Parlamentares da oposição na Câmara dos Deputados informaram que irão protocolar um novo pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. A iniciativa ocorre após o magistrado solicitar a inclusão do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) no chamado inquérito das fake news.
A movimentação foi confirmada por meio de nota assinada pelo deputado federal Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara. No documento, o parlamentar afirma que o caso ultrapassa um episódio isolado e representa um precedente preocupante. “O que está em jogo aqui não é um caso isolado. É um precedente grave. Um ex-chefe do Poder Executivo estadual passa a ser alvo de investigação por expressar opinião política. A crítica institucional, elemento essencial da democracia, passa a ser tratada como infração”, diz o texto.

O grupo também sustenta que a medida adotada por Gilmar transmite um recado negativo à sociedade. Segundo os deputados, “a mensagem é perigosa: criticar pode custar caro”. A nota acrescenta ainda que “a Liderança da Oposição reafirma que liberdade de expressão não pode ser relativizada. E muito menos criminalizada”.
Na segunda-feira, Gilmar Mendes encaminhou uma notícia-crime ao também ministro do STF Alexandre de Moraes, pedindo a abertura de investigação contra Zema. O pedido tem como base a publicação de um vídeo em que o ex-governador satiriza decisões da Corte, material que ele próprio classificou como “absurdo” no contexto da reação à iniciativa judicial.
No mesmo período, durante as celebrações do feriado de Tiradentes — referência à Inconfidência Mineira —, Zema voltou a defender “liberdade” e afirmou que “a luta dos inconfidentes não acabou”, reforçando o tom político de suas manifestações públicas.
A notícia-crime apresentada por Gilmar foi confirmada junto ao gabinete do ministro. O conteúdo que motivou a ação, divulgado em março, utiliza representações em formato de fantoches para retratar integrantes do STF. Em uma das cenas, o ministro Dias Toffoli aparece solicitando ao personagem que representa Gilmar a suspensão da quebra de seus sigilos, medida determinada pela CPI do Crime Organizado. Em contrapartida, o boneco de Gilmar pede “uma cortesia” em um resort associado a investigações relacionadas ao Banco Master.
O empreendimento citado no vídeo é o Tayayá, que já teve familiares de Toffoli como proprietários e figura em apurações ligadas ao escândalo financeiro. No pedido encaminhado a Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes sustenta que o material compartilhado por Zema “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”.