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Saúde

Motociclista perde o baço após acidente na Avenida Salgado Filho

Vicente Linhares afirma que precisará de acompanhamento médico permanente e fisioterapia; família cobra responsabilização dos envolvidos
Redação
18/06/2026 | 05:21

O técnico em manutenção Vicente Linhares Andrade, de 49 anos, voltou para casa após passar mais de uma semana internado em decorrência do acidente registrado na Avenida Senador Salgado Filho, em Natal, no último dia 7. Ainda com curativos pelo corpo e dificuldades para movimentar os braços, o motociclista afirmou que a sobrevivência ao acidente foi um “milagre” e relatou que continuará enfrentando consequências permanentes em sua saúde.

Vicente foi a principal vítima da colisão envolvendo sua motocicleta e dois carros. Segundo relatos iniciais, os veículos estariam participando de um suposto racha na via. O impacto destruiu completamente a motocicleta, que pegou fogo após a colisão. O motociclista sofreu ferimentos graves, passou por cirurgia e precisou retirar o baço — órgão localizado na parte superior esquerda do abdômen e que atua como uma espécie de filtro do sangue.

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Impacto da colisão destruiu a motocicleta de Vicente Linhares, que pegou fogo após a batida na Avenida Salgado Filho - Foto: Reprodução

Em entrevista à TV Tropical após retornar para casa, Vicente falou sobre a recuperação. “Foi um milagre, e graças a Deus, ele, na hora, enviou uma ambulância passando ali perto para me socorrer”, declarou.

Apesar da alta hospitalar, ele afirmou que ainda enfrenta limitações físicas e precisará de acompanhamento médico contínuo. “Vou precisar fazer fisioterapia no braço, que eu não estou conseguindo levantar direito. A funcionalidade dele não está muito boa. E quanto à questão do meu baço, vou ter que ficar tomando vitamina direto, porque minha imunidade não pode baixar”, afirmou.

Logo após o acidente, Vicente foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. Durante o atendimento médico, foram identificadas lesões internas que exigiram cirurgia de urgência. Posteriormente, ele foi transferido para uma unidade hospitalar da rede privada.

Família cobra assistência e responsabilização

Familiares afirmaram que os envolvidos no acidente não prestaram assistência à vítima após a colisão. A declaração contrasta com informações divulgadas anteriormente pela defesa de um dos condutores, segundo a qual haveria disposição para prestar apoio ao motociclista.

Segundo a família, o único contato realizado ocorreu para tratar de eventuais danos materiais à motocicleta. “Essa pessoa, em momento algum, deu assistência ao meu irmão. Na verdade, no contato que ele teve com o meu irmão foi para perguntar se tinha seguro na moto e ele pagaria a franquia. Foi a única coisa que ele se responsabilizou”, afirmou Wanderson Linhares, irmão da vítima.

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Vicente Linhares recebeu alta e segue em recuperação das graves lesões – Foto: Reprodução

Vicente também relatou que tem contado apenas com o apoio de familiares, amigos e colegas durante a recuperação. “Dependo da minha família, dos amigos da empresa que eu trabalho. Dos médicos que eu conheço que me ajudam, mandam remédio, uma coisa ou outra. E da parte dele, não me ajudou em nada até agora”, disse.

A família defende que os responsáveis sejam indiciados por lesão corporal de natureza grave. “Meu irmão está vivo por um milagre. Ele poderia não estar aqui presente. O que a gente espera, no mínimo, é que essas pessoas sejam indiciadas, pelo menos por lesão corporal de natureza grave”, afirmou Wanderson.

“Só escutei a batida atrás”

Vicente também relembrou os momentos do acidente, registrado por câmeras e amplamente compartilhado nas redes sociais. As imagens mostram a violência da colisão e a motocicleta em chamas após o impacto. Segundo ele, tudo aconteceu em questão de segundos.

“Na hora eu vinha na minha moto, trafegando pela Salgado Filho, quando de repente só escutei a batida atrás, aquele estrondo. Não escutei se vinha carro rápido… Só escutei aquela batida rápida, quando me vi sobrevoando pela lateral do carro. Eu acho que bati na mureta da lateral da pista e caí no asfalto. Aí eu tentei me levantar, o meu braço direito não deixou. Eu me deitei no chão e disse: ‘Deus, cuida de mim’”, relatou.

O motociclista contou que só teve dimensão da gravidade do acidente dias depois, quando assistiu às imagens. O caso segue sendo investigado pelas autoridades. A família informou anteriormente que uma reunião entre familiares, a delegada responsável pela investigação e representantes da defesa dos envolvidos deverá ocorrer para discutir os próximos encaminhamentos e o andamento do inquérito.