O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) disse ser alvo de “ataques unilaterais” e declarou que há, no campo bolsonarista, pessoas que “se acham mais Bolsonaro do que o próprio Bolsonaro” e que se tornaram “experts em afastar as pessoas”.
A declaração, dada em entrevista ao jornal O Globo publicada nesta sexta-feira 17, ocorre em meio à pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, da qual Nikolas tem participado.

Ao comentar as pesquisas que apontam Flávio Bolsonaro à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno, o deputado avaliou que o cenário eleitoral tende a ser definido mais pela rejeição do que pela aprovação dos candidatos.
Segundo ele, “quanto mais um candidato for reprovado, mais a chance do outro de ir à vitória”.
Nikolas atribuiu o desempenho do senador tanto à construção política quanto ao desgaste do governo.
“O Flávio surpreendeu, no âmbito de trato, de conseguir fazer boas alianças, palanques nos estados”, disse, acrescentando que “os erros do Lula contribuem muito” para esse cenário.
Ao abordar a estratégia da campanha, o deputado defendeu a divisão de funções entre os apoiadores.
“Cada um tem um papel e eles se complementam”, afirmou, comparando a atuação política a um time de futebol.
Ele ressaltou que sua prioridade é ampliar o alcance da mensagem, especialmente entre eleitores ainda não convencidos.
“Pregar para convertido é mais simples. Agora, alcançar aqueles que ainda não foram convencidos a votar no Flávio é o trabalho mais difícil”, declarou.
Nesse contexto, fez críticas a setores da direita que, segundo ele, focam apenas na base já consolidada e resistem a outras estratégias.
“Tem alguns que se tornaram experts em afastar as pessoas”, disse.
Para Nikolas, não há problema em quem atua reforçando o nome do candidato, desde que não critique outras abordagens.
“O problema é quando querem que todo mundo faça campanha da mesma forma”, acrescentou.
Questionado sobre críticas públicas feitas pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o parlamentar evitou citá-lo diretamente, mas reafirmou que não promoveu conflitos.
“Isso não é uma briga, é um ataque unilateral”, afirmou. Ele também questionou: “Qual post meu eu tenho atacando filho, esposa ou o próprio Bolsonaro?”.
Segundo Nikolas, sua postura sempre foi de lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ).
“Eu sou extremamente leal às ideias que o Bolsonaro carrega”, disse, acrescentando que, em encontro recente, ouviu do ex-presidente: “Fique em paz, estou contigo”.
O deputado também ironizou acusações de que estaria manipulando algoritmos de redes sociais contra a família Bolsonaro. “Sou o técnico do algoritmo”, afirmou, em tom de deboche.
Apesar das divergências, disse manter respeito por Eduardo Bolsonaro. “Sou muito grato a ele por tudo que fez por mim. Minha resposta sempre foi silêncio e trabalho”, declarou, acrescentando que lamenta o distanciamento do ex-deputado de sua família.
Ao comentar eventuais ataques envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), Nikolas adotou cautela. “Lamento. Eu acho que é muito ruim atacar, se isso ocorreu”, afirmou, destacando que evita se envolver em questões pessoais.
Disse ainda que mantém uma relação cordial com Michelle e reconhece seu papel na trajetória de Jair Bolsonaro.
“Eu admiro e gosto muito dela e acho que ela tem um papel fundamental com o Bolsonaro no sentido da aproximação dele com a fé”, declarou.
Nikolas também reconheceu a existência de conflitos internos na direita, mas afirmou que evita alimentá-los.
“Tenho. Ninguém não tem atrito dentro de casa”, disse, acrescentando que prefere não focar nesses embates para preservar o projeto político.
“Me mantenho em silêncio para preservar algo maior, que é a própria direita, o próprio Bolsonaro”, afirmou.
Sobre eventual disputa por protagonismo, o deputado rejeitou a ideia de que esteja buscando liderança. “Nunca me coloquei na posição ‘eu mando nisso aqui’”, disse, ressaltando que acredita em hierarquias e que pretende servir ao país dentro de sua função atual.
Em relação ao futuro político, Nikolas admitiu interesse no Executivo, mas indicou que ainda não considera o momento adequado. “O Executivo algum dia vai ser inexorável na minha vida”, afirmou.
Ele explicou que ainda precisa consolidar uma base política mais ampla antes de disputar cargos majoritários e projetou uma possível candidatura ao Governo de Minas Gerais a partir de 2030.
Por fim, ao comentar o cenário mineiro, avaliou que uma eventual composição com o governador Romeu Zema (Novo-MG) como vice em uma chapa presidencial poderia fortalecer o projeto.
“Eu acho que soma. Minas é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil. O Zema traz essa imagem de gestão, de seriedade”, afirmou.