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Copa

Neymar deve desfalcar o Brasil contra o Haiti após um mês afastado por lesão

Atacante completa um mês sem atuar ou treinar no campo, deve desfalcar o Brasil contra o Haiti e tem retorno tratado com cautela pela comissão técnica durante a Copa do Mundo
Por O Correio de Hoje
16/06/2026 | 14:27

A recuperação de Neymar voltou a impor um freio aos planos da comissão técnica da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. O atacante completa nesta terça-feira 16 um mês sem disputar partidas ou participar de treinamentos em campo e, diante da evolução considerada insuficiente da lesão na panturrilha direita, dificilmente estará à disposição para o confronto contra o Haiti, pela segunda rodada do Grupo C.

A expectativa inicial da comissão técnica era reintegrar o camisa 10 ao grupo ainda nesta semana. O cenário, porém, mudou após uma nova avaliação médica realizada nos Estados Unidos. Embora os exames de imagem apontem evolução satisfatória, o quadro ainda não permite a transição para a etapa seguinte da recuperação, que inclui atividades físicas no gramado e, posteriormente, trabalhos com bola ao lado dos demais atletas.

Neymar treino sem bola
Neymar não vai jogar contra o Haiti, nem tampouco com a Escócia - Foto: Rafael Ribeiro / CBF

A situação levou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a abandonar qualquer previsão pública para o retorno do jogador durante a fase de grupos do torneio. Internamente, a avaliação é de que não há razão para acelerar o processo, sobretudo diante do risco de uma nova lesão muscular em um momento decisivo da competição.

Nos bastidores da delegação, a prioridade passou a ser preservar Neymar para uma eventual participação no mata-mata. A possibilidade de o atacante enfrentar a Escócia, no último compromisso da primeira fase, em 24 de junho, permanece aberta, mas dependerá de uma evolução considerada rápida nos próximos dias.

Atualmente, o jogador segue sob cuidados do departamento médico da seleção. A rotina inclui sessões de musculação, fortalecimento muscular e trabalhos complementares. Antes de ser liberado para treinar normalmente, Neymar ainda precisa cumprir etapas de recondicionamento físico em campo, condição considerada indispensável para suportar a intensidade dos jogos.

O cronograma também esbarra no prazo inicialmente divulgado pelo médico da seleção, Rodrigo Lasmar. Quando Neymar foi incorporado ao grupo durante a preparação para a Copa, a estimativa era de cerca de três semanas para recuperação. O período se encerra nesta semana, mas a comissão técnica entende que, mesmo em caso de liberação médica imediata, o atacante não apresentaria condições ideais para atuar em alto nível contra o Haiti.

A mudança de postura da CBF em relação ao tema chama atenção. Nas primeiras semanas de tratamento, a entidade divulgava atualizações frequentes sobre o estado clínico do jogador. Com o aumento da pressão por seu retorno e diante das críticas à equipe após o empate na estreia contra Marrocos, a comunicação tornou-se mais restrita.

Segundo relatos de integrantes da própria entidade, apenas avanços considerados relevantes passarão a ser divulgados. O objetivo é evitar o aumento das expectativas sobre a volta do camisa 10 e reduzir a exposição de um assunto que se transformou em um dos principais focos de debate em torno da campanha brasileira.

Na última sexta-feira 12, antes da estreia, o técnico Carlo Ancelotti demonstrava otimismo. Na ocasião, afirmou que Neymar estava próximo de voltar ao convívio diário com o elenco.

“Neymar está trabalhando, com foco. A expectativa é que recupere e seja integrado ao grupo na próxima semana. Ele tem qualidade técnica indiscutível, mas também experiência, importante para o grupo”, declarou o treinador.

O discurso mais cauteloso adotado desde então reflete também o ambiente interno da seleção. O desempenho abaixo das expectativas diante do Marrocos ampliou a pressão sobre comissão técnica e jogadores. Como consequência, a delegação decidiu reforçar a blindagem do grupo durante a preparação para o confronto contra o Haiti.

A estratégia inclui redução do acesso da imprensa aos atletas, controle mais rigoroso das entrevistas e foco total nos treinamentos. A avaliação interna é que a exposição excessiva dos últimos dias contribuiu para ampliar críticas ao elenco e ao próprio Ancelotti.

Nesse contexto, Neymar tornou-se um símbolo de uma seleção que tenta equilibrar a necessidade de resultados imediatos com a preservação de seu principal jogador. A tendência, neste momento, é que o Brasil siga sem o camisa 10 pelo menos até a reta final da primeira fase, apostando que uma recuperação mais lenta possa evitar problemas maiores nas etapas decisivas da Copa do Mundo.