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Arte
Lembranças em xilogravuras
Artista potiguar, Evana Macedo usa fotografias e entalhes em madeira para representar narrativas pessoais e históricas
Nathallya Macedo
10/06/2020 | 06:00

As memórias particulares da potiguar Evana Macedo são as fontes de inspiração que impulsionam o trabalho da jovem no meio artístico. Contudo, ela também reverbera recordações históricas nas produções e obras próprias. Apaixonada pela trajetória das cidades onde viveu, a artista busca promover uma junção perfeita de dois mundos: a fotografia e a xilogravura.

Evana nasceu em Currais Novos e teve bastante contato com Acari, Florânia, Natal e Picuí, na Paraíba. É por isso que ela homenageou as cinco cidades com uma exposição no fim do ano passado. “Fotografei 50 prédios, em preto e branco, e depois fiz a xilogravura de ornamentos e detalhes da arquitetura dos edifícios. Quis representar tanto nosso patrimônio material quanto o imaterial”, contou. As superposições foram expostas durante a chamada “Retro-visões”, na Galeria Sesc.

Formada em artes visuais, Evana cativa amor e dedicação pelas experimentações da técnica artística que utiliza. “A xilografia é um entalhe feito na madeira, como se fosse um carimbo. As cópias impressas deste entalhe são as xilogravuras. Me apaixonei por elas desde a época da faculdade e agora já estou prestes a completar uma década atuando nessa área”.

Mas por quase dois anos, a artista precisou enfrentar uma doença inflamatória nas articulações, o que dificultou a execução dos entalhes nas madeiras. “Foi o pior período da minha vida. Mas com o tratamento certo, consegui voltar a fazer as xilogravuras e ganhei um prêmio nacional até. Apesar de não ser uma vertente artística muito conhecida, é bem representativa e está presente nos cordéis nordestinos, por exemplo”.

Impressão Igreja do Galo, em Natal. Foto: Arquivo Pessoal

Um dos prédios representados por Evana nas xilogravuras, que antes estava abandonado, foi restaurado e reaberto. Hoje é um dos polos culturais de Currais Novos. “No edifício funcionava o antigo cartório da cidade. Hoje é o Solar das Artes. Já fiz exposições lá no ano passado e no começo de 2020. É muito gratificante fazer parte dessa narrativa”, relembrou.

Isolamento x Arte

Durante o período de quarentena causada pelo novo coronavírus, a jovem classifica a arte como uma salvação. “Através da arte, expressamos nossos sentimentos bons e ruins ao mesmo tempo. Não sei o que estaríamos fazendo sem músicas, filmes, livros e outros produtos artísticos”, disse.

O momento também está sendo importante para focar nos próximos trabalhos. “Recentemente, terminei um projeto com azulejos em ‘xilo’. Pretendo participar de mais exposições e fazer outros tipos de xilogravuras depois da quarentena. Meu objetivo é continuar divulgando essa técnica milenar entre os potiguares”.

Xilogravura que participou de premiação nacional. Foto: Arquivo Pessoal
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