O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu Xavier (PT) enquadrou os principais adversários na sucessão estadual e afirmou, em entrevista à rádio Mix nesta segunda-feira 8, que todos os palanques da disputa de 2026 têm lado. Ao responder a um ouvinte sobre por que a gestão da governadora Fátima Bezerra (PT) não teria conseguido “transformar” o Estado em oito anos, Cadu assumiu a ligação com o presidente Lula (PT), vinculou Álvaro Dias (PL) ao bolsonarismo e associou Allyson Bezerra (União) ao ex-governador e atual deputado federal Robinson Faria (PP).
“Todo mundo tem lado nessa história. Eu tenho muito orgulho de ser o Cadu de Lula. Tem o Álvaro Dias de Bolsonaro e tem o Allyson Bezerra de Robinson Faria, que é quem governou e levou o Estado a essa tragédia que a gente recuperou e reconstruiu o Estado”, afirmou.

A declaração foi dada ao programa Metendo a Colher, em entrevista marcada por cobranças sobre educação, saúde, continuidade administrativa, alianças e comparação com governos anteriores. Cadu disse que a avaliação do RN deve ser feita a partir de indicadores de segurança, saúde, educação, emprego e renda, comparando a atual gestão com administrações passadas.
“Pegue todos os indicadores e compare com a época que essa turma que está querendo voltar a governar o Rio Grande do Norte governava”, disse.
O petista apresentou sua pré-candidatura como projeto de continuidade do Governo Fátima. Disse que o Estado precisa “continuar avançando” e defendeu a ideia de crescimento com geração de emprego, renda e serviços públicos funcionando.
Ex-secretário estadual da Fazenda, Cadu usou a própria trajetória como argumento de preparo. Auditor fiscal de carreira, destacou que é servidor público há 20 anos e afirmou ter passado sete anos cuidando do dinheiro e do orçamento do Estado. “Da mesma forma que eu cuidei do dinheiro do Estado, eu estou me propondo a cuidar da vida das pessoas que vivem aqui no Estado”, declarou.
Ele também procurou se diferenciar de políticos tradicionais e de adversários. Disse que não entrou na política para melhorar a própria vida, afirmou não ter enriquecido no serviço público e declarou não responder a processos nem ser alvo de investigação da Polícia Federal ou do Ministério Público. “Eu entrei na política para mudar a vida das pessoas e não a minha vida”, afirmou.
Cadu comparou sua trajetória à de João Azevedo, ex-governador da Paraíba, e Rafael Fonteles, governador do Piauí, ambos ex-secretários antes de chegarem ao Executivo estadual. Segundo ele, esse modelo mostra que a população busca gestores com experiência, compromisso e vida pública ligada à administração, e não pessoas que vivem da política.
A entrevista teve um dos momentos mais tensos no debate sobre educação integral. Cadu afirmou que chegar a 100% das escolas em tempo integral é “talvez o grande compromisso” da pré-campanha. Defendeu que crianças e jovens passem manhã e tarde na escola, com alimentação e atividades, como forma de ampliar oportunidades e reduzir a aproximação com o crime organizado.
O apresentador Cyro Robson Papinha contestou a fala e citou reportagens sobre escolas integrais sem funcionamento pleno, com problemas de merenda, água, professores e estrutura. Também mencionou a Escola Estadual Soldado Luiz Gonzaga, na Zona Oeste de Natal, afirmando que a unidade estaria com estrutura comprometida e teria registrado apenas 52 alunos inscritos no início do ano.
Cadu rebateu. Disse que o caso não representa a rede estadual, afirmou que o Governo Fátima reformou 130 escolas e sustentou que o número de matrículas na educação integral triplicou desde o início da atual gestão. “Nós temos o triplo de alunos na rede integral, no ensino integral, do que a gente tinha no início do governo da professora Fátima”, disse. Ele também negou falta de merenda nas escolas estaduais. “Não falta merenda nas escolas aqui do Estado”, afirmou.
Na saúde, o pré-candidato defendeu a regionalização do atendimento. Citou hospitais de Caicó, Pau dos Ferros, Assú e Currais Novos e disse que essas unidades têm hoje condições diferentes das encontradas antes do governo Fátima. A proposta, segundo ele, é ampliar cirurgias eletivas, exames de média e alta complexidade e serviços regionais para reduzir a pressão sobre o Walfredo Gurgel, em Natal, e o Tarcísio Maia, em Mossoró.
Durante a resposta, Cadu também mirou adversários. Disse que visitou em Mossoró um hospital municipal que, segundo ele, não funciona à noite, em referência à gestão Allyson. Também citou o hospital municipal inaugurado em Natal pelo ex-prefeito Álvaro Dias, afirmando que a unidade não está funcionando. O apresentador reagiu dizendo que ele citava problemas de gestões municipais enquanto era questionado sobre a saúde estadual.
Cadu afirmou ainda que o Governo do Estado, com apoio de Lula, trabalha em dois equipamentos: o Hospital Metropolitano, em Parnamirim, e um hospital universitário para a região do Seridó, em Caicó.
Questionado sobre o vice, o petista não anunciou nomes. Disse que a pré-campanha segue o calendário eleitoral e que a estratégia está sendo executada dentro do planejado.