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Copom

Mercado projeta novo corte da Selic em meio à pressão da inflação e alta do petróleo

BC avalia corte da Selic mesmo com inflação elevada e impactos da guerra no Oriente Médio sobre combustíveis
Por O Correio de Hoje
30/04/2026 | 14:07

O Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil decide nesta quarta-feira 29, o novo patamar da taxa básica de juros, em meio a pressões inflacionárias associadas à alta do petróleo no cenário internacional. Apesar do ambiente mais adverso, analistas de mercado projetam um segundo corte consecutivo na Selic, atualmente em 14,75% ao ano, com expectativa de redução de 0,25 ponto percentual, para 14,5%, segundo o boletim Focus.

A decisão ocorre em um contexto de incerteza sobre a inflação. A prévia oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 acelerou para 0,89% em abril, pressionada principalmente por combustíveis e alimentos. No acumulado de 12 meses, o índice atingiu 4,37%, aproximando-se do teto da meta contínua de inflação, fixada em 3% pelo Conselho Monetário Nacional, com intervalo de tolerância de até 4,5%.

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Sede do Banco Central em Brasília, local onde membros do Copom se reuniram para baixar a taxa de juros - Foto: marcelo casal jr / agência brasil

O cenário externo adiciona volatilidade às projeções. O conflito no Oriente Médio tem elevado os preços internacionais de energia, impactando diretamente o custo dos combustíveis no Brasil e ampliando as expectativas inflacionárias. Para 2026, o mercado projeta inflação de 4,86%, acima do limite da meta, o que aumenta a cautela da autoridade monetária na condução da política de juros.

Internamente, o colegiado do Copom enfrenta uma reunião com composição incompleta. Os mandatos de dois diretores expiraram no fim de 2025 e ainda não foram substituídos, além da ausência de um terceiro integrante por motivo pessoal. Ainda assim, a definição da Selic seguirá o rito tradicional, com análise do cenário macroeconômico e deliberação sobre o ritmo de ajuste da política monetária.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do Banco Central do Brasil para o controle da inflação e influencia diretamente o custo do crédito, o consumo e o nível de atividade econômica. Juros mais elevados tendem a conter a demanda e desacelerar os preços, enquanto cortes estimulam o consumo e a produção, com efeitos sobre a dinâmica inflacionária.

Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação, no qual o objetivo é monitorado mês a mês com base no acumulado em 12 meses. Nesse modelo, a autoridade monetária ajusta sua estratégia de forma mais dinâmica, considerando a evolução constante dos indicadores. O próximo Relatório de Política Monetária, previsto para junho, deve trazer novas projeções para inflação e crescimento, especialmente diante dos desdobramentos do cenário internacional.