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Covid-19
“Mais de 90% dos que estão em UTI no RN tomaram ivermectina”, diz infectologista
Especialista afirmou que o remédio não funciona contra Covid-19 e que a distribuição nos postos estimula população a descumprir normas preventivas
Redação
23/02/2021 | 09:21

A médica infectologista Marise Reis, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e integrante do comitê científico que assessora o Governo do Estado, fez nesta terça-feira (23) duras críticas ao prefeito de Natal, Álvaro Dias (PSDB), por seguir na defesa do uso do vermífugo ivermectina no tratamento de pacientes com Covid-19.

Em entrevista ao programa “Bom Dia RN”, da InterTV Cabugi, a especialista afirmou que o remédio não funciona contra o novo coronavírus e que a distribuição de ivermectina nos postos de saúde, com ampla recomendação do prefeito, tem estimulado os natalenses a não cumprirem as medidas que realmente protegem contra o vírus, como o distanciamento social e o uso de máscaras.

Segundo Marise Reis, uma prova de que a ivermectina não protege contra a Covid-19 é o fato de que mais de 90% dos pacientes internados com a doença em leitos de UTI no Rio Grande do Norte tomaram o medicamento de forma profilática ou logo após serem diagnosticados com o coronavírus.

“Não adianta a população, as pessoas, se esconderem por trás de um comprimido de ivermectina achando que ele vai te proteger. Não vai. A literatura é clara em relação a isso. Não há evidências de que esse medicamento protege contra a Covid. O apelo que nós fazemos é: não tome remédio e saia por aí achando que você não vai adoecer. Mais de 90% dos pacientes que estão internados nas nossas UTIs fizeram uso da ivermectina. Isso significa que ela não é capaz de fazer o que promete”, disse a infectologista.

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Nesta segunda-feira 22, ao comentar o aumento na taxa de ocupação dos leitos de UTI para casos de Covid-19, o prefeito de Natal, Álvaro Dias, voltou a defender o uso da ivermectina. O gestor da capital disse que o uso profilático evitaria que o vírus se instalasse no organismo de pessoas expostas ao coronavírus.

Para Marise Reis, “essa defesa é um acinte ao conhecimento médico, científico”. “É inaceitável que o prefeito da cidade de Natal, que é médico, venha dizer que vai distribuir ivermectina nos postos. Isso é uma vergonha. O que ele tem que fazer é abrir as unidades de saúde para receber e cuidar da população, monitorar, testar. Ampliar a testagem para que a gente saiba quem está doente para proteger os doentes e os contactantes”, enfatizou a infectologista.

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De acordo com a integrante do Comitê Científico Estadual, ao entregar ivermectina na rede pública, o prefeito de Natal “ilude a população”.

“Nada de ficar iludindo a população de que vai distribuir um medicamento que não é eficaz. Nunca foi. Não houve dúvida em nenhum momento. Essa hipótese esteve sob teste desde a publicação do trabalho experimental que surgiu. Nunca se teve comprovação disso. Não à toa o mundo não recomenda. É inaceitável. Não usem ivermectina. Isso não protege contra Covid. Essa medicação tem ação contra verminose. É essa a indicação do medicamento. E, por favor, protejam-se. O vírus está solto e vai matar muita gente. A saída para controle da pandemia é vacina, que leva um tempo ainda”, finalizou.

Piora da pandemia

Nas últimas semanas, o Rio Grande do Norte teve uma piora no quadro da pandemia. Nesta terça-feira, a taxa média de ocupação dos leitos críticos está em 81% em todo o Estado, sendo a situação mais grave na Grande Natal – com 88% dos leitos ocupados. Seis hospitais já não têm mais leitos para atender pacientes com Covid-19.

Nesta segunda-feira 22, o Estado confirmou 16 novas mortes provocadas pelo novo coronavírus. Com isso, chegou a 3.498 o número de vítimas da doença desde o início da pandemia. Além disso, são 160.752 casos confirmados da infecção.

Os especialistas atribuem o aumento nas hospitalizações à circulação de duas novas variantes do coronavírus no Rio Grande do Norte e às aglomerações registradas no RN entre as campanhas eleitorais e o Carnaval.

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