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Alesp
‘Me sinto enojada’, diz Isa Penna sobre assédio sexual de Fernando Cury
Em entrevista à CNN Brasil, a deputada afirmou que assédio é uma 'constante' nos espaços políticos de poder e que homens agem como se fossem 'deuses, autoridades inatingíveis pelo povo'
Estadão
18/12/2020 | 08:48

A deputada estadual Isa Penna (PSOL) disse que se sente “enojada” pelo assédio que sofreu na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e declarou, em entrevista à CNN Brasil, que episódios como esse são “cotidianos” no Parlamento. Um vídeo da sessão plenária da última quarta-feira, dia 16, mostra a parlamentar conversando com o presidente da Casa, Cauê Macris (PSDB), quando o deputado Fernando Cury (Cidadania) se aproxima da Mesa Diretora e se posiciona atrás da deputada, colocando a mão na lateral de seus seios.

A deputada disse que o assédio é uma “constante” nos espaços políticos de poder. “Esses homens têm uma vivência de como se fossem deuses, autoridades inatingíveis pelo povo”, declarou. Ao contrário do que argumenta o parlamentar, ela disse que não considera o ato um abraço e que sequer sabia o nome de Cury. “Não foi um abraço porque eu senti a mão dele. Ele pegou no peito.”

A deputada registrou um boletim de ocorrência contra Cury e também entrou com uma representação. No entanto, ela diz não esperar muito da Alesp. “Nunca vi um deputado sequer sofrer uma sanção”, contou Isa, que já foi vítima de assédio outras vezes. “O espaço do parlamento é um espaço absolutamente violento. O assédio cotidiano”, afirmou.

Após a repercussão do caso, o Cidadania, partido de Cury, afirmou que acionará o Conselho de Ética da legenda para apurar o caso e cobrou “as devidas explicações do parlamentar”. A nota foi assinada pelos presidentes estadual e nacional da legenda, Arnaldo Jardim e Roberto Freire, respectivamente.

Fernando Cury afirmou durante a sessão desta quinta-feira, 17, que está “constrangido” e “triste” e se desculpou pelo que chamou de “abraço”. “Gostaria de frisar que não houve, de forma alguma, tentativa de assédio, de importunação sexual ou qualquer outra coisa”, afirmou. “Eu nunca ia fazer isso na frente de 100 deputados”.

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