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Entrevista
Maior desafio da retomada é o desemprego, diz presidente da Fecomércio
Para o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do RN, ano termina um pouco melhor do que se imaginava quando o País vivia o auge da pandemia
Redação
09/12/2020 | 06:16

Liderança robusta do segmento do comércio e serviços, o presidente da federação do setor do Rio Grande do Norte (Fecomércio), Marcelo Queiroz, é uma bússola sempre que o mar anda revolto, como agora.

A pandemia deixou em frangalhos milhares de negócios, quando esses não fecharam as portas definitivamente, e tudo isso vem merecendo a reflexão de dirigentes como Queiroz diante de um 2021 que reserva os maiores desafios.

Com a iminência de uma vacinação em massa e de um oceano de incertezas ligadas ao fim do auxílio emergencial, o Agora RN conversou nesta terça-feira 8, sobre o futuro imediato, com o presidente da Fecomércio RN. Confira:

Agora RN – Como estamos terminando o ano do ponto de vista do comércio, dos serviços e do turismo do RN e quais as perspectivas para 2021?
Marcelo Queiroz
– Olha, podemos dizer que estamos terminando o ano um pouco melhores do que imaginávamos quando estávamos no auge da pandemia. Já há sinais muito claros de recuperação, mas ainda há um caminho muito longo a percorrer.

Agora RN – Efetivamente, como o senhor recontaria este ano tão atípico?
Marcelo Queiroz –
Para começar, quando analisamos as vendas do comércio potiguar, tivemos, entre os meses de abril e julho, perdas que somam cerca de R$ 900 milhões. A partir de agosto começamos a registrar crescimento e, entre agosto e setembro (último dado oficial disponível), recuperamos R$ 182 milhões.

Agora RN – Qual a expectativa agora?
Marcelo Queiroz –
Nossa expectativa é que em outubro e novembro tenhamos conseguido recuperar mais uns R$ 200 milhões (os números oficiais, do IBGE, ainda não foram divulgados). Mesmo assim, ainda teríamos mais de R$ 500 milhões em vendas perdidas ao longo do ano, um volume que certamente não teremos condições de recuperar apenas em dezembro. Isso só seria possível se emplacássemos um crescimento da ordem de 25% nas vendas apenas no último mês do ano, algo praticamente impossível.

Agora RN – E o setor de serviços, qual o cenário?
Marcelo Queiroz –
O setor de serviços, por sua vez, vem na mesma toada. O turismo, por exemplo, é um dos segmentos que mais nos preocupa. Tomamos várias medidas. Somente em cursos específicos para capacitar empreendedores e colaboradores deste segmento, nós oferecemos cerca de 1.500 vagas gratuitas, além de termos trabalhado, junto com o Governo do Esatdo, na elaboração do Plano de Retomada do Turismo para ajudar na recuperação. Mas este é um setor que depende diretamente da percepção das pessoas em relação a se sentirem seguras diante da doença.

Agora RN – Está dando certo?
Marcelo Queiroz –
Mesmo com o RN tendo conseguido, de maneira pioneira e graças à nossa parceria com o Governo e outras entidades do trade, um selo que atesta sermos um destino com excelência em biossegurança, o que temos visto é que ainda não há uma retomada plena. A Covid-19 continua sendo um limitador poderoso para isto. Para 2021, nossa expectativa é de seguirmos avançando.

Agora RN – O senhor mesmo costuma dizer que há muitas demandas reprimidas que precisarão ser atendidas, mas que não será um caminho simples.
Marcelo Queiroz –
Realmente, temos demandas reprimidas, já que as pessoas deixaram de comprar alguns bens, por insegurança quanto ao futuro e, também, deixaram de viajar, por exemplo. Elas podem, a nosso ver, sustentar o setor produtivo ao longo de 2021.

Agora RN – O que será preciso fazer?
Marcelo Queiroz –
Precisamos manter os cuidados e respeitar os protocolos sanitários, até que a vacina seja uma realidade para a maioria da população, de modo a que possamos retomar de fatos nossas vidas normais. Teremos grandes desafios a enfrentar. O maior deles é o desemprego, que já atinge quase 240 mil potiguares.

Agora RN – Tem algum caminho para isso?
Marcelo Queiroz –
Precisamos fazer a economia girar para que possamos absorver estas pessoas. Este será o nosso grande desafio. Mas tenho certeza de que o setor de comércio, serviços e turismo, que responde por quase 75% dos empregos formais do estado e por mais de 65% do ICMS recolhido irá, mais uma vez, ser a locomotiva desta retomada do crescimento.

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