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Cultura Potiguar
O conceito Brunno Vini de ser
“Bicha preta”, como se auto declara, o jovem de apenas 20 anos já é um rosto conhecido na cena cultural potiguar. Em entrevista, Brunno conta como a arte é revolução e fruto da própria trajetória de vida como homem negro e gay
Nathallya Macedo
30/06/2020 | 06:00

A arte muda narrativas, eleva experiências e transforma cotidianos – tanto para aqueles que só consomem as produções artísticas quanto para os que vivem de cultura. Brunno Vini, de 20 anos, é testemunha deste processo. Desde cedo, o jovem enxerga a oportunidade de motivar e representar a existência de muitos. “Já fui chamado de versão preta e pior de outra pessoa. Foi aí que percebi que precisava falar sobre tais questões”, revelou.

Nascido no Tocantins, Brunno mora em Natal há 14 anos. “Minha mãe já foi rainha de bateria e meu pai, cantor de pagode. Cresci em um ambiente cheio de música, o que me induziu a querer ser artista”, relembrou. Ele, então, iniciou uma jornada de influenciador digital. “Tudo começou no Snapchat. Eu vivia fazendo brincadeiras por lá e meus amigos adoravam. Depois, migrei para os stories do Instagram e agora estou também criando conteúdo no TikTok”.

O primeiro vídeo que repercutiu no aplicativo, aliás, teve mais de 1 milhão de visualizações. “A gravação mostra minha formatura de ensino médio. Era uma escola católica e regrada, mas performei com um terno vermelho de veludo e com a bandeira da comunidade LGBTQIA+”. Depois disso, Brunno começou a publicar alguns vídeos engraçados e outros que abordam temáticas importantes.

“Eu sempre soube que era gay, só não entendia de fato. Quando o meu período real de descobrimento chegou, minha mãe me apoiou. Teve drama e discussão, claro, ela vem de uma criação conservadora. Mas, depois de um tempo, me aceitou e hoje em dia compra até maquiagem para mim. Sou muito grato pela aceitação dentro de casa, porque sei que há homofobia do lado de fora. E é por isso que tento passar a ideia de amor próprio para os meus seguidores. Precisamos cuidar uns dos outros”, afirmou.

Vinichella

Em 2018, a cantora estadunidense Beyoncé fez história ao se tornar a primeira mulher negra headliner (atração principal) do festival Coachella, realizado na Califórnia desde 1999. O show, marcado pela ancestralidade negra, virou documentário, teve enorme relevância e foi rebatizado pelos fãs, passando a se chamar “Beychella”. Grande admirador da cantora, Brunno resolveu se inspirar no evento.

“Em 2019, fui convidado para me apresentar em um bar de Natal. Era novembro, mês da Consciência Negra, e eu já estava esgotado por causa de episódios de preconceito. Decidi que passaria uma mensagem sobre racismo estrutural na sociedade. No repertório, tinha muita música da Beyoncé. Com o sucesso da apresentação, surgiu o convite para participar de um evento em fevereiro deste ano – o Bloquíssimo, que contou também com um show de Pabllo Vittar. Essa segunda performance virou o ‘Vinichella’. Tive a ajuda de 32 dançarinos e foi incrível. Passamos uma mensagem representativa sobre diversidade, ou seja, foi um forte grito de resistência. Queremos ocupar espaços que também nos pertencem”, celebrou. O ‘Vinichella’ está disponível no YouTube e nas redes sociais (@brunno_vini).

Futuro

Atualmente cursando teatro na UFRN, o jovem artista exerce diversas vertentes: além de performer, é DJ, ator e dançarino. “Respiro arte e acredito que vem de dentro. Ainda assim, aprendo na faculdade todas as perspectivas técnicas do meu trabalho”. Recentemente, Brunno começou a estudar canto para um futuro projeto musical. “Estou em busca de entender meu estilo, minha identidade sonora e visual”, contou.

Entre várias metas, Brunno almeja alcançar um público cada vez maior. “Quero discutir sobre assuntos essenciais, seja na internet, através de música, filme ou programa de TV. Planejo falar sobre as bichas pretas e, consequentemente, aprender mais sobre o meu próprio mundo. Temos tantos talentos locais, inclusive artistas pretos incríveis, que só precisam de visibilidade. Vamos valorizar e ressignificar”.

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