A tragédia da atual guerra entre judeus e palestinos poderia ter sido evitada. Após a vitória de Israel na guerra dos seis dias (1967), derrotando o Egito, a Síria e a Jordânia, David Ben-Gurion, líder do movimento sionista, visitou São Paulo. Ele lutou pelo reconhecimento do Estado de Israel na ONU em 1948 e foi a primeira pessoa a ocupar o cargo de primeiro-ministro israelense. Na ocasião, defendeu a devolução dos territórios ocupados aos palestinos e enfatizou a importância da paz com os vizinhos árabes. A sua proposta foi rejeitada. Ben-Gurion é um dos poucos homens na História, que merecem o epíteto de estadista.
Gurion sabia, que os cerca de 900 mil judeus, que viviam nos países árabes, conviviam muito bem com os muçulmanos, até a criação do Estado de Israel, em um território habitado pelos palestinos. Depois disso, nunca mais houve paz. O conflito geopolítico é em razão de dois povos – Israelenses e Palestinos – coabitarem em um mesmo território, sem concordarem com esta situação.

No século XIX, os judeus constataram que eram um povo espalhado em diversos países, e em nenhum deles constituía a maioria, e sim uma minoria estrangeira e indesejada. Surgiu o Sionismo, como um movimento nacionalista, com a finalidade de estabelecimento de um Estado soberano para o povo judeu.
A Palestina era, nos séculos 19 e 20, antes do nascimento do Estado de Israel, um território habitado por centenas de milhares de pessoas e vivia, segundo a Enciclopédia Britannica, “um renascimento árabe”. A localização da Palestina a tornava local estratégico do ponto de vista comercial. O povo palestino constituído por árabes, habitava a região. A partilha feita pela ONU (1948), na criação do estado de Israel, teve a rejeição dos palestinos, considerando que os judeus ficavam com a maior parte, mesmo tendo apenas 30% da população.
No dia seguinte à declaração da ONU, os exércitos do Egito, Iraque, Jordânia, Líbano, Síria e Arábia Saudita desencadearam uma guerra contra a independência do povo israelense. Os Estados Árabes perderam o conflito. Mais de 400 aldeias palestinas foram destruídas e cerca de 760.000 refugiados palestinos fogem para a Cisjordânia, Gaza e outros países árabes vizinhos. A população palestina instalou-se em acampamentos de caráter provisório, sob a tutela da Jordânia, deixando bens materiais, campos, colheitas, familiares.
O atual conflito começou no sábado, 7 de outubro, quando mais de 5.000 foguetes foram disparados em direção a Israel, por combatentes do Hamas, que é “um movimento de resistência islâmica”. Fundado em 1987, o Hamas tem uma atuação mista entre organização política social e força armada.
E agora? O que vai acontecer? Parece unânime, que a solução passará pela aceitação dos israelenses na criação de um Estado soberano para os palestinos, o fim do bloqueio à Faixa de Gaza e o término das restrições à circulação de pessoas e mercadorias nas três áreas que formariam o Estado palestino: Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Faixa de Gaza. Por outro lado, os grupos palestinos deveriam renunciar à violência e reconhecer o Estado de Israel, além de acordos sobre fronteiras, assentamentos e o retorno de refugiados.
Um dado positivo é que os principais vizinhos árabes e potências regionais, como Egito e Arábia Saudita, desejam acalmar as tensões. O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, disse trabalhar para evitar uma “expansão do conflito”. O risco maior é o Irã, que se recusa a reconhecer Israel e o considera seu arqui-inimigo regional. Há tempos, Teerã apoia financeira e militarmente o Hamas.
Palestinos e israelitas têm o direito de viver nas terras de seus antepassados, sem intolerância e ódio. Afinal, são irmãos genéticos, por descenderem de uma mesma tribo, que viveu no Oriente Médio, por volta de 4000 a.C. – muito antes de Abraão. É como Ben-Gurion já disse: “para ser realista é preciso acreditar em milagres”!
*Ney Lopes é jornalista.