BUSCAR
BUSCAR
Economia

Indústria do RN avança em 2025, com setor têxtil ampliando protagonismo na produção estadual

Confecção passa a responder por 30% da atividade industrial potiguar e cresce 48% no ano; políticas de incentivo ajudam a sustentar diversificação e empregos
Redação
28/01/2026 | 18:27

A indústria do Rio Grande do Norte apresentou avanço relevante em 2025, em um movimento marcado pela reorganização da base produtiva e pelo fortalecimento de setores menos expostos às oscilações do mercado internacional. O principal destaque foi a indústria têxtil, que ampliou de forma expressiva sua participação na produção industrial do Estado, segundo análise técnica da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Sedec), com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No período de janeiro a novembro de 2025, a confecção de artigos do vestuário e acessórios passou a liderar a atividade industrial potiguar, respondendo por 30% do total da produção. Em 2024, o segmento representava 21%, o que indica um avanço de 9 pontos percentuais em apenas um ano, consolidando-se como o principal motor da indústria estadual.

Indústria do RN avança em 2025, com setor têxtil ampliando protagonismo na produção estadual
Indústria têxtil foi destaque do setor em 2025 - Foto: José Aldenir/Agora RN

Além do setor têxtil, a estrutura industrial do Rio Grande do Norte em 2025 foi composta pela indústria de transformação, com 22% de participação; pela fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com 21%; pela indústria de produtos alimentícios, também com 21%; e pelas indústrias extrativas, que responderam por 6% da produção.

Reorganização setorial

A comparação entre 2024 e 2025 revela um processo de reorganização e fortalecimento da indústria potiguar. Segmentos tradicionalmente relevantes enfrentaram retração, influenciados por fatores conjunturais, como a redução dos preços do petróleo e as oscilações do mercado internacional, que impactaram a fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis, além de parte da indústria de transformação.

Esse cenário, no entanto, abriu espaço para o avanço de atividades com maior capacidade de adaptação. Setores considerados estratégicos assumiram papel de protagonismo e sustentaram o dinamismo industrial do Estado. A indústria têxtil liderou a expansão, com crescimento de 48% na produção, seguida pela indústria extrativa, que avançou 13%, e pela fabricação de produtos alimentícios, com alta de 6%.

Para a Sedec, os resultados indicam maior diversificação da base produtiva e demonstram a resiliência da economia potiguar diante de um ambiente externo mais desafiador.

Transição produtiva

Os dados reforçam um movimento de transição produtiva, no qual setores como o têxtil, o alimentício e o extrativo contribuem para reduzir a dependência de atividades mais sensíveis à conjuntura internacional. Esse processo fortalece a capacidade da indústria estadual de gerar emprego, renda, arrecadação fiscal e inovação, além de ampliar a competitividade da economia local.

Nesse contexto, o governo estadual tem adotado estratégias voltadas à descentralização industrial, à diversificação produtiva e ao incentivo a atividades de maior valor agregado, buscando criar um ambiente mais favorável ao investimento privado.

Incentivos e políticas públicas

Entre os principais instrumentos de estímulo está o Programa de Estímulo ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte (Proedi), que concede crédito presumido de ICMS às empresas industriais. O programa já resultou na liberação de milhões de reais em incentivos fiscais e na preservação de milhares de empregos formais no Estado.

Outra iniciativa recente é a Política Estadual de Incentivo à Exportação – Programa RN+ Exportação, instituída pelo Decreto nº 34.967, de 9 de outubro de 2025. Coordenado pela SEDEC, o programa tem como foco estimular e capacitar empresas potiguares — especialmente micro e pequenas — a ampliar sua presença no comércio exterior e diversificar mercados internacionais.

Centro Industrial Avançado

Como reflexo desse conjunto de políticas, o Centro Industrial Avançado (CIA) atingiu, em 2025, a marca histórica de 98,7% de ocupação, consolidando-se como um dos principais polos produtivos do Rio Grande do Norte. As empresas instaladas no distrito industrial geraram mais de 2.200 empregos diretos e cerca de 2.700 indiretos, totalizando aproximadamente 4.900 postos de trabalho.

Os empregos estão distribuídos entre setores como indústria alimentícia, construção civil, indústria química e fabricação de móveis, reforçando a diversidade da atividade industrial no espaço.

Os resultados de 2025 confirmam o papel da indústria como vetor central do desenvolvimento econômico potiguar, evidenciando avanços associados ao planejamento, à execução de políticas públicas e ao fortalecimento do ambiente produtivo no Estado.