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Entrevista
Cenário da educação nunca mais será o mesmo, avalia diretor da Escola Legislativa da ALRN
Pprofessor João Maria de Lima ala sobre os impactos da pandemia do novo coronavírus nas atividades escolares e também do futuro das atividades da Escola Legislativa no Rio Grande do Norte
Redação
17/09/2020 | 05:17

“Não tenho dúvidas de que o cenário nunca mais será o mesmo. Contudo, migrar para o ensino a distância requer tempo, planejamento”, avalia o professor João Maria de Lima, ao falar sobre os impactos da pandemia do novo coronavírus nas atividades escolares. Atual diretor da Escola do Legislativo da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, ele é um dos nomes mais respeitados do setor de educação potiguar.

Para João Lima, com planejamento e cumprimento de protocolos sanitários, as escolas privadas de Natal – que retomaram atividades de aulas após seis meses de espera – mostraram que a retorno dos alunos às salas de aula pode acontecer com segurança.

Em entrevista ao Agora RN, João Maria Lima critica a rede pública de ensino – Estado e municípios – por não ter tomado ações de planejamento para a reabertura das escolas espalhadas por todo o Rio Grande do Norte. “Faltou ação. Lamento profundamente. Essa será mais uma marca negativa na educação pública brasileira. O assunto não foi tratado com a seriedade que merece”, reclama.

AGORA RN – Como vê o setor da educação no atual contexto da pandemia? Estamos prontos para retomada das atividades presenciais?

JOÃO MARIA DE LIMA – Essa pergunta é muito ampla, por isso vou dividir minha resposta. No âmbito das escolas públicas, infelizmente não há garantias de que a volta dos estudantes seja segura. Isso porque a rede nunca apresentou um plano de retomada.

Quando mais se precisou de políticas públicas, viu-se que o Estado não estava preparado. Faltou ação. Lamento profundamente. Essa será mais uma marca negativa na educação pública brasileira. O assunto não foi tratado com a seriedade que merece.

Discutiu-se a volta de tudo, menos das aulas presenciais. Não é por acaso que nossos índices de educação estão lá embaixo. E isso não é um problema só do governo, mas de toda a sociedade, que se omite.  Já no cenário das escolas privadas, não tenho dúvidas de que a volta às aulas presenciais será segura. Basta ver os lugares que reabriram respeitando os protocolos de segurança.

AGORA RN – O que a pandemia vai deixar de aprendizado? As tecnologias de EAD chegaram para ficar?

JML – Não tenho dúvidas de que o cenário nunca mais será o mesmo. Contudo, migrar para o ensino a distância requer tempo, planejamento. Tudo o que as escolas não tiveram. O que foi feito, na maioria dos casos, foi ensino remoto. As aulas aconteceram como se fossem presenciais, com ferramentas digitais.

E isso era tudo o que poderia ser feito no momento. Mas não se pode pensar que está tudo resolvido. É necessário fazer uma avaliação diagnóstica para ver o quanto foi assimilado. Para implementar educação a distância, é preciso investir nessa modalidade, que requer metodologias, estratégias específicas e profissionais capacitados para tal. E isso não advém do dia para noite.

AGORA RN – Como a escola da AL atuou no contexto da pandemia? Que projetos serão feitos a partir de agora? Quais os projetos para o futuro?

JML – A escola da Assembleia, como não poderia deixar de ser, também sofreu os impactos da pandemia. Tínhamos previsto mais de 150 atividades presenciais, entre cursos, oficinas e palestras.

Tivemos de nos adaptar e, por determinação do presidente da Casa, deputado Ezequiel Ferreira, focamos no treinamento dos servidores da Assembleia, com o objetivo de preparar nossos colaboradores para o cenário entre e pós-pandemia. Até hoje ofertamos 24 cursos próprios de forma remota e mais 18 em parceria com o Interlegis, o Instituto Legislativo Brasileiro.

A Escola acaba de ser recredenciada pelo Conselho Estadual de Educação, o que garante que nossas pós-graduações lato sensu continuem tendo validade nacional. Para o próximo ano, queremos ampliar nossa oferta de vagas de mestrado em parceria com a UFRN e oferecermos a nossos servidores um doutorado. A gestão do presidente Ezequiel tem priorizado a formação e capacitação dos servidores, condição básica para servir bem à sociedade.

AGORA RN – O senhor atua na instalação de outras escolas do legislativo nas câmaras do RN? Como é feito este trabalho?

JML – Todos nós sabemos que servidores públicos bem capacitados ofertarão um melhor retorno à sociedade. O que fizemos foi transpor os limites de atuação no Poder Legislativo Estadual, com o objetivo de levar informação e conhecimento sobre formação política e capacitação pessoal e profissional a diversas regiões do Estado Rio Grande do Norte, promovendo ciclos de debates, palestras e cursos em parceria com as associações representativas dos Poderes Legislativos Municipais.

Para isso, a Escola da Assembleia criou o projeto “Conexão Parlamento”, a fim de incentivar as Câmaras municipais a buscarem capacitação a seus servidores e aos parlamentares. Uma das premissas da Escola da Assembleia é promover conhecimento a todas as instituições parceiras. Nesse caso, estamos colocando à disposição destas o que temos de melhor, fortalecendo os poderes e favorecendo o cidadão, que está lá na ponta.

E deu certo: somente de setembro de 2019 a março de 2020, atingimos a marca de 30 escolas legislativas no RN, o que faz do nosso estado o primeiro, proporcionalmente falando, em números de escolas desse tipo. Antes disso, só tínhamos 3. Em parceria com a Federação das Câmaras Municipais (FECAM), fomos a vários municípios levando cursos e mostrando a importância de eles terem a sua própria escola.

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