O atentado que teve como alvo o vereador de Mossoró e pré-candidato a deputado federal Cabo Deyvison (PL), na noite desta segunda-feira 15, e que terminou com a morte de seu assessor Alyson Dyego de Oliveira Morais, provocou forte repercussão política no Rio Grande do Norte e rapidamente passou a integrar o discurso de lideranças da oposição à gestão da governadora Fátima Bezerra (PT).
Além de cobrar uma investigação rápida e rigorosa para identificar autores e eventuais mandantes do crime, nomes ligados ao campo oposicionista aproveitaram o episódio para voltar a criticar a política de segurança pública do Estado, relacionando o atentado ao avanço das organizações criminosas no Rio Grande do Norte em meio ao processo eleitoral de 2026.

O ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao Governo do Estado Álvaro Dias (PL) foi quem fez as manifestações mais contundentes. Logo após o atentado, publicou vídeo afirmando que o ataque teria sido promovido pelo crime organizado e questionando até quando a população potiguar continuará convivendo com episódios dessa natureza.
Segundo Álvaro, o poder público estaria se omitindo diante da atuação das facções criminosas. Ele afirmou que “o crime organizado tem de ser combatido de frente, com rigor, com força”, defendendo uma atuação mais enérgica do Estado no enfrentamento à criminalidade. Também declarou que “não é normal um estado onde quem enfrenta o crime apanha e quem trabalha morre”, atribuindo o episódio a falhas na segurança pública.
Posteriormente, já no Hospital Regional da Polícia Militar em Mossoró, onde Cabo Deyvison está internado, Álvaro gravou um segundo vídeo ao lado do vereador ferido. Na ocasião, voltou a cobrar uma apuração rigorosa do atentado e afirmou que solicitará ao Partido Liberal articulação para que a Polícia Federal também participe das investigações.
O ex-prefeito disse ser necessário “agilizar também uma apuração rigorosa pela Polícia Federal, no sentido de esclarecer e elucidar esse crime covarde”, além de cobrar providências da Polícia Civil e do Governo do Estado. Ainda voltou a afirmar que o combate ao crime organizado não tem sido eficaz e declarou que continuará cobrando a responsabilização dos envolvidos.
O presidente estadual do PL, senador Rogério Marinho, divulgou nota classificando o episódio como um atentado criminoso que chocou a sociedade potiguar. O parlamentar manifestou solidariedade a Cabo Deyvison, aos familiares e amigos de Alyson Dyego e afirmou que “as circunstâncias e motivações do crime precisam ser esclarecidas com absoluta urgência”.
Na mesma nota, Rogério afirmou que a sociedade do Rio Grande do Norte exige respostas e cobrou uma atuação “firme, rápida e exemplar” das forças de segurança para capturar os responsáveis e identificar autores, executores e eventuais mandantes do crime. O senador também declarou que “o Governo do Estado precisa se posicionar de forma clara diante de mais esse episódio que evidencia o avanço da insegurança e da ousadia das organizações criminosas em nosso estado”.
Outro nome do PL que se manifestou foi o pré-candidato ao Senado Coronel Hélio. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele atribuiu o atentado ao crime organizado e afirmou que o episódio demonstra que as facções “perderam qualquer limite”, aterrorizando policiais e cidadãos comuns. Defendeu leis mais duras e endurecimento no combate à criminalidade, afirmando que “chega de passar a mão na cabeça da bandidagem”.
O senador Styvenson Valentim (Podemos), pré-candidato à reeleição, também utilizou o episódio para direcionar críticas ao governo estadual. Em vídeo divulgado nas redes sociais, afirmou que havia observado manifestações de solidariedade de diversos políticos, mas acusou parte delas de hipocrisia.
Styvenson relembrou o debate eleitoral de 2022 e voltou a afirmar que havia questionado a governadora Fátima Bezerra sobre o enfrentamento às facções criminosas. O senador retomou críticas antigas sobre a atuação do Estado diante do avanço dessas organizações e disse que o governo teria falhado no combate ao crime organizado.
Durante a manifestação, Styvenson relacionou o atentado à insegurança pública no Estado, criticou os investimentos do governo em publicidade institucional e afirmou que “era para ter feito antes” ações mais efetivas de enfrentamento às facções criminosas. Também prestou solidariedade ao vereador e à família do assessor morto.
As manifestações da oposição ocorreram horas depois do atentado registrado em frente à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Alto de São Manoel, em Mossoró. Cabo Deyvison foi atingido nas pernas durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, enquanto acompanhava uma mulher e uma criança atendidas na unidade. O assessor Alyson Dyego, que fazia a filmagem, foi baleado e morreu após ser socorrido.
Segundo a Polícia Civil, uma das linhas de investigação considera que o vereador era o alvo dos disparos e apura eventual relação do crime com denúncias feitas pelo parlamentar sobre atuação de facções criminosas na cidade. A polícia confirmou ainda que armamento de uso restrito foi utilizado na ação.
Repercussão
Enquanto a oposição concentrou críticas à segurança pública estadual, integrantes da base governista e outras lideranças políticas adotaram tom mais institucional em suas manifestações.
Adversário político de Cabo Deyvison, o ex-prefeito de Mossoró e pré-candidato ao Governo do Estado Allyson Bezerra (União) manifestou solidariedade ao vereador e aos familiares de Alyson Dyego, repudiou o ato de violência. “E espero que as autoridades competentes conduzam uma investigação rigorosa para esclarecer os fatos, identificar os responsáveis e garantir que sejam punidos com o rigor da lei”, destacou Allyson.
Já o prefeito de Mossoró, Marcos Medeiros (Republicanos), divulgou nota oficial lamentando profundamente a morte do assessor, desejando plena recuperação ao vereador e afirmando que repudia toda forma de violência. O gestor também defendeu investigação célere e rigorosa para que o crime seja esclarecido e os responsáveis punidos.
Pré-candidato ao Governo do Estado pelo PT, o ex-secretário da Fazenda Cadu Xavier afirmou receber “com profunda indignação” a notícia da tentativa de assassinato e da morte do assessor, classificando o episódio como um ato criminoso e covarde que “não atinge apenas uma liderança política, mas agride a democracia e o direito à vida”. Também manifestou solidariedade às vítimas e defendeu investigação rápida, rigorosa e exemplar para responsabilização dos envolvidos.
A governadora Fátima Bezerra, por sua vez, informou que cancelou sua participação em um evento em João Câmara logo após tomar conhecimento do atentado e realizou reunião on-line com toda a cúpula da Secretaria de Segurança Pública. Segundo ela, foi determinado “empenho total das forças de segurança” para garantir uma resposta rápida ao caso e assegurar investigação rigorosa conduzida pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Em nota, Fátima afirmou ainda que continuará acompanhando o trabalho das forças policiais “para garantir que aqueles que desafiam o Estado e atentam contra a vida sejam responsabilizados e levados à Justiça”.