Os países do Mercosul ainda não chegaram a um consenso sobre a divisão das cotas de importação previstas no acordo com a União Europeia, cuja aplicação provisória começa na sexta-feira 1º. O principal impasse envolve a distribuição da cota de carne bovina, considerada estratégica para o bloco.
Pelo acordo, produtos agrícolas terão acesso ao mercado europeu com tarifas reduzidas dentro de limites pré-estabelecidos. No caso da carne bovina, a cota anual é de 99 mil toneladas, com alíquota inicial de 7,5%. O volume deve ser dividido entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o que tem gerado divergências entre os países.

O Paraguai, que ocupa a presidência temporária do Mercosul, defende uma divisão igualitária, com 24,75 mil toneladas para cada integrante. O Brasil, maior produtor e exportador do bloco, contesta a proposta e argumenta que a distribuição deve considerar a capacidade produtiva e o histórico de exportações.
Atualmente, o Brasil exporta carne bovina para a União Europeia dentro de uma cota de cerca de 8,9 mil toneladas, sujeita a tarifa de 20%. Fora desse limite, as alíquotas variam entre 40% e 90%, segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). A entidade defende que a divisão futura leve em conta critérios técnicos, como desempenho e capacidade de fornecimento.
Diante da falta de acordo, negociadores admitem que, na fase inicial, a cota pode ser ocupada por ordem de contratos fechados, sem divisão prévia entre os países. A expectativa é que uma definição mais estruturada ocorra apenas a partir do próximo ano, à medida que o acordo avance em sua implementação.