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Fogo
Em mais longo incêndio de 2020, bombeiros lutam contra chamas há mais de dez dias no Seridó potiguar
Tratores e caminhões-pipa são utilizados pela equipe de enfrentamento à queimada, composta por bombeiros de Caicó e Mossoró e integrantes da Defesa Civil do município, para controlar as chamas desde 23 de outubro
Redação
05/10/2020 | 14:25

O Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Norte (CBM/RN) tem lutado incessante contra as chamas que devastam a vegetação da zona rural de Serra Negra do Norte, no Seridó potiguar, há 13 dias. Este é o mais longo incêndio no Estado em 2020.

Tratores e caminhões-pipa são utilizados pela equipe de enfrentamento à queimada, composta por bombeiros de Caicó e Mossoró e integrantes da Defesa Civil do município, para controlar as chamas desde 23 de outubro, quando a equipe foi acionada para controlar o incêndio que ainda persevera.

“O fogo permanece apesar dos esforços empreendidos pela nossa equipe de Caicó. Por ser uma região serrana, temos grandes dificuldades no deslocamento e no acesso ao local”, disse o diretor de Engenharia e Operações do Corpo de Bombeiros do RN, tenente-coronel Santos Lima. 

Em 28 de setembro, 22 bombeiros militares que atuam na capital e região foram deslocados para a ocorrência.

Segundo o CBM/RN, não há registro de feridos humanos.

A vegetação seca, os ventos fortes e as temperaturas elevadas têm potencializado os incêndios florestais no estado, principalmente na Região Seridó.  

Nesse sentido, a Corporação recomenda que a população suspenda a prática de queima de lixo nas proximidades da vegetação para evitar o risco de novos focos de incêndio.

RN tem mais de 680 incêndios em 2020

No Rio Grande do Norte, incêndios florestais têm levado medo a moradores das regiões Oeste e Seridó, principalmente, com a destruição de grandes áreas de vegetação nativa. Segundo o major Cristiano Couceiro, do Corpo de Bombeiros Militar do RN, a corporação ainda não possui mão de obra especializada para fazer um levantamento capaz de apontar o tamanho do prejuízo. “A nossa parceria com os órgãos ambientais, a partir desse ano, possibilitará melhorar esse monitoramento a partir de 2021”, destacou.

Hoje, ainda sem o Plano de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, as operações desencadeadas para apagar focos de incêndio e queimadas vêm sendo realizadas basicamente pelo Corpo de Bombeiros – que ocasionalmente conta com a ajuda de brigadas, defesas civis municipais ou até mesmo com a colaboração voluntária da população e moradores das áreas atingidas.

Entre os maiores incêndios ocorridos este ano, estão o da Serra da Capelinha, em Parelhas, que durou cinco dias; de um canavial em Monte Alegre; do Morro do Cristo, em Serra Negra; e da Estação Ecológica do Seridó, em Serra Negra do Norte. Este último durou quatro dias.

RN terá Plano de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais

O governo do Rio Grande do Norte, em uma ação conjunta envolvendo diversos órgãos ambientais e de segurança pública, deu início à criação do Plano de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais do RN. Somente este ano, de janeiro até os primeiros 15 dias deste mês, foram combatidos cerca de 680 incêndios no estado – sendo boa parte deles causados pela ação do homem, com queimadas de áreas para pasto, plantações ou limpeza de lixões.

Historicamente, em boa parte do país, setembro é o mês mais propício a incêndios florestais por causa do tempo seco. Além disso, a baixa umidade do ar e os ventos fortes desta época do ano ajudam as chamas a se espalharem rapidamente. Exemplo desta combinação perigosa é o que está acontecendo no Pantanal matogrossense, que nas últimas semanas vem sofrendo com centenas de focos de incêndio. O fogo já destruiu mais de 1.1 milhão de hectares de vegetação só do lado de Mato Grosso do Sul.

Brasil pega fogo

Queimadas no Pantanal batem recorde em 9 meses e são as maiores em 23 anos

Ao contrário do discurso recente, e errado, do governo Bolsonaro minimizando o número de queimadas no Brasil, os dois biomas mais preservados do País fecharam o mês de setembro com altas expressivas no número de focos.

O Pantanal – maior planície úmida do mundo, que se estende pelos Estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul – apresentou a sétima alta mensal consecutiva e bateu o recorde do registro histórico para setembro, com 8.106 focos de calor, alta de 180% em relação ao mesmo mês do ano anterior, que teve 2.887 focos. Somente na quarta-feira, 30, os satélites captaram 682 focos ativos. Em apenas nove meses, o bioma também bateu o recorde anual.

Em área, as queimadas já consumiram neste ano cerca de 23% do bioma, segundo estimativas do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), da UFRJ, compiladas até 27 de setembro. O cálculo aponta que o fogo atingiu até domingo 34.610 km².

O Instituto Centro de Vida (ICV), organização sediada em Mato Grosso e que tem acompanhado de perto as queimadas no bioma, relatou no início da semana que mesmo as primeiras chuvas de setembro ainda não foram capazes de controlar o alastramento dos incêndios no Estado.

Segundo o ICV, o fogo segue avançando pelo Parque Estadual Encontro das Águas, maior reduto de onças pintadas do mundo e que já teve 93% de sua área atingida. Outra unidade de conservação afetada foi a Estação Ecológica Taiamã, com 27% da área queimada.

Amazônia em chamas

Na Amazônia, foram 32.017 focos, alta de 60,6% em relação ao mesmo mês do ano passado, que teve 19.925 focos em setembro. É o maior valor desde 2017 para este mês no bioma.

Em agosto, tinha ocorrido uma leve queda dos focos na Amazônia em comparação com os números do mesmo mês no ano passado (29.307 ante 30.900). As queimas em agosto do ano passado eram as piores desde 2010 e deram início às críticas estrangeiras sobre a falta de atenção do governo federal à região. Foi também quando ocorreu o chamado “Dia do Fogo”, em que proprietários de terra do Pará, de modo coordenado, colocaram fogo em várias regiões simultaneamente, segundo as investigações.

A queda registrada neste ano, porém, pode estar subestimada. O Inpe informou que os valores estão menores em razão de uma “indisponibilidade global de dados” na segunda quinzena de agosto do sensor de um dos satélites da Nasa usados para medir as queimadas. Com isso, a expectativa é que o total de focos de calor na Amazônia tenha sido maior que o registrado em agosto, mas as informações ainda não foram atualizadas.

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