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América
Joe Biden será o 16º democrata a ocupar a presidência dos EUA
Desde o primeiro pleito, em 1788, quando George Washington foi eleito presidente por unanimidade, os Estados Unidos celebram 232 anos ininterruptos de votações a cada quadriênio para eleger seus chefes de Estado
Estadão
07/11/2020 | 14:32

Uma disputa histórica entre o candidato democrata Joe Biden e o republicano Donald Trump marcou a chegada da mais antiga democracia das Américas à sua 59ª eleição presidencial. Com a vitória de Biden, ele se tornará o 46º presidente dos Estados Unidos. Será o segundo católico a ocupar a Casa Branca. Outro democrata, John Kennedy, foi o primeiro em 1961. E está será também a primeira eleição americana que elegeu uma mulher para o Executivo. Kamala Harris, companheira de chapa de Biden, será a próxima vice-presidente dos Estados Unidos e a primeira negra a ascender ao cargo.

Desde o primeiro pleito, em 1788, quando George Washington foi eleito presidente por unanimidade, os Estados Unidos celebram 232 anos ininterruptos de votações a cada quadriênio para eleger seus chefes de Estado. Nem uma Guerra Civil, que quase dividiu o país em dois, nem duas Guerras Mundiais e nem uma pandemia interromperam as votações. Até hoje, o país passou por 45 presidências (administrações). Mandatos consecutivos de um mesmo titular são considerados como a mesma presidência. Foram 44 invíduos diferentes no cargo. Goover Clevland ocupou a presidências duas vezes em dois mandatos não consecutivos e por isso é considerado o 22º e também o 24º presidente. Deste total, 21 presidentes foram eleitos para um segundo mandato. A contagem entre os dois partidos é a seguinte: 19 republicanos chegaram ao Salão Oval, contra 16 democratas, incluindo Biden.

Tão antiga quanto a democracia no país, a reeleição presidencial está presente no sistema eleitoral desde o início de sua história republicana. George Washington, ao fim do primeiro mandato, em 1792, foi reeleito para governar novamente a então única nação independente das Américas. Foi também Washington, que zelando pela alternância no poder, iniciou a tradição de não se concorrer a mais de dois mandatos consecutivos. Seguindo a tradição, políticos icônicos como Thomas Jefferson – terceiro presidente americano e um dos Pais Fundadores da nação – e Andrew Jackson disputaram e reelegeram-se apenas para um segundo mandato.

A regra implícita de dois mandatos foi quebrada em 1940, quando o democrata Franklin Roosevelt, um dos mais populares presidentes da história americana, concorreu e venceu sua terceira eleição naquele ano. Roosevelt também conquistou um quarto mandato em 1944. Em 1947, uma lei proibiu a eleição de um mesmo presidente por mais de dois mandatos. Roosevelt foi o presidente americano que por mais tempo ocupou o cargo, foram 12 anos e 39 dias. No pólo oposto está William Harrison, que presidiu o país por apenas por 31 dias, de sua posse em 4 de março de 1841 até sua morte em 4 de abril do mesmo ano.

A presidência de Roosevelt também marca o início do mais longo período de um partido na Casa Branca na História Contemporânea. Entre os 4 mandatos de Roosevelt a eleição e reeleição de seu vice, Harry Truman, os democratas passaram quase 20 anos no poder. No século 20, o mais longo período dos republicanos no poder foi de doze anos seguidos. O mais recente aconteceu na década de 1980, com a eleição e reeleição de Ronald Reagan em 1980 e 1984 e a eleição de seu vice, George H.W. Bush, como sucessor em 1988. Essa foi também a última vez que um partido conseguiu vencer uma reeleição e uma eleição sucessória na sequência.

Ainda assim, na história americana, não foram os democratas e nem os republicanos que detiveram a presidência por um período mais longo, e sim o Partido Democrata-Republicano, que passou 28 anos seguidos no poder, da posse de Thomas Jefferson em 1801 ao final do mandato de Quincy Adams em 1829.

O sistema bipartidário americano como conhecemos hoje começou a ganhar seus contornos no século 19. Nesse período, a ascensão e prevalência dos partidos Democrata e Republicano como as grandes forças do cenário político americano se estabeleceu, com Andrew Jackson (7º) sendo reconhecido como o primeiro democrata eleito presidente, e Abraham Lincoln (16º) como o primeiro republicano.

Do total dos 44 presidentes, 35 candidatos ocuparam o cargo após terem vencido as disputas para Presidência, 9 foram eleitos como vices e assumiram o mais alto cargo do governo americano diante da impossibilidade do presidente eleito continuar seu governo (John Tyler, Millard Fillmore, Andrew Johnson, Chester A. Arthur, Theodore Roosevelt, Calvin Coolidge, Harry S. Truman, Lyndon B. Johnson e Gerald Ford).

Das nove presidências interrompidas, oito foram por morte e uma por renúncia. Dos presidentes que morreram no exercício do cargo, quatro faleceram por causas naturais (William Harrison, Zachary Taylor, Warren Harding e Franklin D. Roosevelt) e quatro foram assassinados (Abraham Lincoln, James Abram Garfield, William McKinley e John F. Kennedy). A primeira e única renúncia de um presidente americano aconteceu em 1974, quando Richard Nixon deixou o cargo em meio ao escândalo Watergate e diante da ameaça de um processo de impeachment.

Mulheres. Nesses mais de dois séculos de eleições as mulheres nunca chegaram à presidência. A própria conquista do direito ao voto feminino na América se deu há apenas 100 anos, com a ratificação da 19ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos em 1920. E desde então, apenas uma vez uma mulher concorreu à presidência. Em 2016, a candidata Hillary Clinton enfrentou e perdeu as eleições para Donald Trump. Antes dela, mulheres haviam ocupado como vices ambas as chapas, republicanas e democratas. A primeira vez nas eleições de 1984, quando o democrata Walter Mondale teve Geraldine Ferraro como companheira de chapa. A segunda em 2008, quando Sarah Palin concorreu como vice do republicano John McCain. A primeira mulher a disputar uma candidatura à presidência nas eleições primárias de um partido, foi a Shirley Chisholm. A democrata não levou a indicação, que ficou com Nesta eleição foi também a primeira mulher negra eleita senadora dos Estados Unidos, não levou a indicação Nesta eleição, Kamala Harris compôs a chapa do democrata Joe Biden como vice.

Negros. A primeira vez que um afro-americano disputou uma eleição para presidente no país foi em 2008. Mais de um século após a ratificação da 15ª Emenda à Constituição dos EUA de 1870 que eliminou barreiras raciais para votação e 43 anos depois da sanção da Lei dos Direitos de Voto de 1965 que garantiu a proteção do direito ao voto a todos, Barack Obama se tornou o primeiro e único negro a ocupar a presidência dos Estados Unidos depois de vencer as eleições de 2008.

Eleição decidida na Corte. Há 20 anos, os Estados Unidos viviam uma das suas eleições mais apertadas e dramáticas. Nas eleições de 2000, o Estado da Flórida foi o pêndulo da balança que determinou a vitória eleitoral na disputa entre o republicano George W. Bush e o democrata Al Gore. A contagem dos votos no início do período de apuração no Estado aparentou uma vitória com margem segura para o republicano. O democrata chegou a telefonar para Bush para reconhecer sua derrota e parabenizar o adversário. Horas depois, o resulto na Flórida não parecia mais claro, a margem de diferença entre os candidatos se estreitou drasticamente com a chegada dos votos de condados mais distantes. Gore fez um segundo telefonema para Bush, retirando sua concessão. Os democrata exigiram recontagem e a decisão foi parar na Suprema Corte, que decidiu a favor de Bush. Da votação até o veredicto dos ministros, os americanos passaram 35 dias sem saber quem seria seu próximo presidente. Gore venceu no voto popular, foram 48.4% contra 47.9%, mas perdeu no colégio eleitoral quando os votos da Flórida foram para Bush.

Eleição decidida na Câmara. Quatro candidatos disputaram a presidência dos Estados Unidos no pleito 1824, Andrew Jackson, John Quincy Adams, William H. Crawford e Henry Clay. Mas, nenhum deles atingiu os então necessários 131 votos no colégio eleitoral que garantiriam uma vitória. A decisão sobre o pleito coube à Câmara dos Representantes, e apenas os três candidatos mais votados, seguiram para disputa desta segunda votação, como ordena a 12ª Emenda da Constituição Americana de 1804.O menos votado entre os quatro, o parlamentar do Kentucky, Henry Clay, foi deixado de fora desta segunda corrida eleitoral, no entanto se tornou figura central na vitória de Quincy Adams nessa eleição. Andrew Jackson, que saiu como líder dos votos na primeira eleição, viu o jogo virar no segundo pleito, quando Clay firmou uma aliança com Adams garantindo-lhes os 13 votos necessários para vencer aquela eleição contingencial, a segunda e última eleição do tipo realizada no país para determinar o presidente.

Empate. As eleições presidenciais de 1800 guardam um bom exemplo de como um sistema eleitoral se aprimora ao longo do tempo, evoluindo na criação de leis para sua sustentação. O resultado da quarta eleição dos Estados Unidos postulou um desafio para a nascente democracia americana, um empate, o único até hoje registrado no país. Thomas Jefferson e Aaron Burr receberam cada um 73 votos. O resultado foi arbitrado pela Câmara dos deputados. Jefferson venceu e tornou-se o 3º presidente americano. Burr, o segundo mais votado, ocupou a vice-presidência, como exigia a Constituição do período. Em 1804, a 12ª Emenda passou a vigorar. Entre as leis eleitorais por ela colocadas, ficou determinado votação separada para vice.

De lavada. A maior vitória dos democratas aconteceu nas eleições de 1936, quando Franklin Roosevelt venceu Alf Landon por 523 votos contra 8. Os republicanos varreram o mapa de vermelho em 1984, quando Ronald Reagan derrotou Walter Mondale por 525 a 13.

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