de eventos ligados à diversidade. A Associação da Parada do Orgulho LGBT+ calcula que a receita caiu cerca de 60% em comparação com o ano passado após a saída de grandes patrocinadores.
Em 2025, o evento contou com 12 marcas apoiadoras. Neste ano, apenas três empresas permaneceram associadas à realização da festa: Amstel, como patrocinadora oficial; Grupo L’Oréal no Brasil, como copatrocinador; e Philip Morris Brasil, como apoiadora.
A redução dos investimentos teve reflexo direto na estrutura. O número de trios elétricos caiu de 19 para 14, contrastando com o período pós-pandemia, quando houve crescimento do interesse empresarial em ações ligadas à diversidade, inclusão e responsabilidade social.
Para participantes do evento, a diminuição dos apoios está relacionada ao ambiente político e social vivido atualmente.
“Estamos vendo uma falta de patrocínios nos trios. E para mim isso está muito relacionado a esse clima conservador que estamos vendo na sociedade. Este ano precisamos defender o voto consciente para a comunidade LGBT, defender que todos temos os mesmos direitos”, afirmou a psicóloga Andrea Domanico.
Outro tema que mobilizou participantes e organizadores foi a tramitação, na Câmara Municipal de São Paulo, de um projeto de lei aprovado em primeira votação que pretende restringir a presença de crianças e adolescentes em eventos públicos e privados que façam referência a temas LGBT+. A proposta também prevê classificação indicativa para maiores de 18 anos, aplicação de multas e limitações à realização de eventos em vias públicas.
Durante os discursos realizados nos trios elétricos, parlamentares mencionaram a proposta e manifestaram oposição ao texto. Entre eles estavam as deputadas federais Sâmia Bomfim e Erika Hilton, além da deputada federal Daiana Santos. Também participaram das atividades os deputados estaduais Eduardo Suplicy e Guilherme Cortez.
Erika Hilton utilizou o espaço para defender o fim da escala de trabalho 6×1, enquanto outros parlamentares concentraram suas falas em temas relacionados aos direitos civis e à participação política. Entre as figuras históricas da Parada, a drag queen Salete Campari reforçou a mensagem eleitoral que permeou a celebração.
Segundo levantamento do Monitor do Debate Político, realizado por pesquisadores do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, da Universidade de São Paulo e da More in Common, o pico de público ocorreu por volta das 14h37. A estimativa aponta uma presença entre 32,3 mil e 41,2 mil pessoas, com margem de erro de 12%, resultando em um público estimado de 36,8 mil participantes.
O número representa uma redução em relação aos últimos anos. Em 2025, o mesmo levantamento estimou um pico de aproximadamente 48,7 mil pessoas. Já em 2024, o público calculado chegou a 73,6 mil participantes.
Mesmo com a queda de público e a redução dos patrocínios, a Parada manteve seu papel como um dos principais eventos de visibilidade da comunidade LGBT+ no país, reunindo milhares de pessoas em torno de pautas relacionadas à cidadania, inclusão, representatividade e direitos civis.