A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira 1º uma operação de busca e apreensão contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB), investigado por supostas irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para a oferta de internet gratuita por meio de pontos de Wi-Fi na cidade.
O principal alvo da ação é o instituto presidido por Karina Ferreira da Gama, que também comanda a produtora Go UP Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

As diligências ocorreram na sede da produtora, em imóveis ligados à empresária e também na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. A operação foi autorizada pela Vara de Garantias do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
Segundo a Polícia Civil, a investigação apura os crimes de frustração do caráter competitivo de licitação, fraude na execução de contrato administrativo e emprego irregular de verbas públicas. O inquérito teve origem em pedido do Ministério Público.
De acordo com os investigadores, há suspeitas de que o instituto tenha sido contratado de forma irregular, por valores acima dos praticados no mercado, e que parte dos pagamentos tenha ocorrido sem a efetiva prestação dos serviços. A polícia também apura a hipótese de desvio de recursos públicos e possível utilização de parte dos valores na produção do filme sobre Bolsonaro.
Em nota, a Polícia Civil informou que os mandados tiveram como objetivo recolher documentos físicos e digitais, equipamentos eletrônicos, registros financeiros e outros materiais que possam contribuir para o avanço das investigações. Não houve prisões.
Policiais estiveram ainda na residência de Karina Ferreira da Gama, na Vila Brasilândia, zona norte da capital paulista, além de outros endereços vinculados à empresária.
No fim de maio, a Folha de S.Paulo revelou que a polícia havia solicitado à Justiça acesso aos dados financeiros de Karina e da Go UP Entertainment como parte das apurações.
Karina nega qualquer ligação entre os recursos utilizados na produção de “Dark Horse” e verbas públicas ou privadas provenientes do Brasil. Ela também afirma que o contrato com a prefeitura seguiu todos os procedimentos legais e não possui relação com o projeto cinematográfico.
A Prefeitura de São Paulo informou que está colaborando com as autoridades e já disponibilizou todas as informações solicitadas. Segundo a administração municipal, os documentos referentes ao contrato são públicos e podem ser consultados por meio da prestação de contas do município.
A gestão do prefeito Ricardo Nunes afirmou ainda não ter identificado irregularidades na execução dos serviços. De acordo com a prefeitura, dos 3.200 pontos de Wi-Fi previstos no contrato, apenas 52 estavam fora de operação nesta segunda-feira, em manutenção.
Em nota, o município declarou que a contratação do Instituto Conhecer Brasil observou os princípios da legalidade, transparência e economicidade e acrescentou que, quando o chamamento público foi realizado, em 2024, “não havia sequer produção do filme mencionado”.