Investigadores da Polícia Federal consideram que as medidas impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se assemelham a um regime semiaberto combinado com prisão domiciliar. Bolsonaro está proibido de sair da cidade em que reside, de deixar sua residência entre 19h e 6h e aos fins de semana, além de estar impedido de se aproximar de embaixadas e consulados. Ele também foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica.
As medidas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpridas nesta sexta-feira 18, durante operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal na residência do ex-presidente. A operação foi autorizada no âmbito de inquérito que investiga coação ao STF.

De acordo com investigadores ouvidos pelo blog da jornalista Andréa Sadi, o ex-presidente “dobra a aposta ao longo do processo de investigação do golpe desde o início das apurações — e vem escalando”. Para os investigadores, as restrições também têm o objetivo de impedir uma eventual tentativa de fuga do país.
O inquérito em questão foi aberto a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para apurar uma suposta tentativa do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de interferir na ação penal que investiga a tentativa de golpe de Estado. A PGR vê indícios de que Jair Bolsonaro teria sido beneficiado diretamente pelas ações do filho.
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Segundo os investigadores, Eduardo Bolsonaro é suspeito de tentar influenciar autoridades dos Estados Unidos, especialmente aliados do ex-presidente Donald Trump, para pressionar contra ministros do STF. No dia 9 de julho, Trump anunciou tarifas de 50% sobre todas as exportações brasileiras, alegando que Bolsonaro era vítima de uma “caça às bruxas” em razão dos processos que responde no Brasil.
Os investigadores também mencionaram o caso da deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), que fugiu do país 20 dias após ser condenada à prisão pelo STF por invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela continua em liberdade.
Outro ponto citado foi a admissão, por parte do ex-presidente Jair Bolsonaro, de que enviou R$ 2 milhões ao filho Eduardo Bolsonaro, que atualmente vive nos Estados Unidos.
No início da semana, a PGR pediu a condenação do ex-presidente no inquérito da tentativa de golpe de Estado. A Procuradoria acusa Bolsonaro de crimes cujas penas máximas somadas ultrapassam 40 anos de prisão.