O deputado estadual Coronel Azevedo (PL) elogiou a atuação das forças de segurança do Estado e a integração entre as polícias do Rio Grande do Norte e do Ceará no caso do atentado que matou o assessor parlamentar Alyson Dyego de Oliveira Morais e feriu o vereador de Mossoró e pré-candidato a deputado federal Cabo Deyvison (PL).
Em entrevista à 97 FM nesta quarta-feira 17, o deputado de oposição enfatizou que a resposta policial — que já resultou na prisão de quatro pessoas — foi rápida e eficiente, resultado da cooperação entre os dois estados.

“Entrei em contato com o secretário de Segurança Pública [coronel Francisco Canindé de Araújo Silva] para parabenizar a atuação das forças de segurança. Houve uma integração muito importante entre a Polícia Militar do Rio Grande do Norte e a Polícia Militar do Ceará, que permitiu a prisão dos suspeitos”, afirmou o parlamentar.
O parlamentar, que foi comandante-geral da Polícia Militar em 2017, ressaltou que a captura dos investigados só foi possível graças à atuação conjunta das corporações. “Imagino que tenha havido algum tipo de interação com a Polícia do Rio Grande do Norte. Por isso, parabenizo a polícia cearense e a polícia potiguar pelo trabalho realizado”, declarou.
Na sequência, o deputado afirmou que, agora, o esforço policial precisa avançar para além da prisão dos executores, alcançando também os responsáveis intelectuais pelo atentado.
Ele citou que a Polícia Militar tem informações sobre uma transferência via Pix de R$ 10 mil encontrada em um dos celulares apreendidos com os suspeitos de envolvimento com o crime. Para Azevedo, o fato deve ser esclarecido pela polícia para identificar eventual ligação com os mandantes do atentado.
“Esperamos saber quem mandou esse Pix e qual a relação dele com esse crime. Espero que a Justiça seja feita com muito critério e muita técnica”, afirmou.
A posição de Coronel Azevedo contrasta com manifestação sobre o caso feita pelo pré-candidato do PL ao Governo do Estado, Álvaro Dias. Logo após o ataque contra Deyvison e seu assessor, o ex-prefeito de Natal disparou críticas contra a gestão da governadora Fátima Bezerra e acusou o governo de omissão.
“O Governo do Estado tem de parar de se omitir. Tem de atuar, tem de fazer com que a segurança e a tranquilidade retornem ao nosso estado. Já basta de omissão, já basta de deixar o crime organizado atuar, assassinar, roubar, sem que o Governo do Estado tome as providências devidas e necessárias para acabar e mudar essa situação”, afirmou Álvaro, em vídeo nas redes sociais.
Em outra publicação pouco tempo depois, desta vez um vídeo gravado ao lado de Deyvison em um leito de hospital, o ex-prefeito voltou a criticar o governo e pediu que as investigações sobre o atentado tivessem a participação da Polícia Federal. “Tudo faremos para combater o crime organizado que não tem tido um combate eficaz por parte do Governo do Estado”, destacou Álvaro.
Diferentemente de Álvaro Dias, Coronel Azevedo — embora tenha feito duras críticas ao atual governo em outros temas, como área fiscal e programas voltados ao sistema prisional — reconheceu, nesta quarta-feira, avanços na segurança pública no atual governo, citando a realização de concursos públicos para reforçar os efetivos das forças policiais.
O deputado observou que a recomposição dos quadros da Polícia Militar e da Polícia Civil promovida nos últimos anos é importante para fortalecer o combate à criminalidade, embora tenha atribuído parte dos investimentos recentes em equipamentos à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“O que houve, realmente, foi um acréscimo em relação a concurso público. Mas é uma necessidade. Não existe sociedade sem polícia. Esses concursos iria haver ou então o Rio Grande do Norte não teria mais Polícia Militar. Nós éramos a polícia com a maior faixa etária do Brasil”, destacou.
Histórico
O atentado contra Cabo Deyvison ocorreu na noite de segunda-feira 15, em frente à UPA do Alto de São Manoel, em Mossoró. Homens armados passaram em um veículo e efetuaram diversos disparos enquanto o vereador fazia uma transmissão ao vivo para as redes sociais. O vereador foi baleado e permanece internado com quadro estável, enquanto seu assessor Alyson Dyego de Oliveira Morais morreu.
Antes do ataque, Deyvison havia denunciado nas redes sociais supostas ameaças de facções criminosas, hipótese que segue sob investigação, embora a Polícia Civil ainda não tenha confirmado ligação entre as denúncias e o atentado.
As investigações avançaram rapidamente e já resultaram na prisão de quatro suspeitos, em uma operação integrada das polícias do Rio Grande do Norte e do Ceará. Dois investigados foram capturados em Beberibe (CE) horas depois e confessaram participação no crime, indicando ainda o local onde estavam escondidos um colete balístico e armamentos.
Outros dois suspeitos foram presos em Mossoró nesta quarta-feira 17, onde também foram apreendidas duas armas que passarão por perícia. A polícia também apura um suposto Pix de R$ 10 mil identificado em um dos celulares apreendidos, mas afirma que ainda é cedo para estabelecer relação entre a transferência, a motivação do atentado ou eventuais mandantes do crime.