BUSCAR
BUSCAR
Música
Muito a dizer: Luan Bates lança segundo álbum com narrativas acerca da saúde mental
Artista potiguar, Luan Bates lançou na última sexta-feira 18 o segundo álbum da carreira. Novo disco traz rock um tanto indie e letras autorais sobre experiências sinceras
Nathallya Macedo
21/09/2020 | 08:07

Em um tom confessional, Luan Bates criou uma atmosfera intensa e autêntica para o segundo álbum – lançado na última sexta-feira 18. Apesar de ser intitulado “Nothing Left to Say” (nada mais a dizer, traduzido do inglês), o jovem potiguar elenca vários questionamentos, dialogando e exibindo algumas contradições presentes na sociedade moderna, além de outros incômodos pessoais.

Com 10 faixas, o disco é conduzido por guitarras pesadas e sustenta influências do rock alternativo, indie e britpop, caracterizando uma sonoridade singular. Logo a primeira música, “Sanity”, adota um tom mais crítico e perspicaz. O repertório segue com canções intimistas como “Casting Out a Devil”, que discute a religiosidade e a fé na visão do próprio artista.

“A ideia desse registro sempre foi de trazer um som mais denso em relação aos meus trabalhos anteriores, mas também, de abordar minha condição mental de maneira mais realista, mesmo que mais sombria ou negativa, através das letras. Hoje em dia até os seus desabafos e crises são expostos de maneira mais polida, ‘do jeito que você quer divulgar’, e quando escrevi as faixas, estava numa depressão profunda que não me permitia fugir de pensamentos mais pesados”, relembrou.

Para ouvir o álbum, clique no link. O Agora RN conversou com Luan sobre a produção e planos para o futuro. Confira a entrevista.

AGORA RN – Este é seu segundo álbum (The Morning Sun é o primeiro). Quais as principais diferenças entre os trabalhos?

LUAN BATES – Desta vez, eu me senti mais confiante para gravar sozinho. No início do ano lancei um EP, “Damned Poetry”, para fechar o ciclo do primeiro álbum. Os lados B desse EP foram gravados por mim mesmo, sem medo e pressão, e acabei gostando do resultado. Assim tive um parâmetro a seguir para a gravação do “Nothing Left to Say”. “The Morning Sun” é mais leve e mostra como eu comecei a compor, sempre com o violão mais evidente que a guitarra, linhas simples e letras reflexivas, porém esperançosas. Já esse novo disco, escrevi em um período tenso na minha vida, com muitos conflitos internos, e musicalmente queria expressar essa tensão. Então, é um disco mais pesado, voltado para as guitarras e baterias, e tentei inserir groove também, executar melhor as linhas de baixo, mesmo não sabendo tocar o instrumento.

AGORA RN – Quais foram suas inspirações?

LUAN BATES – Bandas que sempre curti e que não apareciam como influências nos meus trampos anteriores: Stone Temple Pilots, Sparklehorse, Ventre, Hüsker Dü, Ween… tem um pouco daquela influência de Verve e Oasis também, mas bem menos que antes. Eu pensei muito também em “segundos discos” de outras bandas, porque percebi que muitos trazem essas tensões, um clima mais obscuro em relação ao primeiro álbum. O próprio “Purple” do STP, “Northern Soul” do Verve… tentei pegar o feeling de cada álbum e adicionar a esse disco de alguma forma.

AGORA RN – Qual é sua música do “Nothing Left to Say” favorita e por quê?

LUAN BATES – “Jana”. Foi uma tentativa de sair da minha zona de conforto. Eu comecei a fazê-la em loop, que é um processo que não curto tanto, mas que foi bem legal, focando no baixo e na bateria. Eu tinha alguns trechos de letras guardados, e os usei como ponto de partida para a música. Coincidiu infelizmente com a perda de uma colega muito querida, no início da quarentena. Então, escrevi essa faixa pensando nela.

AGORA RN – No geral, qual é a principal mensagem que você pretende passar?

LUAN BATES – O disco é sobre saúde mental, basicamente. Eu acho que a abordagem geralmente é bastante estereotipada. Nem sempre é sobre autoestima ou tragédia. O Setembro Amarelo não funciona se, ao longo do ano, as coisas continuam as mesmas para toda a sociedade. Tem muita coisa em mim que não consigo expressar. Não consigo entender por que minha saúde mental ou minha depressão afetam detalhes tão bestas, que acabam travando meu dia a dia. Mas percebi que muito do externo, do que vivo fora de casa e de como vejo as pessoas lidando com o mundo, também causa gatilho para esses problemas, e a gente deveria trazer mais esses gatilhos à tona, assim como o fato da depressão te empurrar para uma perspectiva muito negativa e quase violenta do mundo.

AGORA RN – Quais são os próximos passos?

LUAN BATES – Ainda tentando respeitar o isolamento social, o foco será a produção de conteúdo sobre o disco pela internet. Devo lançar mais alguns singles do álbum, a partir do mês que vem, além de contar como foi o processo de gravação, mais detalhes sobre as inspirações de cada música e, se as coisas melhorarem, tocar o disco ao vivo em 2021. Quero me manter bem, produzindo ainda mais e junto com outros artistas e bandas incríveis daqui do Estado. E uma turnê, porque tá dando saudade de tocar.

Sede: Av. Hermes da Fonseca, 384 – Petropolis – Natal – RN – Cep. 59020-000
Telefone: (84) 3027-1690 / 3027-4415
Redação: (84) 98117-5384 - [email protected]
Comercial: (84) 98117-1718 - [email protected]
Copyright Grupo Agora RN. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização prévia.