O debate sobre educação financeira ganha espaço dentro das famílias brasileiras, impulsionado pela necessidade de organizar o orçamento diante do aumento das despesas. No Dia Nacional da Educação, celebrado em 28 de abril, especialistas reforçam que o aprendizado sobre finanças pode começar em casa, com práticas simples e participação de crianças e jovens nas decisões do dia a dia.
Apesar do avanço na conscientização, os dados indicam desafios. Levantamento do Observatório Febraban, realizado pelo IPESPE, aponta que 55% dos brasileiros afirmam ter pouco ou nenhum conhecimento sobre educação financeira. Ao mesmo tempo, o mesmo percentual declara dedicar bastante atenção às finanças pessoais, enquanto 20% ainda acompanham pouco o próprio orçamento.

A inclusão do tema na rotina doméstica é apontada como um dos caminhos para desenvolver hábitos mais sustentáveis. Organizar gastos, planejar despesas e evitar compras por impulso são práticas que podem ser incorporadas no ambiente familiar, contribuindo para que crianças e adolescentes compreendam o valor do dinheiro e desenvolvam disciplina financeira.
Para Sérgio Batista, gerente de análise e planejamento financeiro do Banco Mercantil, o exemplo dentro de casa tem papel central nesse processo. “A educação financeira está diretamente ligada ao comportamento. Quando a família inclui esse tema na rotina, seja ao planejar uma compra ou organizar as despesas do mês, isso contribui para a construção de hábitos mais conscientes. E, se você ainda não tem esse costume, vale começar hoje mesmo a se planejar”, afirma.
Segundo o especialista, a abordagem prática tende a gerar melhores resultados. “Escolhas simples, como pensar antes de gastar ou evitar compras por impulso, já fazem diferença e ajudam a prevenir problemas com dívidas no futuro. Por isso, olhar para os compromissos financeiros com alguns meses de antecedência é um passo importante”, completa.
Medidas como mostrar o orçamento da casa, estabelecer metas de economia e acompanhar despesas contribuem para uma relação mais equilibrada com o dinheiro. Ao longo do tempo, esse aprendizado favorece a formação de reservas financeiras, reduz o risco de endividamento e amplia a capacidade de lidar com despesas imprevistas.