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Tungíase

Moradores denunciam surto de bicho-de-pé em ocupação na Zona Norte de Natal

Ocupação com 71 famílias na Zona Norte de Natal convive há cerca de dez anos com falta de infraestrutura, enquanto moradores cobram atuação da atenção básica
Por O Correio de Hoje
08/07/2026 | 14:51

Moradores de uma ocupação localizada no bairro Parque dos Coqueiros, na Zona Norte de Natal, denunciam um surto de tungíase, conhecida popularmente como bicho-de-pé. A comunidade, situada nas proximidades do Hospital Pediátrico Maria Alice Fernandes e da Avenida Tomaz Landim, reúne 71 famílias que convivem, segundo relatos, com casos recorrentes da doença em meio à falta de saneamento básico, coleta regular de lixo e assistência da atenção básica de saúde.

A tungíase é causada pela penetração da pulga Tunga penetrans na pele. A doença provoca dor, coceira e inchaço e, quando não tratada, pode evoluir para complicações. Segundo moradores e voluntários que atuam na região, a incidência da enfermidade é frequente na comunidade.

bicho de pe Copia
Voluntários realizaram atendimentos na ocupação com apoio de podólogos na comunidade em Natal - Foto: Reprodução / TV Tropical

De acordo com os relatos, as famílias vivem em barracos e enfrentam uma infraestrutura precária. Além da ausência de rede de esgoto, moradores afirmam que a coleta de lixo não atende todas as áreas da ocupação. Diante desse cenário, o atendimento à população tem ocorrido, principalmente, por meio de ações promovidas por organizações não governamentais e grupos de evangelização.

Moradora da comunidade, Dona Graça afirma que a maior parte da ajuda recebida vem de ações voluntárias.

“Eles têm até misericórdia de nós, um pouco compaixão, dá um remédio. Quando teve uma ação social, a gente foi bem atendido”, afirmou.

Segundo os moradores, a comunidade existe há cerca de dez anos e os casos da doença são recorrentes. Eles afirmam que a assistência da rede pública de saúde é insuficiente e que dependem, em muitos momentos, da atuação de voluntários para conseguir atendimento.

Integrante de um grupo de evangelização que realiza ações no local afirma que o trabalho desenvolvido busca suprir uma lacuna na assistência. Na última semana, profissionais voluntários, entre eles podólogos e pediatras, estiveram na comunidade realizando atendimentos.

Apesar da iniciativa, moradores e voluntários afirmam que a reincidência dos casos demonstra a necessidade de ações permanentes da atenção básica, voltadas tanto ao tratamento quanto à prevenção. Um dos voluntários relata que o contato com a comunidade revelou problemas que vão além da saúde, como educação.

Além dos casos de tungíase, moradores também relatam dificuldades para conseguir consultas e exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Simone, que vive na ocupação, afirma enfrentar obstáculos para acessar os serviços.

“Sobre a gente ter uma consulta, sobre os médicos, pelo SUS, pode esperar a morte”, declarou.

Os relatos apontam que, segundo os próprios moradores, oito em cada dez pessoas da comunidade já foram infectadas pela doença em algum momento. Eles cobram maior atuação da atenção básica do município, responsável pelos serviços de saúde preventiva e pelo acompanhamento das famílias, além de medidas de infraestrutura que reduzam as condições favoráveis à proliferação do parasita.

A ocupação fica em uma área urbana da capital potiguar, próxima ao Hospital Pediátrico Maria Alice Fernandes e à Avenida Tomaz Landim, uma das principais vias da Zona Norte. Os moradores defendem que ações contínuas de saúde pública, saneamento e limpeza urbana são necessárias para conter a recorrência da doença e melhorar as condições de vida das famílias.