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Avanço
Meio cearense, meio potiguar: a estratégia vencedora da Brisanet
Atualmente, um dos maiores provedores de internet via fibra óptica do país, segundo a Anatel, não é de hoje que a Brisanet chega antes no interior do que nas capitais para conquistar o mercado nacional
Marcelo Hollanda
18/12/2020 | 06:06

“Pelas beiradas” era a expressão usada antigamente para orientar filhos e netos sobre a melhor forma de comer mingau quente sem queimar a boca.
Desde que a Brisanet invadiu Natal e região metropolitana, em 2019, essa velha e boa lição do passado voltou a mostrar como empresários de qualquer setor podem construir prósperos negócios do zero.

Um dos maiores provedores de internet via fibra óptica do país, segundo a Anatel, não é de hoje que a Brisanet usa essa estratégia de comer pelas beiradas para conquistar o mercado.

A tática tem dado tão certo que explica até a localização da sede da empresa, de onde se comanda os negócios em cinco estados nordestinos – Pereiro, no limite do Ceará com o Rio Grande do Norte.

Ali, olhando por uma das janelas do prédio central, é possível avistar tanto a cidadezinha cearense de pouco mais de 16 mil habitantes, como também São Miguel (RN), com seus 28 mil habitantes.

Nesse enclave, meio cearense e meio potiguar, o fundador José Roberto Nogueira comanda o negócio há 22 anos, juntamente com os sobrinhos João Paulo Estevam e Jordão Estevam. Pode-se dizer que a Brisanet jamais atacou o centro do prato na primeira colherada, embora tenha chegado lá com grande apetite.

Prova disso é que Natal passou conhecer só no ano passado seus produtos e serviços, enquanto Pau dos Ferros, a 333 km da Capital, desde 2011 já era a primeira cidade totalmente fibrada do Brasil graças a Brisanet.

Enquanto os players do negócio se engalfinhavam pelas capitais em todo o país, a empresa fundada pelo cearense José Roberto Nogueira fez exatamente o contrário: criou as condições necessárias para se impor pelo interior, até chegar às capitais. Hoje é assim em Fortaleza, João Pessoa, Maceió e Natal.

Uma estratégia que é a cara a Nogueira, hoje com 55 anos, que migrou para São Paulo ainda muito jovem em busca de coisas novas. Na época, ele não sabia bem quais eram as novidades, só conhecia o lugar onde elas aconteciam: São José dos Campos, o Vale do Silício brasileiro, sede de centros de alta tecnologia como a Embraer, General Motors e Instituto de Pesquisas Espaciais, para ficar nesses poucos exemplos.

A saga do nordestino

Se o paraibano Assis Chateaubriand, fundador dos Diários Associados, foi de analfabeto a advogado em poucos anos e aprendeu a falar alemão sozinho, trancado no quarto, o que impediria um curioso compulsivo como José Roberto, filho de Pereiro, de chegar lá?

Aos 13 anos, o fundador da telecom cearense desmontou o único rádio de pilha da família, onde não havia energia elétrica, para ver como funcionava a geringonça e, dois anos depois, encarou um curso de eletrônica por correspondência no Instituto Universal Brasileiro.

Adaptou asas a uma bicicleta usada para não precisar pedalar. Acabou indo trabalhar na Embraer por tempo suficiente para pensar em novos modelos de negócio para seu interior.

A partir de torres e antenas para levar internet via rádio para as casas do sertão, a Brisanet desenvolveu tecnologia e uma capacidade de produzir equipamentos que levassem o seu sinal aos locais mais remotos do semiárido.

No detalhe, a coisa toda começou mais ou menos assim

Antes de trabalhar na Embraer, montando painel de aviões, José Roberto vendia roupas, passando para eletrônicos até reunir o capital e abrir uma loja de manutenção de computadores em 1989.

Desse negócio, nos primórdios da informática doméstica e da internet no Brasil, saiu o insumo para o projeto da Brisanet em São Paulo. Mas Pereiro, na divisa do Ceará com o RN, foi escolhido para abrigar a primeira sede da empresa.

Quando a internet comercial no Brasil finalmente engrenou, em meados dos anos de 1990, a Brisanet já tinha planos de arrastar a conectividade pelas ondas do rádio para comunidades completamente desprezadas pelas grandes corporações da área.

Hoje, com mais de 300 colaboradores em Natal, a empresa soma acima de 5.500 funcionários pelo Nordeste. E o plano sempre foi o mesmo: tomar conta do segmento da fibra óptica para internet e TV paga até o ano que vem, sendo que neste momento acaba de expandir os serviços para Maceió, capital de Alagoas.

Eleita a líder em satisfação em pesquisa realizada pela Anatel pelo terceiro ano consecutivo no Nordeste, além de acumular vários prêmios, a Brisanet já colocou na prateira os de Empreendedor do Ano 2017, Endeavor; Prêmio Veja-Se na categoria ‘Inovação da revista Veja e o Trip Transformadores, que desde 2007 elege todos os anos os homens e mulheres com histórias inspiradoras e que usam seus talentos para defender e reverberar causas importantes para transformar o mundo.

Moral da história: a Brisanet provou que a estratégia dos antigos de provar a mingau pelas beiradas ainda é a melhor maneira de disputar espaço com gigantes da telecom e se dar bem.

A prova é que hoje a empresa mantém uma infraestrutura de rede de fibra óptica própria de mais de 50 mil quilômetros e conecta desde cabos submarinos que chegam da Praia do Futuro, em Fortaleza, a um número expressivo de regiões distantes no Nordeste, democratizando internet, TV a cabo, telefonia fixa e móvel.

Meta é chegar em todas as cidades do Nordeste

Agora RN: Agora que a Brisanet, a empresa que o senhor fundou, está em cinco estados nordestinos (AL, CE, PB, PE e RN), quais são os planos?
José Roberto Nogueira:
A meta plantar nossa bandeira em todo o Nordeste por meio da Agility Telecom, rede de franquias do grupo, por meio da qual a meta é conectar todas as pequenas cidades nordestinas, do interior ao litoral.

Agora RN: E depois?
José Roberto:
Com paixão ser a maior operadora de internet banda larga do país, reconhecida internacionalmente. O que é uma boa briga, já que a Brisanet é genuinamente nordestina e a maior de capital nacional. Nós queremos a nossa marca, contribuindo com o desenvolvimento tecnológico das regiões carentes de oportunidades e investimentos por meio da inclusão digital, movimentação da economia e geração de empregos.

Agora RN: Qual, na sua opinião, é o grande diferencial da empresa?
José Roberto:
Eu diria que a Brisanet se destaca por levar internet 100% fibra óptica às cidades de atuação, sendo, portanto, uma das poucas a oferecer este tipo de conexão no mercado de telecom.

Agora RN: E o custo-benefício dessa estratégia é boa?
José Roberto:
Em boa parte das cidades atendidas pela Brisanet, os valores ofertados são competitivos. Além disso, a empresa também oferta, em muitas cidades, a opção de cesta de serviços (combo), onde o cliente contrata não só internet, mas também os serviços de tv e telefonia fixa, o que ocasiona em desconto e muitas outras vantagens para o assinante. E a prova de que está dando certo é a nossa base de 356.000 clientes em dezembro do ano passado e crescendo.

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