O futebol é uma das maiores paixão dos potiguares. Escolhida como uma das cidades sede da Copa do Mundo de 2014, Natal abriga dois dos maiores times da região Nordeste: o ABC e o América, ambos donos de torcidas fervorosas e apaixonadas.
A banda potiguar Folcore sintetiza a tradição em uma música: “No Rio Grande do Norte / Vamos ver quem vai vencer / O melhor do futebol / Se é América ou ABC”. É importante ressaltar que a rivalidade deve ficar apenas no campo, como aponta a mesma canção: “O ABC é um grande time / O América também / No Rio Grande do Norte / Melhor que eles num tem / Viva os time potiguar / E o futebol nota 100”.

Muitos torcedores herdam esse amor das próprias famílias, e como homenagem ao Dia dos Pais, o AGORA RN conversou com dois pais e dois filhos, americanos e abecedistas, para entender como essa ligação foi transmitida de maneira quase embrionária pela figura paterna.
AMOR QUE VEM DE BERÇO
Marcelo Antônio Iorio Petrovich é um jovem estudante de 21 anos. Ele, que é apaixonado pelo ABC, revela que o seu amor pelo time vem desde pequeno. Em um Dia dos Pais de anos atrás, quando ainda era criança, perguntou ao pai qual era o presente que o mesmo desejava ganhar na data comemorativa, a resposta que ouviu foi a seguinte: “Eu quero que você desenhe a coisa mais importante para você e me dê de presente”. O garoto então, prontamente, desenhou um escudo do ABC, representando exatamente aquilo que o pai havia solicitado.
Esse sentimento de Marcelo “100% por causa do pai”. Enélio Antônio Galvão Petrovich, 52 anos, se declara um pai orgulhoso e levava o filho para o Frasqueirão (Estádio Maria Lamas Farache) desde que o menino tinha tenra idade. Enélio confessa que esperava passar o amor pelo clube para o filho, ainda que “não de forma tão exagerada”, como revelou, entre risos.
Desde cedo, era um programa comum dos dois ir ao estádio assistir aos jogos, ou mesmo acompanhar pela televisão. Era um momento tradicional entre pai e filho que ainda se mantém, pelo menos em partes. Enélio afirma que não costuma mais frequentar estádios por medo da violência que se vê em certas partidas, e que prefere ver as partidas em casa.
Mesmo assim, ambos fazem questão de manter esse laço vivo, fazendo das partidas que ocorrem fora de casa o momento ideal para o fortalecimento dessa relação. Marcelo diz que é nesses jogos que pai e filho “tomam uma cervejinha juntos pra comemorar”, aproveitando a companhia um do outro enquanto compartilham uma paixão em comum.
Tendo noção da importância da relação, Marcelo explica que é um sonho para ele passar o amor pelo time alvinegro adiante quando for pai: “Vai ser no berço, já vai ter camisa, pingente, se Deus quiser vai ter tudo. Se Deus o livre ele falar ‘papai vou ser americano’, eu não sei o que vai ser de mim não, vou ter que fazer outro [risos]”.
O LAÇO VERMELHO QUE NOS UNE
“O América é uma forma de conectar filho e pai. A gente compartilha esse momento junto. Torce, se alegra, quando é momento de tristeza ficamos os dois entristecidos. É um fator que fortalece a relação da gente”. É assim que Tiago Souto Laurentino de Freitas, designer gráfico de 32 anos, se refere ao amor que compartilha com o pai, José Carlos Souto de Freitas, comerciante de 59 anos, pelo time alvirrubro.
Tiago revela que acompanha o pai na ida aos estádios desde que era uma criança, na década de 1990. O torcedor tem lembranças de momentos áureos do Dragão, como campanhas na primeira divisão nacional em 97 e 98, e da final da Copa do Nordeste de 98, quando o América se consagrou campeão. Em todos esses momentos, o torcedor mirim se fazia presente no Machadão (Antigo Estádio João Machado) ao lado do pai.
Dessa forma, José afirma que já esperava ter um filho americano, ainda que o mesmo tivesse “a liberdade de escolher o clube do coração dele”. Para o comerciante, é gratificante ver esse sentimento vivo de maneira tão forte em Tiago. Ele faz uma comparação interessante para expor como enxerga o amor pela equipe: “É como você plantar uma semente, e ver ela nascer e te fazer o bem”.
“É muito importante para mim quando eu vou ao estádio com o Tiago e meus sobrinhos”, explica José. Assim como na infância, pai e filho seguem indo ao estádio para acompanhar os jogos do América. Tiago diz que os dois marcaram presença em quase todas as partidas do Campeonato Potiguar, da mesma forma no decorrer do Campeonato Brasileiro – Série D.
O laço vermelho que une pai e filho por um amor em comum é algo importante para ambos, e que tanto José, quanto Tiago, enxergam como uma herança a se passar para aqueles que ainda estão por vir. O comerciante torce para que “Os netos também torçam para o América e que isso se prolongue por gerações”.
(*Supervisão da jornalista Nathallya Macedo)